8 de outubro de 2026

Isso tem cheiro de fascismo, por Arnaldo Cardoso

Há relatos e prints de mensagens enviadas a estudantes da UFPE demonstrando entusiasmo com o incêndio e prometendo que outros ocorrerão
Reprodução - Incêndio UFPE

Isso tem cheiro de fascismo, por Arnaldo Cardoso

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Antes mesmo da votação em segundo turno da eleição presidencial, o risco de vitória do candidato de extrema direita já espalha pelo país os sentimentos de angústia, insegurança e medo.

Anúncios feitos pelo próprio candidato da extrema direita sobre medidas a serem tomadas nos primeiros dias de governo, prenunciam que a história poderá se repetir como tragédia. O mesmo desrespeito aos processos e ritos da democracia, à divisão dos poderes e às instituições, que marcou os anos do governo do pai do atual candidato, se vê repetido. O mesmo uso vulgar de palavras e conceitos como o de “redemocratização do país” volta a povoar a comunicação política produzindo ludibrio e desinformação.

Juristas ouvidos logo após as declarações do candidato quanto a sua disposição em realizar “mudanças no Judiciário e na lei penal” através de mudanças na Constituição Federal avaliaram que isso pode ferir cláusulas pétreas, como alertou Ana Laura Barbosa, professora de direito da FGV-SP e o jurista Pedro Serrano, professor de direito constitucional da PUC-SP, que foi mais categórico ao afirmar que está embutida na declaração uma tentativa de golpe.

Mas enquanto essa nova figura de liderança da extrema direita, forjada no improviso, repete o pai dando declarações desconcertantes que afligem os mais responsáveis e inflamam a horda de seus seguidores, um terrível incêndio na madrugada de quarta-feira (8) destruiu o segundo andar de um prédio dedicado à pesquisa científica no Campus Recife, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Até o momento não se sabe as causas do incêndio que destruiu estruturas, equipamentos e insumos utilizados nos laboratórios das áreas de farmácia, informática e genética. 

Há relatos e prints de mensagens enviadas a estudantes da UFPE demonstrando entusiasmo com o incêndio e prometendo que outros ocorrerão, revelando ódio às universidades públicas, à pesquisa científica e ao próprio processo de construção de conhecimento.

O valor estimado do prejuízo é de R$100 milhões. Mas ainda maior é a perda de materiais de pesquisa em curso, desde projetos de Iniciação Científica desenvolvido por graduandos, como também de mestrados e doutorados cujos autores se sentem devassados com a perda de anos de dedicação à pesquisa no Brasil.

Vale lembrar que as mesmas instituições e atividades científicas foram pesadamente atacadas e boicotadas com corte de orçamento pelo presidente de extrema direita que governou o país entre 2019 e 2022.

Desde o início da semana tem-se visto expressivas manifestações pacíficas de estudantes de várias capitais levantando-se em defesa da educação, das escolas públicas, da pesquisa científica e da cultura no país. Esses estudantes reconhecem no atual presidente do país e candidato à reeleição aquele que se compromete com essas bandeiras.

A resposta dos apoiadores do outro candidato se faz através de ameaças intimidações e violência.

A história do fascismo nos permite reconhecer seus sinais. Combatê-lo é o dever de todo aquele que defende a liberdade e a democracia, que defende para o Brasil um avanço contínuo para superação dos entraves ao seu desenvolvimento econômico, político e social, com igualdade de direitos e deveres, com respeito à dignidade da pessoa humana, com solidariedade e justiça.

O Brasil se encontra diante de uma encruzilhada e se tomar o caminho errado os custos serão imensos e cairão sobre os ombros de gerações.

Arnaldo Cardoso, cientista político e escritor.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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