5 de junho de 2026

Prefeitura de Petrópolis tomba “Casa da Morte”

O decreto de preservação considera valor histórico do local como símbolo de violação dos Direitos Humanos durante ditadura militar no Brasil 
 
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Reprodução
 
Jornal GGN – A Prefeitura de Petrópolis publicou no Diário Oficial da última quinta-feira (13) o Decreto nº 613 instituindo o tombamento do sobrado localizado na Rua Arthur Barbosa, nº 50, Quarteirão Suíço, e que ficou conhecido como a “Casa da Morte”.
 
Durante o período de repressão da ditadura militar no Brasil, o sobrado se tornou um centro clandestino de torturas e assassinatos liderados por agentes do próprio governo. A única sobrevivente da casa foi Inês Etienne Romeu. O depoimento da ex-militante, falecida em abril de 2015, foi fundamental para recompor os fatos históricos envolvendo a casa e o modo de operação dos militares de dentro do edifício, durante a década de 70.
 
A Prefeitura de Petrópolis, cita o processo de Inês Etienne contra o Estado Brasileiro como um dos fatores para o tombamento, assim como o valor histórico envolvendo o imóvel, ainda em se tratando de um “local simbólico de violação dos Direitos Humanos durante o período da Ditadura Civil-Militar”.
 
O município pontuou também a importância do tombamento como resposta ao Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) que aborda, na Diretriz 24, a “necessidade de preservação da memória histórica e a construção pública da verdade, através de identificação e divulgação pública das estruturas, locais, instituições e as circunstâncias relacionadas à prática de violações de direitos humanos”.
 
“Art. 1º – Fica homologada a Resolução Deliberativa nº 02/2018 do Conselho Municipal de Tombamento Histórico Cultural e Artístico, de 21 de novembro de 2018, efetivando-se o tombamento do imóvel conhecido como “Casa da Morte” (…), passando a ser considerado um bem histórico da Cidade de Petrópolis”, assinou o prefeito Bernardo Rossi. 
 
Com o tombamento, qualquer projeto ou intervenção no imóvel deverá ser previamente analisado pelo Conselho Municipal de Tombamento Histórico, Cultural e Artístico da cidade para evitar qualquer descaracterização da casa. 
 
Até hoje o número de mortos dentro da casa é desconhecido, mas estima-se que cerca de 22 guerrilheiros ligados à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) tenham sido torturados e mortos ali. 
 
 
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3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    17 de dezembro de 2018 12:03 am

    Etienne e Battisti
    Etienne e Battisti, entre outros revoluciinários, viverão eternamente nos corações e mentes das pessoas de boa vontade. Seus carrascos serão lembrados pelas suas infâmias.

  2. rdmaestri

    17 de dezembro de 2018 3:18 am

    Para mim isto é um tombamento meio mórbido.

    O mais lógico seria derrubar a casa e construir um memorial.

  3. antonio francisco

    17 de dezembro de 2018 7:45 am

    Tombo, tombar

    No Brasil, prédios tombados e museus têm sido destruídos. Para eles tem sido adequada a palavra “tombo”  e o verbo “tombar”  tal como são entendidos pela população em geral.

    São necessárias duas providências para mudar isto: por parte das autoridades, cuidar efetivamente da conservação dos bens “tombados”. E por parte de não-sei-quem, sugerir a troca das palavras tombo e tombar utilizadas nesses casos por palavra e verbo que mostrem efetivamente o empenho em conservar o bem de valor histórico.

      

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