A influência do Estreito de Ormuz, apontado como um dos principais pontos de gargalo no mercado global de petróleo, sobre os preços de energia é menor do que o visto em crises anteriores, uma vez que o principal fator de pressão passou a ser a guerra entre Rússia e Ucrânia, que comprometeu a capacidade global de refino do combustível.
A afirmação é do economista norte-americano Paul Krugman, que afirma que a recente escalada das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos elevou os preços do petróleo, mas em intensidade inferior à esperada diante da importância do estreito, por onde historicamente transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Em artigo publicado em seu blog, Krugman diz que parte desse quadro está na adaptação do mercado internacional. Nos últimos anos, produtores ampliaram o uso de oleodutos para contornar o Estreito de Ormuz, países de fora do Golfo Pérsico aumentaram a oferta de petróleo, a China reduziu importações e consumidores recorreram aos estoques estratégicos.
Krugman argumenta que a principal mudança ocorreu na etapa seguinte da cadeia energética – segundo o Nobel de Economia, o que determina o impacto sobre consumidores não é apenas o preço do petróleo bruto, mas o custo dos combustíveis refinados, como gasolina e diesel.
Embora o barril tenha recuado após os momentos mais agudos da crise envolvendo o Irã, os preços pagos pelos consumidores permaneceram elevados porque a capacidade mundial de refino tornou-se insuficiente para atender à demanda.
Guerra na Ucrânia afetou infraestrutura russa
Krugman atribui parte significativa desse problema aos efeitos da guerra na Ucrânia.
Antes da invasão iniciada em 2022, a Rússia figurava entre os maiores exportadores mundiais de derivados de petróleo, mas sucessivos ataques ucranianos com drones atingiram refinarias russas, reduzindo a capacidade de processamento do país.
Como consequência, Moscou passou a enfrentar dificuldades para exportar gasolina e diesel e, em algumas regiões, começou a registrar escassez desses produtos. Com menos derivados disponíveis no mercado internacional, a oferta global de combustíveis refinados encolheu, mantendo elevados os preços finais mesmo quando a cotação internacional do petróleo bruto apresentou recuo.
Krugman cita estimativas segundo as quais cerca de 10% da capacidade mundial de refino encontra-se atualmente fora de operação.
Na avaliação do economista, esse novo cenário reduz a relevância econômica de uma eventual normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz uma vez que, mesmo que o fluxo de petróleo bruto no mercado internacional apresente crescimento, a limitação da capacidade de refino impede que esse aumento de oferta se traduza rapidamente em maior disponibilidade de gasolina e diesel.
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