A ampliação da exploração de novas fronteiras petrolíferas no Brasil voltou a ser defendida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), argumentando que a reposição das reservas é fundamental para preservar a segurança energética, a soberania nacional e a capacidade de geração de riqueza nas próximas décadas.
O posicionamento foi reforçado após a divulgação de um estudo elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro), em parceria com a consultoria norueguesa Rystad Energy, que aponta um ritmo de exploração inferior ao de outros países produtores.
Segundo o levantamento, entre 2018 e 2024 o Brasil perfurou apenas 37 poços exploratórios, sem realizar perfurações em novas fronteiras exploratórias. No mesmo período, Guiana e Suriname abriram 75 poços, sendo 62 em novas fronteiras. A Noruega perfurou 143 poços, dos quais 32 em novas áreas, enquanto países da costa africana realizaram 72 perfurações, sendo 28 em regiões até então inexploradas.
“O Brasil precisa garantir a reposição de suas reservas para preservar a segurança energética, a soberania e a capacidade de gerar riqueza para a população. Não podemos abrir mão de planejar o futuro da produção nacional de petróleo”, afirmou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, ressaltando que os números demonstram a necessidade de uma política de Estado voltada à recomposição das reservas brasileiras.
A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, Rosangela Buzanelli, também defendeu a retomada dos investimentos em exploração. Segundo ela, o atual nível de produção do país é resultado de investimentos realizados ao longo de décadas, especialmente aqueles que possibilitaram a descoberta e o desenvolvimento das reservas do pré-sal.
Na avaliação de Buzanelli, a ausência de novos investimentos exploratórios pode comprometer a manutenção da produção nacional no futuro. Ela afirma que a Petrobras reúne capacidade técnica, experiência e condições operacionais para liderar esse processo de forma segura e alinhada às exigências ambientais.
Entre as áreas consideradas estratégicas pela FUP estão a Margem Equatorial, que compreende as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, além da Bacia de Pelotas, localizada na região Sul do país.
O debate sobre a abertura dessas novas fronteiras ocorre em meio às discussões sobre licenciamento ambiental, transição energética e segurança do abastecimento: enquanto representantes do setor de petróleo defendem a necessidade de ampliar a pesquisa exploratória para evitar uma futura redução da produção nacional, organizações ambientalistas alertam para os impactos da expansão da atividade em áreas ambientalmente sensíveis.
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