30 de agosto de 2026

Brasil integra estudo internacional sobre hepatite B

A iniciativa é coordenada pela Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e reúne também equipes da Índia, do Senegal e de Uganda
Crédito: Divulgação

Dois centros de pesquisa brasileiros — o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, ligado à Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP) — passaram a fazer parte de um projeto científico internacional dedicado a entender melhor a hepatite B e explorar caminhos para tratá-la ou até curá-la.

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A iniciativa é coordenada pela Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e reúne também equipes da Índia, do Senegal e de Uganda. O trabalho consiste em analisar, em nível celular, como o vírus se comporta em pacientes de diferentes regiões do mundo e como o sistema imunológico de cada um reage à infecção — incluindo casos de coinfecção com HIV.

Segundo Tânia Reuter, professora do Hucam-Ufes e uma das responsáveis pela pesquisa no país, a hepatite B ainda não tem cura, e esse é justamente o principal objetivo do consórcio. Ela lembra que a meta imediata é reduzir a doença a ponto de deixar de representar um problema de saúde pública até 2030.

O projeto nasceu em 2023, mas passou por uma pausa em 2024 antes de ser retomado em 2025. No Brasil, as atividades começaram neste ano e devem se estender por cerca de cinco anos, combinando pesquisa básica com acompanhamento clínico direto dos pacientes.

Ao todo, o estudo pretende acompanhar 600 pessoas — com hepatite B isolada ou associada ao HIV — por um período médio de quatro anos e meio cada. Cada um dos quatro países vai contribuir com 150 participantes; no Brasil, 75 deles ficarão sob responsabilidade da equipe de Reuter. Os recrutamentos começaram em julho, já somam 40 voluntários, e a expectativa é fechar o grupo completo até o fim do ano, dentro do prazo estipulado (meados de 2027).

Entre as perguntas que os cientistas querem responder estão: por que o vírus evolui de forma diferente em cada paciente, quais fatores genéticos ajudam a conter essa evolução e que componentes do vírus poderiam servir como sinalizadores de cura ou resposta a tratamento. Reuter destaca que as descobertas podem abrir caminho para novos medicamentos, incluindo imunoestimulantes e imunomoduladores, além de ajudar a evitar complicações graves como cirrose e câncer de fígado — uma das doenças mais associadas à infecção crônica pelo vírus.

Sobre a hepatite B

Trata-se de uma infecção viral que afeta o fígado, muitas vezes sem sintomas aparentes, mas capaz de evoluir para cirrose, câncer hepático e morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 240 milhões de pessoas conviviam com a forma crônica da doença em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou aproximadamente 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.

O vírus pode ser transmitido por via sexual, por contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto. Estimativas da Sociedade Brasileira de Clínica Médica apontam que ele é cem vezes mais contagioso que o HIV.

Como parte das metas globais de eliminar as hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis até 2030, a OMS informou, em relatório divulgado em julho, que os novos casos de hepatites virais caíram 32% no mundo desde 2015 — resultado atribuído principalmente ao avanço da vacinação infantil, que já cobre 84% das crianças.

Como se prevenir

A vacina continua sendo a principal ferramenta de prevenção e está disponível gratuitamente pelo SUS para qualquer pessoa não imunizada, sem limite de idade. Crianças devem receber quatro doses (ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses), enquanto adultos completam o esquema com três aplicações. O uso de preservativo em todas as relações sexuais e a não partilha de objetos cortantes ou de higiene pessoal também ajudam a reduzir o risco de contágio.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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