A escalada de violência entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo patamar de hostilidade. Nesta quinta-feira (16), o governo iraniano ameaçou destruir “toda a infraestrutura em toda a região” do Oriente Médio caso o presidente americano, Donald Trump, concretize a promessa de bombardear usinas de energia e pontes em território iraniano. A declaração ocorre em meio à retomada de um bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz e a uma sequência de ataques que já deixou dezenas de vítimas.
O acirramento das tensões foi impulsionado por um ultimato de Trump, que condicionou o fim dos ataques à volta de Teerã à mesa de negociações. “Vou deixar os alvos do setor de energia por último, mas, no final das contas, vamos atacar alvos de energia“, disse o presidente americano à Fox News. “Na próxima semana virão as usinas de energia, na próxima semana virão as pontes“, completou, destacando que os bombardeios continuarão até ele dizer que “já chega” e que não restará “ninguém” no país caso o acordo não seja firmado.
Reação militar e linhas vermelhas
A resposta de Teerã veio por meio de porta-vozes militares. Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando central das forças armadas iranianas, afirmou que a reação do país “não será apenas proporcional; será superior“. Segundo ele, a infraestrutura da região “será esmagada” de tal forma que “não restará nenhum vestígio dela“. Zolfaghari também reforçou que o Irã não permitirá a interferência dos EUA no Estreito de Ormuz, classificando a rota marítima como uma “linha vermelha inegociável“.
Complementando a posição do exército, o porta-voz Mohammad Akraminia alertou que o conflito pode se expandir para “novas arenas” e destacou que “grande parte das capacidades das forças armadas ainda não foi demonstrada“.
Vítimas e impacto civil
O Ministério da Saúde do Irã informou que os recentes bombardeios americanos deixaram ao menos 35 mortos e mais de 300 feridos. Entre as vítimas fatais estão duas mulheres e um adolescente. Embora as Convenções de Genebra de 1949 proíbam ataques a estruturas essenciais à sobrevivência de civis, as ameaças a usinas e pontes geram forte preocupação humanitária.
A crise militar rompeu o protocolo de acordo assinado em junho, que visava encerrar as hostilidades iniciadas após ataques a navios no Golfo. Mesmo com a recente libertação de um cidadão americano por Teerã, gesto elogiado por Trump,, os combates terrestres e aéreos continuam sem sinal de trégua.
Bloqueio naval e rotas globais
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) reativou o bloqueio naval a portos iranianos, mobilizando mais de 20 navios de guerra e centenas de aeronaves no Oriente Médio. O bloqueio restringe o trânsito de embarcações com destino ou origem no Irã, afetando o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Em resposta, o Irã realizou ataques com drones contra bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein, além de disparar mísseis interceptados pela Jordânia. Analistas alertam que o Irã pode coordenar ações com aliados houthis no Iêmen para fechar também a passagem de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, o que sufocaria duas das principais rotas de abastecimento energético do planeta.
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