4 de setembro de 2026

Sindicatos pressionam Senado por votação da PEC do fim da escala 6×1 antes das eleições

Centrais sindicais planejam mobilizações nos estados, ações nas redes sociais e protestos para tentar antecipar a análise da proposta
Foto: CUT

Centrais sindicais vão pressionar senadores para votar PEC que reduz jornada para 40h e acaba com escala 6×1 antes de eleições.
Sindicalistas criticam adiamento da votação no Senado, previsto para depois do primeiro turno das eleições de 2026.
Empresários pedem mais tempo para avaliar impactos da PEC, enquanto trabalhadores intensificam mobilização nas ruas e redes.

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As principais centrais sindicais do país decidiram ampliar a pressão sobre o Senado para tentar garantir a votação, ainda antes do primeiro turno das eleições de 2026, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário.

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A estratégia foi definida nesta sexta-feira (4), durante reunião do Fórum das Centrais Sindicais, que reúne seis das principais entidades de trabalhadores do país. O encontro ocorreu depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou que a votação da proposta deverá ficar para depois das eleições.

A mobilização deve começar neste fim de semana. As centrais pretendem pressionar senadores em seus respectivos estados, ampliar a distribuição de panfletos em centros comerciais e reforçar a campanha nas redes sociais. Também está prevista a organização de novos atos de rua em defesa da mudança na jornada.

Os sindicalistas ainda pretendem solicitar uma reunião com Alcolumbre para defender a votação da PEC 221/2019 antes do primeiro turno e identificar publicamente os parlamentares contrários à redução da jornada de trabalho.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que a pressão nos estados pode fazer os senadores reconsiderarem o adiamento. Para ele, os parlamentares precisarão explicar suas posições aos eleitores durante a campanha.

“Se os senadores forem cobrados nos estados, eles vão querer resolver essa situação. Eles vão ter que responder isso nas ruas. Vamos colocar o povo para cobrar. Vai pedir voto? Cadê a 6×1 primeiro?”, disse à Agência Brasil.

Nobre também criticou a decisão de deixar a votação para depois das eleições. Na avaliação dele, setores empresariais e parlamentares da oposição defendem o adiamento para reduzir a pressão eleitoral sobre os senadores.

Centrais criticam adiamento

A expectativa inicial era de que a PEC fosse encaminhada ao plenário do Senado logo após sua aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta-feira (2). A decisão de postergar a votação provocou reação entre as entidades sindicais.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, classificou o adiamento como uma “surpresa negativa” e afirmou que a medida pode colocar em risco o avanço da proposta.

Segundo Torres, pesquisas indicam que mais de 70% da população brasileira é favorável à PEC. Para ele, deixar a votação para depois das eleições pode fazer com que a discussão retorne ao ponto de partida.

Paulo de Oliveira, diretor da executiva da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), também criticou a decisão. Na avaliação dele, os trabalhadores podem ser prejudicados caso os parlamentares deixem de considerar a opinião do eleitorado sobre o tema.

“Nos parece desleal com os trabalhadores que vão votar na eleição. Como passou o primeiro turno, não há mais preocupação com os votos e aí eles podem atender outros interesses que não os da grande massa da população”, afirmou à Agência Brasil.

Já o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, destacou que a redução da jornada para 40 horas é uma reivindicação histórica do movimento sindical. Ele também avaliou positivamente a aprovação da PEC na CCJ, onde apenas quatro senadores votaram contra a proposta.

“Tivemos uma vitória extraordinária na CCJ, onde apenas quatro senadores foram contrários e todos eles não vão disputar eleição agora. Temos a expectativa de falar com Alcolumbre e resolver isso”, disse.

Dois dias de descanso

A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado. Na prática, a mudança elimina a atual escala 6×1, em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso.

As centrais sindicais defendem que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, favorecer a saúde mental e ampliar o tempo disponível para convivência familiar, lazer e outras atividades.

Os sindicatos também argumentam que os impactos econômicos da redução podem ser absorvidos pelas empresas. Como exemplo, citam a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais estabelecida pela Constituição de 1988.

Setor empresarial

As entidades patronais, por outro lado, se posicionam contra a PEC. As confederações empresariais afirmam que a redução da jornada pode elevar os custos das empresas e provocar impactos sobre o emprego e a atividade econômica.

Estudos sobre os efeitos da mudança divergem quanto às possíveis consequências para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) defende que a votação seja realizada somente depois das eleições. Para a entidade, uma alteração constitucional nas relações de trabalho exige análise técnica, diálogo e previsibilidade e não deveria ser conduzida sob influência do calendário eleitoral.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a discussão precisa considerar os possíveis efeitos da mudança sobre empresas, empregos e trabalhadores.

Enquanto o setor empresarial defende mais tempo para avaliar os impactos da proposta, as centrais sindicais querem acelerar sua tramitação. Com a mobilização nos estados, nas redes sociais e nas ruas, os trabalhadores pretendem pressionar os senadores a votar a PEC antes do primeiro turno das eleições.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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