30 de outubro de 2026

Pequena indústria acumula 23 meses de falta de confiança, aponta CNI

Situação financeira chega ao pior nível desde o início de 2021; empresários apontam carga tributária e demanda insuficiente entre os principais entraves
CNI - José Paulo Lacerda

ICEI da indústria brasileira ficou em 46,8 pontos em outubro de 2026, abaixo de 50 pelo 23º mês consecutivo.
Pequenas indústrias enfrentam alta carga tributária, insuficiência da demanda e custos elevados de matéria-prima e juros.
Índice de Perspectivas teve leve alta em outubro, chegando a 46,6 pontos, próximo da média histórica de 47,1 pontos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A pequena indústria brasileira continua enfrentando dificuldades para recuperar a confiança e melhorar sua situação financeira: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) chegou a 46,8 pontos em outubro de 2026, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos pelo 23º mês consecutivo. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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O cenário também aparece nos indicadores de desempenho e situação financeira. No terceiro trimestre, o índice de desempenho das empresas de pequeno porte ficou em 44,3 pontos, queda de 0,9 ponto em relação ao trimestre anterior e de 2 pontos na comparação com o mesmo período de 2025.

Já o índice de situação financeira recuou para 38,5 pontos, também 0,9 ponto abaixo do trimestre anterior. O resultado representa o menor nível desde o primeiro trimestre de 2021 e ficou 2,5 pontos abaixo do registrado no terceiro trimestre do ano passado.

A situação financeira reúne indicadores de satisfação com a margem de lucro operacional, avaliação das condições financeiras e facilidade de acesso ao crédito. O resultado sinaliza dificuldades persistentes para as pequenas empresas manterem suas condições de operação.

Carga tributária e demanda interna pressionam empresas

A elevada carga tributária continua sendo o principal problema apontado pelos empresários dos setores de transformação e construção. No terceiro trimestre, a questão foi mencionada por 41% das pequenas indústrias de transformação, ante 37,3% no trimestre anterior. Na construção, o percentual passou de 42,9% para 43,6%.

A insuficiência da demanda interna também ganhou espaço entre as preocupações. Na indústria de transformação, o problema saltou da sexta para a segunda posição no ranking, passando de 22,9% para 26,6% das assinalações.

O levantamento mostra ainda que a falta ou o alto custo da matéria-prima foi apontado por 26,2% das empresas de transformação, enquanto os juros elevados apareceram em 25,4% das respostas.

Na construção, a taxa de juros elevada permaneceu como o segundo principal problema, com aumento das menções de 37,8% para 39,3%. As dificuldades relacionadas à mão de obra também continuam entre os principais entraves: a falta ou o alto custo de trabalhadores não qualificados foi citada por 29,1% das empresas, enquanto a falta ou o custo elevado de profissionais qualificados apareceu em 27,4% das respostas.

Apesar de uma pequena melhora em outubro, a confiança dos empresários continua distante do patamar que indica otimismo. O ICEI passou de 44,4 pontos em setembro para 46,8 pontos no mês seguinte, mas permaneceu 5,2 pontos abaixo da média histórica, de 52 pontos.

O Índice de Perspectivas, que mede as expectativas dos empresários para o próprio negócio nos seis meses seguintes, registrou 46,6 pontos em outubro. O indicador ficou próximo da média histórica de 47,1 pontos e apresentou leve recuperação em relação a setembro, quando havia alcançado 45,9 pontos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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