Os Estados Unidos ampliaram de forma significativa a pressão econômica e política sobre Cuba durante o governo de Donald Trump. Desde o ano passado, a administração norte-americana adotou cerca de duas dezenas de medidas contra a ilha, atingindo empresas, bancos, setores estratégicos e indivíduos, em uma estratégia que o secretário de Estado, Marco Rubio, promete manter até o fim do mandato.
Em entrevista ao site Axios, Rubio afirmou que o objetivo da política é eliminar as chamadas “válvulas de escape” que permitem ao governo cubano contornar as sanções. “Cada vez que eles criam um novo mecanismo para tentar sair do laço, nós simplesmente o fechamos”, disse.
A fala de Rubio mostra que os planos do governo norte-americano não se limitam apenas a punir determinados integrantes do governo cubano, mas restringir de forma progressiva as alternativas econômicas de Havana e dificultar o acesso da ilha a combustíveis, crédito, investimentos e parceiros comerciais.
Desde o início da nova ofensiva, os Estados Unidos sancionaram cerca de 40 entidades, entre empresas estrangeiras que operam em Cuba e conglomerados estatais dos setores de combustíveis, mineração e finanças. Ao menos 38 pessoas também foram alvo de sanções econômicas, restrições de vistos ou revogação de autorização de residência.
O governo Trump também começou a pressionar outros países a interromper acordos relacionados ao programa cubano de exportação de médicos, classificado pelo Departamento de Estado como uma forma de “tráfico humano”.
Mudança forçada do regime cubano
Paralelamente, o governo norte-americano ampliou acusações contra Havana relacionadas a direitos humanos, terrorismo, espionagem e supostas operações de influência política.
A ofensiva ocorre em um momento de forte deterioração da economia cubana. A ilha enfrenta escassez de combustíveis, medicamentos e alimentos, além de sucessivas dificuldades no sistema elétrico.
Um dos golpes mais expressivos contra o governo cubano veio da piora de sua relação com a Venezuela. O país sul-americano chegou a fornecer até 100 mil barris de petróleo por dia à ilha, além de funcionar como importante fonte de receitas e apoio político.
Segundo Rubio, Cuba perdeu assim duas condições que historicamente ajudaram a sustentar o governo: um patrocinador externo e a menor prioridade que Washington havia dado à ilha em determinados períodos.
A estratégia de Rubio vai além da tentativa de provocar mudanças econômicas. O secretário de Estado associa explicitamente a pressão a uma possível transformação política em Cuba.
O governo Trump também mantém contatos com setores da elite política cubana e busca identificar possíveis interlocutores para uma eventual transição. A administração, segundo a reportagem, tenta formar uma coalizão favorável a reformas dentro do próprio sistema cubano.
Os Estados Unidos ainda não descartaram a possibilidade de ação militar, embora a atual ofensiva esteja concentrada principalmente em instrumentos econômicos e diplomáticos.
A pressão começa a produzir uma situação paradoxal. Enquanto empresas estrangeiras se afastam de Cuba diante do risco de serem atingidas pelas sanções norte-americanas, companhias dos próprios Estados Unidos ampliam sua participação em determinados segmentos, principalmente no fornecimento de combustíveis.
Dados citados pelo Axios mostram que as exportações norte-americanas de combustíveis para Cuba somaram US$ 96 milhões nos primeiros seis meses do ano, mais da metade desse valor concentrada apenas em junho.
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