O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste domingo (25), que a mobilização popular observada nos últimos dias foi algo que “nunca tinha visto” em cinco décadas de vida política. Em declaração a jornalistas, ele disse que as manifestações foram, “do ponto de vista sociológico, quase inexplicáveis”.
Segundo Lula, as demonstrações em estados como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo não foram organizadas por partidos, sindicatos ou igrejas, nem por ele ou pelo vice, Geraldo Alckmin. “O povo foi para a rua para defender as suas conquistas”, declarou. O presidente também disse que, se vencer, deverá a vitória ao eleitorado.
Relato de violência
Lula afirmou que já recebeu denúncias de ataques a apoiadores. Segundo ele, em Montes Claros (MG), um grupo de bolsonaristas que estava em um bar teria atirado um tijolo no rosto de uma vereadora do partido, que sofreu fratura no nariz. O presidente também mencionou notícias de uma morte no Mato Grosso do Sul, possivelmente em Corumbá. Os relatos não foram confirmados de forma independente.
Para Lula, os episódios mostram “o que está em jogo no país”. De um lado, disse, estão os que defendem democracia, educação, saúde, crescimento e emprego de qualidade; do outro, quem recorre à violência. Ele defendeu a convivência na diversidade: “Os vizinhos não precisam torcer para o mesmo time, mas não precisam brigar”.
O petista lembrou que, nas disputas anteriores contra Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra, “ganhando ou perdendo, a gente acatava o resultado”. Também classificou o 25 de outubro como “dia sagrado” para a democracia.
Ataques ao adversário
Sem citar nome, Lula afirmou nunca ter imaginado disputar uma eleição com alguém “desqualificado moral e eticamente”. Chamou o adversário de “miliciano”, disse que ele “foi educado para mentir” e declarou estar convencido de que o povo não permitirá que ele ocupe o Palácio do Planalto.
O presidente associou o oponente à atuação de milícias no Rio de Janeiro e a pessoas ligadas ao caso Marielle Franco. Afirmou ainda que ele nunca teve um projeto de lei aprovado em seus mandatos legislativos e desafiou a imprensa a encontrar algum. Questionou também a origem do dinheiro para a compra de um imóvel de R$ 10 milhões à vista, tendo em vista o salário de parlamentar. As acusações foram feitas por Lula, e o adversário não se manifestou nesta declaração.
Salário e patrimônio
Ao falar de patrimônio, o presidente disse que seu apartamento, em São Paulo, vale pouco mais de R$ 1 milhão. Afirmou que quem enriquece com salário público “roubou”, e detalhou seus vencimentos: cerca de R$ 46 mil mensais, dos quais, segundo ele, sobram aproximadamente R$ 20 mil após descontos como o imposto de renda.
Escolha entre dois projetos
Lula resumiu a eleição como uma escolha entre “um Brasil que distribui livros para as crianças” e outro que facilita o acesso a armas e munição. Também criticou a campanha adversária pelo uso de símbolos nacionais, dizendo que ela “faz campanha com a bandeira do Brasil, mas quer governar com a bandeira americana”. “A gente não tem duas pátrias, é uma pátria só”, disse.
Ao citar sua trajetória internacional, o presidente lembrou que participou de reuniões do G7, ajudou a criar o G20 e os BRICS e se reúne anualmente com líderes mundiais.
Ao final, Lula agradeceu ao povo brasileiro e a Deus, disse que as manifestações dos últimos 20 dias foram “a democracia palpitando na alma e no coração das pessoas” e pediu que os eleitores permitam ao país seguir “crescendo e gerando oportunidade para todo mundo”. “O jogo está jogado”, concluiu.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário