22 de outubro de 2026

Segundo Tempo 5 X 0: Que ninguém recue, por Ricardo Mezavila

2º turno é o jogo de verdade. Não existe placar imaginário, não existe vitória de mentira. No 25 de outubro, cada voto vale nossa esperança.
Foto de Fabio Rodrigues-Pozzebom - Agência Brasil

Em 1966, Taiguara e outros gravaram “Primeiro Tempo 5×0”, inspirado na confiança do Brasil na Copa.
O primeiro turno eleitoral não garantiu vitória; manifestações lideradas por estudantes ocorrem contra ameaças à democracia.
O segundo turno é decisivo; votos em 25 de outubro definirão o futuro político e a resistência democrática do país.

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Segundo Tempo 5 X 0: Que ninguém recue, por Ricardo Mezavila

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Em 1966, no Rio de Janeiro, nos palcos do Rui Bar Bossa, em Copacabana, e do Teatro Princesa Isabel, Taiguara, Claudete Soares e o Jongo Trio gravaram um disco ao vivo com um nome que parecia só festa: Primeiro Tempo 5×0.  

A ideia era simples: o Brasil era o favorito na Copa e ia ganhar de todo mundo, fácil. O placar já estava dado, todo mundo achava que a vitória era certa antes mesmo de a bola rolar. Mas o Brasil foi eliminado cedo, e aquele 5×0 nunca passou de sonho. 

Hoje, essa lição se repete nesta eleição. Passou o primeiro turno, e teve gente comemorando como se o jogo já tivesse acabado. Gritos de vitória garantida, de que tudo já estava decidido — só que não. O que parecia vantagem enorme mostrou-se bem menor do que diziam.  

O primeiro turno foi só o começo, não é o resultado. E o povo não está calado. De norte a sul do país, estudantes saem às ruas, liderados pela UNE e pelas UBEs. Manifestações espontâneas em capitais e cidades do interior — jovens que não aceitam que o futuro do Brasil seja decidido por quem quer acabar com a democracia.  

Não é movimento de um dia, não é discurso de palco: é gente que sabe que a luta é de classe. Sabe que há empresários sem senso de humanidade, articulando com a campanha de Flávio Bolsonaro para retirar direitos dos trabalhadores, precarizar a saúde e desmantelar o ensino público.  

O segundo turno é o jogo de verdade. Não existe placar imaginário, não existe vitória de mentira. No dia 25 de outubro, cada voto vale a nossa esperança. As ruas convocam os progressistas a caminharem juntos, em massa, a ponto de estremecer as bases de quem quer manter o povo submisso.

Nada está escrito. Nada está garantido. O futuro não está nas pesquisas — está nas urnas. Que ninguém falte. Que ninguém recue. O segundo tempo é nosso. O placar não está dado. Está em nossas mãos. Que a resistência e esperança de Taiguara caiam sobre Lula — para “que as crianças cantem livres”.  

Ricardo Mezavila, cientista político

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