17 de julho de 2026

J.D. Vance, o homem preocupado, por Felipe Bueno

Vance não “passou o pano” para Binyamin Netanyahu, deixando claro que a discordância de Israel batia de frente com os interesses dos EUA.
J.D. Vance em foto de Gage Skidmore/Flickr

J.D. Vance, vice dos EUA, criticou setores do governo israelense por resistir ao acordo EUA-Irã de junho.
Vance alertou Israel sobre dependência do financiamento militar americano, destacando a necessidade de defesa autônoma.
Eleições parlamentares em Israel em outubro de 2026 podem ser impactadas pelas tensões com os EUA, segundo Vance.

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J.D. Vance, o homem preocupado

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por Felipe Bueno

A semana termina em meio às incertezas geopolíticas de sempre, com o vai e vem de notícias envolvendo EUA, Irã e o Estreito de Ormuz, e Donald Trump mantendo sua posição de grande formador de opinião nesta nova ordem mundial.

Se Trump segue sendo o produto mais vistoso da vitrine, parte de seu séquito pode se sentir à vontade para procurar alguns eventuais holofotes. O atual vice-presidente, J.D. Vance, tido por muitos como um homem interessado e com potencial para ocupar o trono no futuro, aproveita seu espaço para ver em aliados históricos um problema. E não é pela primeira vez.

O comportamento do vice diante da resistência de setores do governo israelense ao memorando de entendimento estabelecido em junho entre EUA e Irã foi surpreendente pela sinceridade. Em português claro, Vance não “passou o pano” para Binyamin Netanyahu, deixando claro que a discordância de Israel batia de frente com os interesses dos EUA. Dias atrás, em entrevista a um podcast, foi mais claro e direto: disse que há setores do governo de Israel tentando influenciar a opinião pública americana porque têm interesse na manutenção das suas ações militares no Líbano.

Entrou para a história recente das declarações sinceras a advertência feita por Vance ao governo israelense para que “acordasse e sentisse o cheiro da realidade”, enfatizando que dois terços do arsenal de defesa de Israel são financiados pelos EUA, restando aos americanos o papel de “único aliado poderoso” do país.

Se num primeiro momento as declarações causam surpresas a progressistas e conservadores por razões distintas, um pouco de reflexão nos leva a pensar que, na verdade, Vance está sendo coerente com seu pensamento, ou pelo menos a parte dele que o levou até onde está: o pragmatismo, uma visão particular de patriotismo e o alinhamento ao movimento MAGA.

Em público, Vance já garantiu mais de uma vez estar ao lado de Israel em suas lutas, mas ao mesmo tempo defendeu que o país tenha defesa autônoma, um modo elegante de afirmar que o dinheiro dos Estados Unidos tem melhores destinações, pelo menos na visão dele.

Ao governo atual de Israel, resta avaliar os sinais vindos da América. O segundo semestre de 2026, com eleições parlamentares agendadas para outubro – ou até antes – promete grandes emoções.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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