O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reuniu governadores e parlamentares neste sábado (24) em seu penúltimo ato de campanha, em Belo Horizonte. A passagem por Minas Gerais expôs contrastes de sua candidatura: o palanque escorado em lideranças consolidadas da direita dividiu atenções com cenas de uma criança armada com um fuzil de plástico e com o encontro prévio do senador com uma aliada investigada pela Polícia Federal.
O comício, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ocorreu no dia seguinte ao último debate presidencial, que opôs Flávio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Fuzil de brinquedo
O cronograma na capital mineira começou com atrasos. Prevista para as 10h na Praça do Papa, a concentração para a motociata só recebeu o presidenciável no fim da manhã.
O destino do percurso foi a Praça da Liberdade, onde apoiadores aguardavam a comitiva. Entre eles, uma criança com farda militar e um fuzil de brinquedo se tornou o centro das atenções. Carregada nos ombros de um homem que aparentava ser seu pai, o menino desfilava e posava para fotos de simpatizantes fazendo o sinal de “V” com os dedos, gesto repetido pelo adulto e associado historicamente à campanha bolsonarista.
Sombra no INSS
A viagem de Flávio Bolsonaro a Minas Gerais também jogou luz sobre as articulações políticas locais. Na véspera da motociata, o senador foi recebido por uma comitiva que incluía a deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG). Uma fotografia divulgada pelo deputado estadual eleito Pablo Almeida (PL-MG) mostra o presidenciável abraçado à parlamentar.
Chiara é citada em um inquérito da Polícia Federal que apura um esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, caso revelado pelo portal Metrópoles no fim de 2023.
Segundo a quebra de sigilo da investigação, a deputada recebeu repasses mensais de R$ 10 mil, ao longo de seis meses, entre 2021 e 2022. Os pagamentos teriam partido da mulher de um dos operadores da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais). A entidade investigada viu seu faturamento oriundo dessas cobranças saltar de R$ 92,2 milhões em 2022 para R$ 200 milhões no ano seguinte.
Documentos da PF apontam que os R$ 60 mil repassados à deputada teriam servido como instrumento de pressão sobre o pai dela, o deputado federal Eros Biondini (PL-MG). O esquema, que impulsionou uma CPI e resultou na prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, envolveria ainda o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), apontado como recebedor de R$ 14,7 milhões da confederação.
Reta final
Para consolidar o palanque mineiro, o trio elétrico de Flávio Bolsonaro contou com a presença de expoentes como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), derrotado no primeiro turno, também participou do ato após declarar apoio ao PL.
A mobilização reuniu ainda aliados do Congresso, como os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Domingos Sávio (PL-MG), e os deputados federais eleitos Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato (PL-SP). Nomes que disputaram as últimas eleições, como Flávio Roscoe (PL-MG) e Renato Araújo (PL-RJ), acompanharam a agenda. O candidato a vice na chapa presidencial, Alfredo Gaspar (PL-AL), não compareceu, mantendo compromissos em Arapiraca (AL).
No período da tarde, a campanha do PL seguiu para o Rio de Janeiro. O encerramento definitivo da corrida eleitoral foi programado para a Barra da Tijuca, com desfecho em frente ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem casa.
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