5 de novembro de 2026

Durigan defende queda sustentável dos juros e nega aumento de carga tributária

Ministro critica Selic de 13,75% e afirma que novos tributos da Reforma Tributária substituirão cobranças existentes, sem elevar a carga tributária.
Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Ministro Durigan defende medidas estruturais para reduzir a taxa Selic de 13,75% ao ano no Brasil.
Novos tributos da Reforma Tributária substituirão cinco impostos, sem aumentar a carga tributária, diz ministro.
Imposto Seletivo incidirá sobre produtos nocivos; fim do IPI desonera a indústria, segundo Durigan.

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta quinta-feira (5) a adoção de medidas estruturais para criar condições para a redução sustentável da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic nesse patamar, o ministro classificou o custo do crédito como elevado e prejudicial à atividade econômica.

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Na mesma coletiva de imprensa, Durigan também afirmou que os dois novos tributos previstos na implementação da Reforma Tributária, o Imposto Seletivo e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), não representam aumento da carga tributária. Segundo ele, as novas cobranças substituirão cinco tributos existentes e devem simplificar a legislação sobre o consumo.

Sobre a política monetária, o ministro afirmou que os juros elevados prejudicam diferentes segmentos da economia, incluindo o setor produtivo e o próprio sistema financeiro. Para ele, o governo precisa avançar em medidas que permitam uma redução estrutural da taxa.

“É uma taxa de juros bastante alta, muito ruim para economia, para todos os setores, mesmo o setor financeiro, o setor produtivo. Nós precisamos fazer as medidas necessárias para que a gente dê as condições e, de maneira sustentável e estrutural, a taxa de juros diminua do Brasil”, declarou.

Durigan também relacionou a possibilidade de redução dos juros à condução das contas públicas. Segundo o ministro, o governo pretende avançar em ajustes graduais, com revisão de despesas e benefícios e combate a privilégios, sem prejudicar a população de baixa renda.

“A gente nunca vai propor medidas que prejudiquem as pessoas mais pobres. Ao contrário, quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas olhando para corte de privilégio, a retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário”, afirmou.

O ministro acrescentou que o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá trabalhar para estabelecer condições fiscais e econômicas que favoreçam a redução dos juros.

Reforma Tributária e novos impostos

Na mesma entrevista, Durigan rejeitou a avaliação de que a entrada em vigor dos novos tributos a partir de 2027 representará aumento da carga tributária. A CBS e o Imposto Seletivo foram instituídos pela Emenda Constitucional 132/2023, que estabeleceu a Reforma Tributária sobre o consumo.

“A gente tem que considerar que são dois impostos novos, enquanto a gente acaba com cinco. São dois impostos que dão racionalidade e unificam a legislação sobre consumo”, argumentou. Segundo ele, a mudança permitirá maior transparência e simplificação da tributação.

A Medida Provisória 1.399/2026, publicada na quarta-feira (4) no Diário Oficial da União, estabelece alíquotas e normas complementares para o Imposto Seletivo. O texto já foi encaminhado ao Congresso Nacional.

Conhecido como imposto do pecado, o Imposto Seletivo incidirá sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre os itens mencionados pelo ministro estão bebidas alcoólicas, refrigerantes, bebidas açucaradas, produtos de tabaco, automóveis, embarcações e aeronaves.

Durigan explicou que a extinção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a indústria em geral permitirá reduzir a tributação sobre a maior parte do setor produtivo, enquanto o Imposto Seletivo ficará concentrado em segmentos específicos.

“Com o fim do IPI para a indústria como um todo, a indústria fica desonerada, e a gente passa a ter o imposto seletivo sobre esses poucos setores”, afirmou.

O ministro demonstrou expectativa de que a medida provisória avance rapidamente no Congresso. Segundo ele, a proposta está bem pactuada com o Legislativo, que já havia aprovado a criação do tributo durante a tramitação da Reforma Tributária.

A implementação da CBS e do Imposto Seletivo integra a transição para o novo sistema de tributação do consumo, que busca substituir tributos federais, estaduais e municipais por uma estrutura mais uniforme. A mudança também prevê a reorganização da cobrança sobre bens e serviços, com o objetivo de reduzir a complexidade do sistema tributário brasileiro.

Com Agência Brasil

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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