23 de setembro de 2026

Argentina perde 31 mil empresas sob Milei, aponta Fundar

País tinha 512,3 mil empresas em novembro de 2023 e chegou a 481 mil em junho; queda é a maior nos primeiros 31 meses de um governo
Gage Skidmore - Flickr

Argentina perdeu 31.342 empresas entre nov/2023 e jun/2026, queda de 6,1% no total de empresas formais com empregados.
Setores como transporte (-17,51%), construção (-9,5%) e indústria (-13,81%) registraram as maiores quedas no período.
Redução atinge 23 das 24 províncias; única exceção é Neuquén, que cresceu 1,4% desde nov/2023.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Argentina perdeu 31.342 empresas entre novembro de 2023, mês anterior à posse de Javier Milei, e junho de 2026, segundo o Monitor Mensal de Empresas elaborado pelo centro de estudos Fundar.

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A redução corresponde a 6,1% do total de empresas existentes no início do governo e, de acordo com a instituição, representa a maior queda registrada nos primeiros 31 meses de uma gestão presidencial na série analisada – o estoque de empresas argentino acumula 17 meses consecutivos de queda mensal e 28 meses de retração na comparação interanual, segundo o monitor de junho.

O número de empresas passou de 512.357 em novembro de 2023 para 481.015 em junho deste ano. Somente entre maio e junho, foram 709 empresas a menos, uma redução de 0,15%. Na comparação com junho de 2025, a queda foi de 16.386 empresas, ou 3,3%.

O levantamento utiliza dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) e considera como empresa toda pessoa física ou jurídica que tenha pelo menos um trabalhador registrado em relação de dependência, excluindo o trabalho doméstico. O indicador, portanto, retrata a evolução do universo empresarial formal com empregados, e não o conjunto de todos os negócios existentes na economia argentina.

Queda atinge indústria, construção e transporte

A deterioração do tecido empresarial argentino não está concentrada em uma única atividade. Segundo o Fundar, 14 dos 18 setores analisados registraram queda no número de empresas desde a chegada de Milei ao governo.

Entre os segmentos mais afetados estão transporte e armazenamento, que perdeu 17,51% das empresas desde novembro de 2023; atividades imobiliárias, com retração de 13,99%; e construção, que recuou 9,50%. A indústria manufatureira também apresentou queda expressiva, acumulando retração de 13,81% no período.

Na comparação interanual, 14 dos 18 setores também apresentaram redução. Em junho, os segmentos de alojamento e gastronomia, transporte e armazenamento e indústria manufatureira estiveram entre os que mais perderam empresas no mês.

Há, entretanto, setores que avançaram. Serviços administrativos, associações e serviços pessoais, eletricidade e gás e saúde registraram crescimento na comparação anual. A mineração também apresentou expansão marginal no mês, mostrando que a retração não é uniforme em toda a economia.

O recuo empresarial também aparece territorialmente. Em junho, 17 das 24 províncias argentinas apresentaram redução no número de empresas em relação a maio. Na comparação anual, 23 das 24 províncias registraram queda — a única exceção foi Neuquén, com alta de 0,21%.

Desde novembro de 2023, somente Neuquén apresentou crescimento no número de empresas, de 1,4%. La Rioja, Catamarca e Tierra del Fuego tiveram as maiores retrações, de 19,7%, 14,7% e 13,9%, respectivamente.

A redução do número de empresas ocorre em paralelo a uma transformação profunda da economia argentina promovida pelo governo Milei, marcada por forte ajuste fiscal, redução de gastos públicos, mudanças regulatórias e maior abertura econômica.

A interpretação sobre as causas do fenômeno, porém, não é consensual. O Fundar associa a retração empresarial a fatores como a redução do consumo e as dificuldades enfrentadas por diferentes setores produtivos. O governo argentino, por outro lado, sustenta que o processo faz parte da reorganização de uma economia que acumulava desequilíbrios e distorções.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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