A economia brasileira deve crescer 1,6% em 2026, segundo informe conjuntural elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A estimativa referente ao terceiro trimestre representa uma revisão para baixo em relação aos 2% previstos anteriormente e reflete a perda de ritmo da atividade econômica, com desempenho concentrado na agropecuária e na indústria extrativa.
No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% em relação aos três meses anteriores. A agropecuária cresceu 2,8% e a indústria extrativa, 3,4%, enquanto a indústria de transformação e a construção recuaram 0,4% cada. O consumo das famílias caiu 0,4%, sinalizando o enfraquecimento da demanda interna.
Juros altos pressionam indústria e consumo
A CNI atribui parte da desaceleração aos juros elevados, ao encarecimento do crédito e ao endividamento de famílias e empresas. A concorrência de produtos importados e a pressão sobre os custos de produção também afetam a indústria nacional.
A entidade revisou de 0,6% para -0,7% a projeção para o PIB da indústria de transformação em 2026. Para o conjunto da indústria, a estimativa passou de 2,1% para 1,3%. Já o crescimento dos serviços foi revisto de 1,9% para 1,6%, enquanto a previsão para os investimentos é de expansão de apenas 0,6%.
Apesar da perda de dinamismo, o mercado de trabalho continua sustentando parte da demanda. A taxa de desemprego foi de 5,3% no trimestre móvel de junho a agosto, segundo os dados citados no relatório. A CNI, contudo, identifica desaceleração na criação de empregos formais, especialmente na indústria, no comércio e na agropecuária.
Agropecuária e petróleo sustentam projeções
A produção agrícola e a expansão da extração de petróleo seguem como os principais motores do crescimento. A CNI elevou de 1,8% para 2,5% a projeção de crescimento da agropecuária e manteve em 9,1% a estimativa para a indústria extrativa, impulsionada pelo avanço da produção petrolífera.
Em sentido contrário, a inflação continua pressionada. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58% até setembro, acima do teto de 4,5% da meta. A CNI projeta inflação de 5,15% em 2026 e prevê que a taxa Selic termine o ano em 13,25%, após novos cortes graduais nos juros.
O relatório também aponta riscos no cenário internacional, incluindo tensões no Oriente Médio, que elevaram os preços do petróleo e os custos de transporte e insumos. Nesse contexto, a política fiscal e o mercado de trabalho ajudam a sustentar a atividade, mas a política monetária restritiva continua limitando o crescimento, sobretudo nos setores mais dependentes do crédito e da demanda doméstica.
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