do Vermelho
Lula chama Rubio de “bolsonarista” e “latino-americano frustrado”
por Cezar Xavier
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou nesta sexta-feira (7) o tom das críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao classificá-lo como “bolsonarista”, “anti-latino-americano” e “latino-americano frustrado”. A declaração ocorreu durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), em meio ao agravamento das tensões comerciais e diplomáticas entre Brasília e Washington.
“Agora ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Ele não gosta do Brasil”, afirmou Lula. Em seguida, acrescentou que o secretário “é um latino-americano frustrado” e que “odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil”.
A ofensiva verbal ocorre depois da ampliação das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e da revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, enquanto oferece greencard aos Bolsonaros. O episódio evidencia que a disputa deixou de ser exclusivamente comercial e passou a envolver também divergências políticas e diplomáticas.
Exemplo didático de defesa da soberania
A estratégia combina confronto político com a tentativa de preservar a negociação institucional. Ao mirar Rubio, Lula critica o que considera uma linha hostil ao Brasil, mas mantém a disposição de conversar diretamente com Trump sobre tarifas, relações bilaterais e temas internacionais.
Nesse cenário, a crise entre Brasil e Estados Unidos ganha uma dimensão mais ampla: além da disputa por acesso a mercados, envolve diferentes visões sobre soberania, política externa, meio ambiente e a própria relação de Washington com a política brasileira.
Lula contrapõe Rubio a Trump
Ao relembrar seu encontro com Donald Trump na Casa Branca, Lula afirmou que apresentou documentos sobre a balança comercial brasileira e outros temas de interesse dos dois países. Segundo o presidente, o governo brasileiro tentou manter o diálogo posteriormente, mas não recebeu a resposta esperada.
“E aí, fiquei esperando, não teve telefonema, mas veio pela imprensa um tarifaço”, disse.
A crítica de Lula sugere uma tentativa de separar as decisões do próprio Trump da atuação de integrantes de seu governo. O presidente brasileiro afirmou que Rubio adota posições diferentes das conversas mantidas diretamente com o presidente norte-americano.
Rubio, por sua vez, já criticou publicamente o governo Lula, afirmando que suas políticas econômicas seriam prejudiciais aos americanos e brasileiros e sugerindo que o presidente não quer chegar a um possível acordo. No entanto, ele ignora a balança altamente favorável aos EUA e a disposição permanente da diplomacia brasileira, como tem feito com muitos outros países aliados.
Desmatamento entra no centro da disputa
A visita ao Inpe também serviu para Lula contestar os argumentos ambientais utilizados por Washington para justificar parte das medidas comerciais. O presidente destacou os dados de redução do desmatamento e afirmou que pretende encaminhá-los a Trump, que frequentemente acusa sem evidências o Brasil de crimes ambientais, trabalhos forçados e negligência com o narcotráfico.
Lula chegou a pedir uma fotografia dos gráficos apresentados pelo Inpe para enviá-la ao presidente norte-americano. A iniciativa busca contrapor, com dados produzidos pelo sistema brasileiro de monitoramento ambiental, a narrativa de que o Brasil não estaria adotando medidas suficientes de proteção climática.
O presidente também lembrou que Trump já fez declarações céticas sobre mudanças climáticas. Para Lula, portanto, a utilização da pauta ambiental como justificativa para pressionar comercialmente o Brasil apresenta uma contradição.
Tentativa de preservar diálogo com Trump
Apesar da escalada retórica contra Rubio, Lula indicou que pretende manter aberto o canal direto com Trump. Em encontro com parlamentares do PSOL e da Rede, no Palácio da Alvorada, afirmou que buscará conversar com o presidente norte-americano na próxima semana.
Segundo relatos de participantes, Lula também mencionou conversas recentes com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia, indicando que pretende falar com Trump sobre o conflito.
Fábio de Oliveira Ribeiro
8 de agosto de 2026 10:51 amLula faz bem em provocar Marco Rubio, pois ele é o elo mais fraco no governo Donald Trump. Mais fraco e com o rabo amarrado nos familiares dele que comandam o tráfico de drogas em Miami.