A pequena indústria brasileira continua enfrentando dificuldades para recuperar a confiança e melhorar sua situação financeira: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) chegou a 46,8 pontos em outubro de 2026, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos pelo 23º mês consecutivo. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O cenário também aparece nos indicadores de desempenho e situação financeira. No terceiro trimestre, o índice de desempenho das empresas de pequeno porte ficou em 44,3 pontos, queda de 0,9 ponto em relação ao trimestre anterior e de 2 pontos na comparação com o mesmo período de 2025.
Já o índice de situação financeira recuou para 38,5 pontos, também 0,9 ponto abaixo do trimestre anterior. O resultado representa o menor nível desde o primeiro trimestre de 2021 e ficou 2,5 pontos abaixo do registrado no terceiro trimestre do ano passado.
A situação financeira reúne indicadores de satisfação com a margem de lucro operacional, avaliação das condições financeiras e facilidade de acesso ao crédito. O resultado sinaliza dificuldades persistentes para as pequenas empresas manterem suas condições de operação.
Carga tributária e demanda interna pressionam empresas
A elevada carga tributária continua sendo o principal problema apontado pelos empresários dos setores de transformação e construção. No terceiro trimestre, a questão foi mencionada por 41% das pequenas indústrias de transformação, ante 37,3% no trimestre anterior. Na construção, o percentual passou de 42,9% para 43,6%.
A insuficiência da demanda interna também ganhou espaço entre as preocupações. Na indústria de transformação, o problema saltou da sexta para a segunda posição no ranking, passando de 22,9% para 26,6% das assinalações.
O levantamento mostra ainda que a falta ou o alto custo da matéria-prima foi apontado por 26,2% das empresas de transformação, enquanto os juros elevados apareceram em 25,4% das respostas.
Na construção, a taxa de juros elevada permaneceu como o segundo principal problema, com aumento das menções de 37,8% para 39,3%. As dificuldades relacionadas à mão de obra também continuam entre os principais entraves: a falta ou o alto custo de trabalhadores não qualificados foi citada por 29,1% das empresas, enquanto a falta ou o custo elevado de profissionais qualificados apareceu em 27,4% das respostas.
Apesar de uma pequena melhora em outubro, a confiança dos empresários continua distante do patamar que indica otimismo. O ICEI passou de 44,4 pontos em setembro para 46,8 pontos no mês seguinte, mas permaneceu 5,2 pontos abaixo da média histórica, de 52 pontos.
O Índice de Perspectivas, que mede as expectativas dos empresários para o próprio negócio nos seis meses seguintes, registrou 46,6 pontos em outubro. O indicador ficou próximo da média histórica de 47,1 pontos e apresentou leve recuperação em relação a setembro, quando havia alcançado 45,9 pontos.
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