O chef Júlio Ritta, fundador do projeto social Cozinheiros do Bem, respondeu às provocações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com a distribuição de refeições com picanha para mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade social, no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre (RS). Em vídeo divulgado neste domingo (1º), Ritta criticou o parlamentar e questionou seu discurso religioso diante da realidade da população que enfrenta a fome.
“Vocês acharam que iam me derrubar, hein, seu moleque Nikolas Ferreira? Eu acho que tu ainda tava nas fraldas quando eu comecei a servir comida nesse viaduto”, afirmou o cozinheiro, que desenvolve o trabalho social há 11 anos.
A reação ocorreu após Nikolas ironizar, nas redes sociais, a perda de patrocinadores e doadores do Cozinheiros do Bem. Segundo Ritta, empresários interromperam as contribuições ao projeto após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.
Na quinta-feira (29), o deputado compartilhou um vídeo do chef e questionou por que empresários deveriam continuar financiando uma iniciativa cujo fundador havia criticado setores da direita.
“O cara tem um projeto ‘Cozinheiros do Bem’. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill. Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba”, escreveu Nikolas.
Em resposta, Ritta publicou inicialmente uma provocação ao parlamentar: “Late mais alto, moleque. Aproveita e pega o próximo voo e não esquece de pegar a peruca”.
A reação mais contundente, porém, veio durante uma nova ação do projeto social. Ao lado de voluntários, o cozinheiro preparou um cardápio que incluía risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, salada, suco e cuca.
“Mais de 500 pessoas hoje aqui no Viaduto da Conceição não vão precisar meter a mão numa lata de lixo pra comer. E essa é a porra da nossa vitória!”, comemorou.
Ritta também fez referência à picanha, alimento que se tornou símbolo das disputas políticas em torno das promessas de campanha de Lula.
“Ao invés de propagar fake news, viajar com jatinho emprestado, eu resolvi servir a tal da picanha que vocês falavam que era a picanha do Lula. Se o Lula serve ou não, não tô nem aí, meu irmão! O Júlio Ritta há 11 anos serve comida nesse viaduto em Porto Alegre”, declarou.
O fundador do projeto também questionou a postura religiosa de Nikolas Ferreira e contrapôs o discurso cristão à necessidade de atender pessoas que passam fome.
“O que o teu Cristo faria se estivesse vivo hoje? Andaria só com quem tem dinheiro? Com os empresários que vocês disseram que eu ataquei? Ou ia estar aqui embaixo desse viaduto?”, perguntou.
Durante a gravação, Ritta ressaltou que o atendimento do Cozinheiros do Bem não se limita à população em situação de rua. Segundo ele, famílias também procuram as refeições porque não possuem condições financeiras sequer para comprar gás de cozinha.
O cozinheiro afirmou que continuará distribuindo alimentos apesar da perda de doadores e das críticas recebidas nas redes sociais. Também convidou Nikolas a conhecer de perto a realidade das pessoas atendidas pela iniciativa.
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