A China ameaçou adotar medidas de retaliação caso a União Europeia (UE) avance com novas restrições comerciais contra seus produtos e empresas. O alerta foi feito pelo embaixador chinês junto ao bloco, Cai Run, em meio à preparação de um novo instrumento de defesa comercial europeu, apelidado de “kill-switch” (interruptor de emergência), que poderá limitar rapidamente o acesso de países ao mercado comunitário.
A iniciativa da Comissão Europeia busca proteger a indústria do bloco diante do crescimento das importações chinesas de baixo custo e do aumento do desequilíbrio comercial entre as duas economias.
Segundo a Euronews, as importações provenientes da China cresceram 25% no último ano, de acordo com dados da alfândega chinesa. O déficit comercial europeu com Pequim também atingiu níveis recordes.
“Se o lado europeu insistir em adotar medidas restritivas e discriminatórias contra a China, o país terá de tomar contramedidas para proteger firmemente seus interesses”, declarou Cai. O diplomata também criticou o que classificou como politização das relações econômicas e comerciais e o uso excessivo de argumentos relacionados à segurança para justificar restrições.
O novo mecanismo está sendo elaborado pela Comissão Europeia e deverá ser apresentado até o fim de 2026, segundo o comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič. A ferramenta permitiria uma reação mais rápida a países cujas políticas comerciais ou econômicas provoquem impactos considerados graves sobre o mercado europeu, inclusive por meio da limitação de exportações para o bloco.
Embora apresentada como uma medida aplicável a diferentes países, a iniciativa tem como principal alvo econômico a China, cuja produção industrial depende fortemente do acesso aos consumidores europeus. A proposta ganhou força após uma articulação entre França e Alemanha, no início de outubro, diante das dificuldades enfrentadas por setores industriais europeus para competir com produtos chineses.
A pressão também alcança segmentos como os setores químico e de máquinas, para os quais os líderes europeus solicitaram a avaliação de medidas adicionais, incluindo cotas e tarifas. O bloco já aplica tarifas extras sobre determinados produtos chineses após investigações que identificaram práticas de preços considerados desleais e subsídios estatais.
Pequim, por sua vez, argumenta que a estratégia europeia pode prejudicar a própria competitividade industrial do continente. Segundo especialistas ouvidos pelo Global Times, a substituição de fornecedores chineses poderá elevar os custos de produção das empresas europeias, pressionar os preços ao consumidor e comprometer a cooperação econômica entre as duas partes.
A discussão ocorre paralelamente às negociações entre Bruxelas e Pequim para reequilibrar as relações comerciais, iniciadas em junho. Em 9 de outubro, as partes chegaram a um acordo para reduzir as importações de automóveis híbridos chineses no mercado europeu, e as conversas técnicas foram retomadas com o objetivo de buscar entendimentos semelhantes em outros setores. Uma nova reunião entre Šefčovič e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, está prevista para março de 2027.
Deixe um comentário