2 de outubro de 2026

A devastação causada pelo bolsonarismo e a grande mídia, por Eduardo Ramos

O bolsonarismo enquanto movimento político e social nada tem de “normal”. É incivilizado na origem, é violento, é selvagem, é autoritário.
8 de janeiro de 2023 - Foto de Joedson Alves - Agência Brasil

Post de Eliara Santana denuncia escândalos de Flávio Bolsonaro e questiona normalização da candidatura pela grande mídia.
Autor critica blindagem midiática a Flávio Bolsonaro apesar de evidências de crimes e destaca impactos do bolsonarismo no Brasil.
Apelo para união contra bolsonarismo e mídia, e esperança na vitória de Lula para investir em educação e superar polarização.

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A devastação causada pelo bolsonarismo e a grande mídia

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por Eduardo Ramos

Li um post no Instagram da Eliara Santana, em que ela faz um dos comentários que nos assombram a todos: “não é possível que a grande mídia siga tratando a candidatura de Flávio Bolsonaro como se ela fosse normal…”

E, logo a seguir expõe uma reportagem do Estadão que comprova mais um escândalo de Flávio Bolsonaro com o crime organizado, o que nos faz interpretar a questão (uma pergunta perplexa, talvez?) da articulista em seu post.

Afinal, como é possível a grande mídia tratar como absolutamente normal uma candidatura que é apodrecida, acanalhada, vexaminosa para o nosso país, em sua origem???

Se pensamos a fúria com que a mídia tratou as ilações sobre Lulinha, com prova zero, sigilo bancário escancarado, nada encontrado de suspeito, e comparamos com Flávio Bolsonaro e suas viagens para safáris na África com figuras do crime organizado, Flávio Bolsonaro e sua fala: “irmão, estarei sempre contigo” – dita a Vorcaro, Flávio Bolsonaro e o pedido de CENTO E TRINTA E QUATRO MILHÕES DE REAIS, assim, como se fosse uma “merreca” de quinhentos mil ou um milhão, quantia considerada meio ridícula nesse meio criminoso, é de fato desesperador tentarmos compreender a blindagem concedida a Flávio Bolsonaro pela grande mídia brasileira.

É como se o fato dele só estar com sua candidatura validada diante de indícios tão cristalinos e concretos de crimes cometidos por toda a sua vida, não fosse, por si só, uma anomalia, um evento cínico, que humilha o Brasil aos olhos do mundo, ou seja, “é como se fosse normal” o sujeito ter escapado incólume das rachadinhas, da mansão em Brasília, do achaque à mansão do jogador Richarlison em Angra dos Reis, é, enfim, como se nada, absolutamente nada fosse descaradamente suspeito na vida de Flávio Bolsonaro.

Mas a coisa é pior! Tratam como normal a possibilidade dele vencer a eleição… dedicam quatrocentas horas às fantasias sobre Lulinha, 30, 40, 50 dias seguidos, e comentam por alto, num tom jornalístico morno, insosso, tudo o que paira sobre Flávio Bolsonaro. Deve ser porque essa é a natureza deles, apodrecida, preconceituosa, banhada em ódios diversos contra Lula e o PT, como diria o escorpião da fábula em que mata o sapo que o carrega nas costas dentro de um rio.

Não há hipótese desses barões da mídia não saberem que a devastação, o horror, serão absolutos em todos os sentidos.

Bolsonaro anistiado, os golpistas presos todos anistiados, os ministros do STF contrários à quadrilha impichados, a perda total da soberania do país, entregue aos EUA de Trump, a privatização total do que restou ainda nas mãos do Estado, o aumento da fome, da miséria, do desemprego. O fim da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado como os conhecemos hoje, já na UTI, tamanha a destruição das últimas décadas.

O não se importarem com essas consequências revela o vazio, a mediocridade, a indiferença perversa e a falta de valores minimamente civilizados nessa gente. Expõe seu lado medonho, suas desumanidades, sua cegueira mais absoluta!

O bolsonarismo enquanto movimento político e social nada tem de “normal”.

É incivilizado na origem, é violento, é selvagem, é autoritário, é ditatorial. Abraça a corrupção em todas as suas vertentes, usa toda sorte de mentiras e manipulações, as mais ordinárias, para aglutinar ao seu redor os dois tipos de pessoas que o abraçam: os cínicos, os amorais, os violentos, por semelhança. Os ingênuos-fanáticos, pela doença que os acomete, o fanatismo, que corta, elimina, qualquer possibilidade da pessoa enxergar a realidade.

Talvez seja essa a maior calamidade trazida pelo bolsonarismo ao nosso país: a criação de uma massa zumbificada, imbecilizada por preconceitos, mantras, fanatismos e ódios diversos, que se tornaram um imenso rebanho tangido total e absolutamente por seus mentores. Não há mais raciocínio ali, a razão se foi, perdeu-se, resta a massa amorfa e obediente.

QUEM É CAPAZ DE CONSIDERAR ISSO “NORMAL”???

QUEM É CAPAZ DE ENDOSSAR ESSA CANDIDATURA E A POSSIBILIDADE DE SUA VITÓRIA COMO ALGO “NORMAL”?

QUANDO TUDO, DESDE AS SUAS ORIGENS PERVERSAS APONTA PARA O MAIS ALTO GRAU DE ENFERMIDADE DE UMA NAÇÃO?

Que trágico é, que essa família tenha entre seus seguidores fanáticos, figuras de alto poder no Judiciário e no Ministério Público. Nada disso é “normal”. Para qualquer ser humano minimamente lúcido, desesperador é palavra pequena para explicar a sensação que temos.

Se já tínhamos um atraso educacional e civilizatório tremendo antes dos processos político-sociais da Lava Jato e do bolsonarismo, como medir hoje, a dimensão abissal desses atrasos? O que nos tornamos?

Minha derradeira esperança é que Lula vença a eleição, invista maciçamente em Educação, com escolas federais de segundo grau em todos os estados, se a Constituição permitir esse processo, para que ao menos alguns milhares dos nosso jovens possam escapar da sanha dos Tarcísios de Freitas e seu projeto diabólico das escolas cívico-militares.

E, pensando logo ali na frente, confesso o que já escrevi em outro artigo: minha torcida para que o PT enxergue a insanidade que será seguirmos nessa polarização que só beneficia a direita, e optar em 2030 por uma candidatura que possa quebrar esse paradigma, alguém como a ex-ministra Simone Tebet, minha preferida para essa tarefa hercúlea.

Estamos exaustos, exauridos, os que temos consciência de todo o horror.

Precisamos desesperadamente de um pouco de normalidade.

Mas agora é hora de nos unirmos e derrotarmos mais uma vez o bolsonarismo e essa sórdida grande mídia brasileira!

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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