5 de agosto de 2026

Copom reduz Selic para 14%, mas mantém cautela diante de inflação e incertezas

BC segue com ciclo de cortes, mas afirma que expectativas de inflação seguem desancoradas e que incertezas exigem manutenção de política restritiva
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Copom reduz taxa Selic de 14,25% para 14%, iniciando flexibilização monetária com cautela devido à inflação alta.
Atividade econômica mostra desaceleração gradual, mas mercado de trabalho segue aquecido e setores têm desempenho desigual.
Riscos para inflação permanecem altos, com atenção a expectativas desancoradas e fatores externos como petróleo e clima.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano.

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A decisão foi tomada por unanimidade pelos membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Apesar do início do movimento de flexibilização monetária, o colegiado reforçou que o cenário ainda exige cautela diante da inflação acima da meta, das expectativas desancoradas e das incertezas no ambiente doméstico e internacional.

A decisão ocorre em meio a sinais de moderação da atividade econômica. Segundo o Copom, os indicadores divulgados desde a última reunião apontam para uma desaceleração gradual da economia, embora o nível de atividade permaneça resiliente, com o mercado de trabalho ainda aquecido e desempenho desigual entre os setores.

Em comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central destacou que a inflação cheia apresentou desaceleração nas divulgações mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta.

Ao mesmo tempo, as medidas de inflação subjacente — que excluem efeitos temporários e ajudam a avaliar a tendência dos preços — recuaram para um patamar ligeiramente abaixo do teto estabelecido.

Segundo o Copom, a evolução das contas públicas continua sendo acompanhada por seus efeitos sobre as expectativas econômicas, o câmbio e as condições financeiras.

A avaliação reforça a posição adotada pelo BC nos últimos comunicados: alterações na percepção sobre a trajetória fiscal podem influenciar o comportamento da inflação e exigir ajustes na condução dos juros.

Expectativas seguem como principal preocupação

Um dos principais pontos de atenção do comunicado foi a persistência das expectativas de inflação acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Para o Banco Central, a manutenção de expectativas elevadas aumenta o custo do processo de desinflação, já que influencia decisões de preços, salários e contratos.

“O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação”, afirmou o Copom.

Mesmo com a desaceleração recente dos preços, o colegiado avaliou que os riscos para a inflação permanecem superiores ao habitual, com predominância de fatores de alta.

Entre os riscos apontados estão possíveis impactos do mercado internacional de petróleo, efeitos climáticos sobre a produção agrícola e custos de energia, maior resistência da inflação de serviços, pressões cambiais e eventuais estímulos à demanda que levem a economia a crescer acima de sua capacidade.

O Copom também listou riscos de queda da inflação, como uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica, uma piora do cenário global provocada por conflitos comerciais e redução dos preços das commodities.

De acordo com a pesquisa Focus, as projeções para a inflação permanecem em 5% para 2026 e 4,2% para 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte considerado relevante para a política monetária, o próprio Copom estima inflação de 3,2% no cenário de referência.

Juros começam a cair, mas seguem em patamar restritivo

Embora represente uma mudança de direção na política monetária, a redução da Selic para 14% mantém os juros brasileiros em nível elevado.

O Banco Central afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo da meta ao longo do horizonte relevante, mas destacou que a condução da política monetária continuará baseada em cautela.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, afirmou o colegiado.

Na prática, o início dos cortes sinaliza uma tentativa de equilibrar dois movimentos: conter a inflação ainda pressionada e evitar que o aperto monetário prolongado provoque uma desaceleração mais intensa da economia.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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