Muita calma nesta hora: Resistência é a palavra.
por Frederico Firmo
Resistência é a palavra. Precisamos ter muita calma nesta hora, pois não temos saída senão resistir bravamente. Lula lá será o líder da resistência, contra um congresso e uma câmara, dominado por um nebuloso grupo direitoso, que usa a retórica para encobrir interesses tão pouco republicanos.
Se Flávio vencer, o Brasil vai cair na mão do dono da lavanderia de chocolate, do cofre de dinheiro vivo, e da especulação imobiliária da Muzema… O horizonte político, não vai além da anistia do pai, irmão, da gangue no exterior e de Vorcaro. A política será terceirizada para Washington e quem sabe Milei. Quem mais vai perder é o Brasil.
Muito se fala da ideologia da extrema-direita, porém não se conhece sequer a visão econômica. O que existe é um amontoado de clichês da economia, máximas conservadoras no campo dos costumes e religião. Sobre economia, o bolsonarismo não tem sequer a retórica mileísta. Sem propostas podem adotar a receita Milei, já ameaçam isto pois já chamaram a posto Ipiranga , Guedes de saia. Sem propostas, para a segurança, que não seja, porrete e bala, provavelmente vão querer copiar Bukele.
O pensamento de nossa extrema-direita não vai além da loja de chocolate, ou da milícia de Rio das Pedras. Coerentes, vão decretar a saidinha dos seus, incluindo Vorcaro. Como disse Cunha, no impeachment de Dilma: que Deus se apiede do Brasil. Esta família não tem proposta para o país. O famoso mantra do ajuste fiscal, austeridade, e investimentos produtivos é pura retórica para vender nossas riquezas a preço de banana, e enriquecer. Se possível o dinheiro nem sai de Dubai. Os investimentos da família vão se concentrar em pequenos negócios, grandes fortunas: armas, garimpo, madeira ilegal, distribuidora de combustíveis, ramo imobiliário e claro o mercado financeiro unido a lavagem de dinheiro. Este grupo tem apenas o botim como proposta. É a invasão dos bárbaros.
Nossa classe empresarial e nem o agro estão na balança. Para o agro apenas a liberação geral da grilagem e desmatamento. Na Faria Lima, arrogantes operadores, pensam que controlam ou dominam, mas sequer tem pensamento em comum. Vão provavelmente continuar a fazer o que fazem de melhor; comer uns aos outros, buscando o lucro mais proveitoso. Pensar o país é piada de cafezinho na Faria Lima.
A proposta econômica é entregar tudo, pois cada coisa entregue, enche um pouco mais os bolsos e cofres de dinheiro ou de joias. Assim fez o pai, e o filho pode fazer pior. Este grupo quer destruir o supremo, ou fazendo o impeachment de todos os juízes, ou fazendo 4 ou 5 indicações, de figuras como Mendonça e Nunes Marques, juízes de notável ignorância jurídica. Estão prontos para tomar de assalto o senado e na câmara teremos muito conflito. O país perdeu um contrapeso institucional.
A direita brasileira, não é liberal, não é contra o Estado, apenas o quer para si. A extrema-direita se mobiliza com a perspectiva de tomar conta dos cofres públicos. Eles conhecem bem o métier, afinal, já experienciaram a pilhagem de Guedes e o orçamento secreto. Enquanto isto a velha direita definha e paga um preço caro pelo apoio que hipotecaram ao bolsonarismo. Cassaram a hipoteca e os aproximaram do cemitério. Uma figura icônica da direita é Esperidião Amin que seduzido pelo canto da sereia entrou no jogo. Um exemplar da direita civilizada, abraçou a barbárie sem pestanejar. A barbárie o engoliu e cuspiu. A velha raposa felpuda, que pensava estar eternizado no poder, descobriu que será apenas uma nota no obituário, sem nenhum legado. Provavelmente cairá no ostracismo gastando o ganhado no Ostradamus ( ótimo restaurante no Ribeirão da Ilha).
Em Santa Catarina o legado da velha política é o bando de oportunistas mesquinhos que tomaram conta. Figuras como Zanatta ,Toni , Carluxo e Renan, nada deram ao Estado e prometem que continuarão os mesmos, isto é, muita lacração, propostas obscurantistas e apoio às maiores barbaridades no senado. Em sã consciência, já sabemos o que esperar. O forte de Carluxo não é o trabalho, como filho do imperador ele vai esperar, sentado, que o dinheiro lhe caia na mão. Como Seif, não tem vergonha, só tem apetite para brigas na rede, lacração e pequenos e grandes golpes no Senado.
Já os imagino juntos com van Hatten e outros da mesma espécie. Os lobistas mais variados estão em estado de glória, todos a postos, sabedores que agora terão carta livre e não precisarão beijar a mão da velha oligarquia, apenas dos novos. Educação, e universidades, servirão de alvo, afinal o Ministério da educação tem muito dinheiro.
Afora isto , são o alvo preferencial da piazada delinquente, Pavanato e Nikolas. Quem diria, a luta contra o saber e o conhecimento se tornou ativo político. Eles irão comprometer a ciência a pesquisa, a educação do país, ou seja, o futuro do país. Na era do conhecimento o país parece escolher a ignorância e a barbárie. Numa espécie de neocolonialismo, poderemos ver nossas riquezas: soja, carne, petróleo e terras raras, expropriadas como foram o nosso açúcar, e nosso ouro. Quem quiser saber do que a extrema-direita é capaz, olhe para a nossa vizinha Argentina, vejam quão sofrida está a, um dia grandiosa, Universidade Argentina.
Triste América Latina, suas veias uma vez mais estão abertas, o colonialismo mudou de nome. E sem dúvida temos a resposta à musica de Cazuza: “Brasil quero ver quem paga para gente ficar assim ?”
Frederico Firmo – Possui graduação em Bacharelado em Física pela Universidade de São Paulo (1976), mestrado em Pós-Graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1979) e doutorado em Física pela Universidade de São Paulo (1987). Atualmente é professor Titular aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina.
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