A dois dias da votação do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a bancada do PP articula manobras regimentais para alterar os rumos do texto. A líder do partido no Senado, Tereza Cristina (MS), apresentou nesta segunda-feira (31) um requerimento para que a proposta passe a tramitar em conjunto com uma PEC apresentada em maio pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que institui o regime de contratação por hora trabalhada.
A medida ocorre na iminência da análise da PEC do fim da 6×1, pautada como primeiro item da sessão da CCJ desta quarta-feira (2), às 9h. O texto conta com relatório favorável do senador Omar Aziz (PSD-AM), que manteve a versão aprovada na Câmara dos Deputados. O parecer reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso semanal remunerado e veda qualquer redução salarial.
Caso a apensação seja deferida, o regimento do Senado exige a unificação dos relatórios das duas propostas, o que pode paralisar o andamento da matéria já pronta para votação. Além do requerimento de Tereza Cristina, pedidos idênticos foram formulados pelos senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS) e pelo próprio autor do texto alternativo, Rogério Marinho. Todos aguardam despacho da Mesa Directora.
Ao defender a tramitação conjunta, Tereza Cristina alegou a necessidade de balancear a proteção social com a competitividade econômica. Na justificativa do requerimento, a senadora argumenta que as propostas tratam do mesmo tema e que a discussão precisa levar em consideração não apenas a proteção aos trabalhadores, mas também os custos de produção e a manutenção dos empregos. Para a senadora, a tramitação conjunta permitiria analisar diferentes alternativas para a organização da jornada.
A proposta de Marinho subscrita por nomes do PP, como Ciro Nogueira (PI) e Esperidião Amin (SC), permite que empregado e empregador pactuem jornada e salário proporcionais às horas efetivamente trabalhadas, garantindo férias, 13º salário e FGTS de forma fracionada. Apelidado por opositores de “escala 7×0”, o projeto autoriza que negociações individuais prevaleçam sobre acordos coletivos, abrindo margem para a distribuição do trabalho por todos os dias da semana.
A ofensiva da bancada no Senado contrasta com o posicionamento adotado pela legenda na Câmara dos Deputados. Em maio, a Federação União Progressista (PP-União Brasil) orientou voto favorável à medida, sob a alegação de defender mais descanso e melhores condições de trabalho para a categoria.
Encaminhada ao Senado ao final de maio e distribuída à CCJ em agosto, a matéria acumula 24 emendas apresentadas por senadores desde a entrega do parecer de Aziz, na última quinta-feira (27). A manutenção da pauta de quarta-feira dependerá da decisão sobre os pedidos de apensação, que determinam se o plenário da comissão votará a redução da jornada laboral ou se abrirá margem para a flexibilização do modelo de contratualização do trabalho.
Com informações do ICL Notícias
ed.
1 de setembro de 2026 3:53 pmO FIM DA ESCALA 6X1 PARA 5X2 (que deveria ser o nome apropriado dado a mudança)
FARSA 1: O “fechamento das empresas nos fins de semana”:
Hoje há empresas que têm expediente aos sábados, domingos e feriados, mediante p.ex. o pagamento de horas extras. Isto pode ser mantido, apenas com a adição de 4 horas nas já pagas nos fins de semana (ex: 12 para 16h). Simplificadamente, hoje temos num mês redondo de 30 dias, 192h de trabalho (22 dias de semana de 8h + 4 dias de 4h aos sábados). Isto cairia para 176 horas ou uma perda mensal de disponibilidade de 16 horas (8,33…%) ao MESMO SALÁRIO e “PRODUTIVIDADE”!
FARSA 2: A “liberdade para o trabalhador escolher”:
Ora, além da farsesca “liberdade de negociação” entre empresas e trabalhadores (ou leões e cervos, lobos e ovelhas), hoje esta liberdade do trabalhador “negociar” como ou quantas horas quer trabalhar já existe na teoria. Ou uma empresa está proibida de contratar um trabalhador numa escala 4×3, 12x26h ou outra qualquer? O que se está propondo são meros limites de exploração e dignidade..
FARSA 3: A “inflação catastrófica:
Um estudo cretino da FIESP argumenta um aumento inflacionário de até 20%, onde eles adicionam um farsesco custo de mais 1 dia de descanso semanal. Ora, além da proposta manter o mesmo valor de salário (custo nominal não aumenta), a 6×1 já teria hoje “meio dia” (4h do sábado) de “descanso semanal, o que “já daria hoje um hipotético “dia e meio” de descanso semanal.
Vejamos alguns cálculos que ainda não tivemos nesta discussão farta de afirmações genéricas:
O percentual geral do custo de pessoal no CUSTO total dos produtos e serviços varia tipicamente entre 15% e 75%. Se falarmos no PREÇO final, que além dos impostos inclui lucro, este percentual é ainda MENOR, e vai depender da margem praticada.
De 44 h para 40 h, a redução é de ~10% (9,9999…%, usaremos 10).
A proposta mantém o mesmo salário, portanto o custo nominal não se altera, mas sim o que chamaremos de perda de disponibilidade do trabalhador (“PD”). Não chamarei de produtividade porque ela é subjetiva e não matemática, podendo até melhorar. Daí:
10% de 75% seria 7,5% de perda (PD)
10% de 15% seria 1,5% de perda (PD)
Se considerarmos que apenas 33,3%, 1/3, *MTE) dos trabalhadores no Brasil ainda estão na escala 6×1, em termos nacionais o impacto deste aumento seria menor ainda (0,333 x 1,5 a 7,5 =~ 0,5 a ~2,5%).
Se considerarmos que PARTE dos “patrões” venha a pagar esta diferença em hora extra (+4 h por fim de semana) ao dobro (100%), o custo setorial seria de 1% a 5%. Na verdade um tanto menor, pois estamos falando de custo e não de preço final, que é o que impactaria a inflação.
Uma outra forma simples de cálculo seria simplesmente acrescentar 16 horas extras às de hoje ou 16/192 = 8,333…%) de custo salarial nominal. Mais uma vez, como este custo é um percentual do custo geral, menor ainda do preço final (que inclui o lucro), este custo nominal será reduzido a um percentual de ~6% apenas NESTES PIORES CASOS, sem afetar 1 tostão no bolso ou disponibilidade de empresários. Sem falar na possibilidade de compensação de folgas.
Se considerássemos (ahahah!) que os empresários e patrões braZileiros fossem menos gananciosos, tirando isso ou parte disso da sua margem de lucro, o impacto poderia ser zero ou próximo dele. Fora que tudo pode ser gradual. Ex. 1h a cada 3 meses, chegando às 4 h semanais em 1 ano.
Enfim, pode-se intuir que a inflação de preços ficará setorialmente entre ~1% e ~6%, podendo-se projetar algo com ~3,5% médios como uma previsão razoável.
O resto é a síndrome de “Casa Grande e Senzala” que ainda assola este RICO PAÍS de POBRE POVO onde dentre ~ 198 países, uma das últimas e piores concentrações de renda do planeta.
ed.
1 de setembro de 2026 4:26 pmNo comentário sobre a escala 5×2, considerei extremos exagerados de custos. Algumas consultas falam em 15 a 20% na indústria, percentuais semelhantes no comércio e 30 a 50% em prestação de serviços (intensivo em mão de obra), levando a uma indicação máxima saudável de custo percentual de pessoal sobre o faturamento de 25 a 30% o que reduz ainda mais o efeitos da 5×2 sobre os preços.
Uma boa aposta seria algo em torno de 2%.