Cerca de 400 soldados dos Estados Unidos, Argentina, Chile e Peru concluíram um treinamento militar inédito na região de San Martín, na Amazônia peruana. Realizado entre os dias 7 e 18 de setembro, o exercício Southern Vanguard 2026 teve como objetivo preparar tropas para combates em densa floresta e consolidar a cooperação bélica entre nações alinhadas a governos de extrema-direita.
As imagens do treinamento foram divulgadas oficialmente pelo Departamento de Guerra dos EUA apenas dias após o término das operações. Segundo informações reveladas pelo colunista Jamil Chade, do ICL Notícias, o comunicado emitido pelas autoridades norte-americanas acendeu alertas diplomáticos na região ao enfatizar a preparação para a defesa do “Hemisfério Ocidental“.
Nova estratégia militar
O termo reflete a redefinição de segurança nacional implementada por Washington no final de 2025, que colocou a América Latina como prioridade de militarização. O alinhamento das quatro nações participantes ocorre sob o guarda-chuva do “Escudo das Américas“, iniciativa promovida pela administração de Donald Trump para expandir a presença militar dos EUA e reativar os preceitos da Doutrina Monroe.
Durante o exercício, as tropas realizaram simulações operacionais no terreno amazônico. Em publicação nas redes sociais, o Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) destacou que o foco principal foi o fortalecimento da interoperabilidade tática, afirmando que os soldados treinaram para estar preparados para “fight and win in the jungle”, ou seja “lutar e vencer na selva“.
De acordo com a narrativa das forças americanas, a preparação visa responder a eventuais crises regionais. O Pentágono informou, em nota, que a atividade “oferece às nações aliadas a oportunidade de desenvolver e aprimorar a interoperabilidade e a prontidão por meio de operações combinadas que simulam contingências reais no terreno complexo e desafiador da Selva Amazônica“. O órgão complementou apontando que “a edição deste ano é um marco significativo na cooperação militar regional, na interoperabilidade e na prontidão mútua, com o Peru sediando o evento pela primeira vez“.
Expansão diplomática e doutrina
Diplomatas que acompanham a movimentação no continente apontam que o tom empregado nas comunicações oficiais coincide com diretrizes recentes do governo americano para exercer maior controle sobre ativos estratégicos e infraestruturas críticas no continente.
O movimento reflete declarações feitas por autoridades de Washington ao Legislativo americano. Em audiência em um subcomitê do Congresso dos EUA realizada em 17 de março, o vice-secretário do Departamento de Guerra dos EUA, Joseph Humire, já havia detalhado o alcance dos acordos bilaterais firmados na região.
“Desde novembro de 2025, o Departamento de Guerra obteve compromissos bilaterais da Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, expressando nossa intenção compartilhada de cooperar em relação à segurança de fronteiras, ao combate ao narcoterrorismo e à proteção de infraestruturas e ativos críticos contra o controle maligno”, disse.
Na mesma ocasião, o Secretário Adjunto enfatizou a visão de segurança integrada adotada pela atual gestão dos EUA sobre o continente americano. “Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só”, disse. “Em todos os domínios, o Departamento de Guerra está pronto para garantir a defesa de nossa nação, operando com base no princípio da paz através da força. Nossas ações demonstram uma clara determinação em proteger os interesses americanos e fazer cumprir a aplicação moderna do “Corolário Trump” da Estratégia de Segurança Nacional à Doutrina Monroe”, completou.
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