O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deverá enviar ao governo brasileiro um documento com as demandas americanas para a negociação das tarifas impostas ao Brasil. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, o material deverá detalhar as exigências dos EUA em relação a setores específicos, incluindo questões tarifárias e não tarifárias.
Em entrevista ao UOL, Elias Rosa afirmou que Greer não estabeleceu um prazo exato para o envio do documento, mas indicou que o processo deve levar de três a quatro semanas, provavelmente até o início de novembro.
“Greer me disse: ‘esse é meu dever de casa’, fazer esse documento de referência para a gente poder trabalhar a partir daí”, relatou o ministro.
A declaração ocorreu após uma reunião entre Elias Rosa, Greer e o chanceler Mauro Vieira, realizada na quarta-feira (30), à margem da reunião ministerial do G20, em Milwaukee, nos Estados Unidos.
Foi o primeiro encontro presencial bilateral de alto nível entre os governos brasileiro e americano desde o anúncio, em julho, de uma tarifa adicional de 37,5% sobre produtos brasileiros. A medida afeta cerca de 20% das mercadorias brasileiras exportadas aos Estados Unidos, com impactos principalmente sobre setores como têxteis, calçados e móveis de madeira.
Segundo o ministro brasileiro, Greer demonstrou disposição para tentar avançar em um acordo comercial até dezembro. Elias Rosa reconheceu, porém, que o prazo é curto diante da abrangência das negociações.
“Foi a reunião mais positiva que tivemos”, afirmou.
Apesar da sinalização de avanço, Greer não concordou com o pedido brasileiro para suspender a cobrança das tarifas durante o período de negociação. O representante comercial americano e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) não fizeram comentários públicos sobre o encontro.
Brasil quer delimitar exigências americanas
Para os negociadores brasileiros, a elaboração do documento é importante porque permitirá estabelecer previamente os principais pontos que serão discutidos. A expectativa é que o texto indique setores envolvidos, tarifas, condições de exportação, competitividade e acesso a mercados.
O governo brasileiro avalia que a definição dessas questões ajudaria a evitar que novas exigências sejam apresentadas sucessivamente durante as negociações. Segundo interlocutores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reclamado que os Estados Unidos apresentam demandas em sequência e acabam obtendo concessões sem estabelecer previamente os limites da negociação.
Entre os temas que o Brasil espera encontrar no documento estão questões relacionadas à regulamentação das grandes empresas de tecnologia e à facilitação do comércio de produtos industriais, eletroeletrônicos e químicos.
O etanol também deverá fazer parte das discussões. Outro assunto que deve entrar na pauta é o interesse dos Estados Unidos na exploração e no refino das reservas brasileiras de terras-raras.
A reunião ocorreu poucos dias antes da eleição presidencial brasileira. O texto original também destaca que setores do governo do presidente Donald Trump já manifestaram preferência pelo senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa, segundo as informações apresentadas na reportagem.
*Com informações do UOL.
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