7 de outubro de 2026

Muita calma nesta hora: Resistência é a palavra, por Frederico Firmo

Se Flávio vencer, o Brasil vai cair na mão do dono da lavanderia de chocolate, do cofre de dinheiro vivo, e da especulação imobiliária
Reprodução Jornal da USP

Lula será líder da resistência contra um Congresso dominado por grupo direitista com interesses pouco republicanos.
Se Flávio vencer, Brasil ficará sob influência de grupos ligados a lavagem de dinheiro e especulação imobiliária.
Extrema-direita brasileira carece de propostas econômicas claras e planeja controle dos cofres públicos e ataques ao Supremo.

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Muita calma nesta hora: Resistência é a palavra.

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por Frederico Firmo

Resistência é a palavra. Precisamos ter muita calma nesta hora, pois não temos saída senão resistir bravamente. Lula lá será o líder da resistência, contra um congresso e uma câmara, dominado por um nebuloso grupo direitoso, que usa a retórica para encobrir interesses tão pouco republicanos.

Se Flávio vencer, o Brasil vai cair na mão do dono da lavanderia de chocolate, do cofre de dinheiro vivo, e da especulação imobiliária da Muzema… O horizonte político, não vai além da anistia do pai, irmão, da gangue no exterior e de Vorcaro. A política será terceirizada para Washington e quem sabe Milei. Quem mais vai perder é o Brasil.

Muito se fala da ideologia da extrema-direita, porém não se conhece sequer a visão econômica. O que existe é um amontoado de clichês da economia, máximas conservadoras no campo dos costumes e religião. Sobre economia, o bolsonarismo não tem sequer a retórica mileísta. Sem propostas podem adotar a receita Milei, já ameaçam isto pois já chamaram a posto Ipiranga , Guedes de saia. Sem propostas, para a segurança, que não seja, porrete e bala, provavelmente vão querer copiar Bukele.

O pensamento de nossa extrema-direita não vai além da loja de chocolate, ou da milícia de Rio das Pedras. Coerentes, vão decretar a saidinha dos seus, incluindo Vorcaro. Como disse Cunha, no impeachment de Dilma: que Deus se apiede do Brasil. Esta família não tem proposta para o país. O famoso mantra do ajuste fiscal, austeridade, e investimentos produtivos é pura retórica para vender nossas riquezas a preço de banana, e enriquecer. Se possível o dinheiro nem sai de Dubai. Os investimentos da família vão se concentrar em pequenos negócios, grandes fortunas: armas, garimpo, madeira ilegal, distribuidora de combustíveis, ramo imobiliário e claro o mercado financeiro unido a lavagem de dinheiro. Este grupo tem apenas o botim como proposta. É a invasão dos bárbaros.

Nossa classe empresarial e nem o agro estão na balança. Para o agro apenas a liberação geral da grilagem e desmatamento. Na Faria Lima, arrogantes operadores, pensam que controlam ou dominam, mas sequer tem pensamento em comum. Vão provavelmente continuar a fazer o que fazem de melhor; comer uns aos outros, buscando o lucro mais proveitoso. Pensar o país é piada de cafezinho na Faria Lima.

A proposta econômica é entregar tudo, pois cada coisa entregue, enche um pouco mais os bolsos e cofres de dinheiro ou de joias. Assim fez o pai, e o filho pode fazer pior. Este grupo quer destruir o supremo, ou fazendo o impeachment de todos os juízes, ou fazendo 4 ou 5 indicações, de figuras como Mendonça e Nunes Marques, juízes de notável ignorância jurídica. Estão prontos para tomar de assalto o senado e na câmara teremos muito conflito. O país perdeu um contrapeso institucional.

A direita brasileira, não é liberal, não é contra o Estado, apenas o quer para si. A extrema-direita se mobiliza com a perspectiva de tomar conta dos cofres públicos. Eles conhecem bem o métier, afinal, já experienciaram a pilhagem de Guedes e o orçamento secreto. Enquanto isto a velha direita definha e paga um preço caro pelo apoio que hipotecaram ao bolsonarismo. Cassaram a hipoteca e os aproximaram do cemitério. Uma figura icônica da direita é Esperidião Amin que seduzido pelo canto da sereia entrou no jogo. Um exemplar da direita civilizada, abraçou a barbárie sem pestanejar. A barbárie o engoliu e cuspiu. A velha raposa felpuda, que pensava estar eternizado no poder, descobriu que será apenas uma nota no obituário, sem nenhum legado. Provavelmente cairá no ostracismo gastando o ganhado no Ostradamus ( ótimo restaurante no Ribeirão da Ilha).

Em Santa Catarina o legado da velha política é o bando de oportunistas mesquinhos que tomaram conta. Figuras como Zanatta ,Toni , Carluxo e Renan, nada deram ao Estado e prometem que continuarão os mesmos, isto é, muita lacração, propostas obscurantistas e apoio às maiores barbaridades no senado. Em sã consciência, já sabemos o que esperar. O forte de Carluxo não é o trabalho, como filho do imperador ele vai esperar, sentado, que o dinheiro lhe caia na mão. Como Seif, não tem vergonha, só tem apetite para brigas na rede, lacração e pequenos e grandes golpes no Senado.

Já os imagino juntos com van Hatten e outros da mesma espécie. Os lobistas mais variados estão em estado de glória, todos a postos, sabedores que agora terão carta livre e não precisarão beijar a mão da velha oligarquia, apenas dos novos. Educação, e universidades, servirão de alvo, afinal o Ministério da educação tem muito dinheiro.

Afora isto , são o alvo preferencial da piazada delinquente, Pavanato e Nikolas. Quem diria, a luta contra o saber e o conhecimento se tornou ativo político. Eles irão comprometer a ciência a pesquisa, a educação do país, ou seja, o futuro do país. Na era do conhecimento o país parece escolher a ignorância e a barbárie. Numa espécie de neocolonialismo, poderemos ver nossas riquezas: soja, carne, petróleo e terras raras, expropriadas como foram o nosso açúcar, e nosso ouro. Quem quiser saber do que a extrema-direita é capaz, olhe para a nossa vizinha Argentina, vejam quão sofrida está a, um dia grandiosa, Universidade Argentina.

Triste América Latina, suas veias uma vez mais estão abertas, o colonialismo mudou de nome. E sem dúvida temos a resposta à musica de Cazuza: “Brasil quero ver quem paga para gente ficar assim ?”

Frederico Firmo – Possui graduação em Bacharelado em Física pela Universidade de São Paulo (1976), mestrado em Pós-Graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1979) e doutorado em Física pela Universidade de São Paulo (1987). Atualmente é professor Titular  aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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