6 de novembro de 2026

Brasil pode ter 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, indicam projeções

Estimativa foi feita por especialistas de vários países e apresentada em webinário nesta sexta-feira (6)
Mosquito Aedes aegypti, que é o transmissor de todas as arboviroses que atualmente circulam no país, como a Dengue. | Foto: Wikimedia Commons

Brasil pode registrar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções de 130 especialistas internacionais.
Modelos indicam aumento de dengue em seis estados e mais de 90 mil casos prováveis de chikungunya, com alta no Nordeste.
Prevenção é recomendada; eliminar água parada e buscar atendimento precoce ajudam a controlar dengue e chikungunya no país.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções divulgadas nesta sexta-feira (6) no webinário Preparação para a temporada de dengue 2027. O evento foi promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pelo Mosqlimate e pelo InfoDengue, entre outras instituições.

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De acordo com o relatório, elaborado para o Ministério da Saúde por 130 especialistas de oito países, o cenário esperado é parecido com o de 2025 e 2026, mesmo com a previsão de um super El Niño no verão. Desde 2026, o estudo também inclui projeções de chikungunya para os estados brasileiros. Assim como a dengue, a doença é transmitida pelo Aedes aegypti e provoca febre e dores intensas nas articulações.

Projeção

Os números vêm do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate (IMDC), iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes países para projetar a evolução da doença de forma aberta e comparável. Todas as equipes trabalham com os mesmos dados e seguem as mesmas regras. Na terceira edição, 27 equipes participaram.

O resultado final combina 22 modelos, desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores, e tende a ser mais confiável que qualquer modelo isolado. Para Flávio C. Coelho, pesquisador da FGV e do Mosqlimate, o desafio evoluiu, ao longo das três edições, de um punhado de equipes para uma comunidade global que transforma dados em previsões úteis aos gestores de saúde pública.

O modelo estima cerca de 860 mil casos, com intervalo de incerteza de 80% entre 560 mil e 1,6 milhão, e pico de 40 mil casos em abril de 2027.

Sem tranquilidade

Embora o cenário seja igual ao dos últimos anos, os especialistas alertam que não há motivo para relaxar. A dengue é endêmica no país, que registrou cerca de 1,66 milhão de casos prováveis em 2025, segundo o Ministério da Saúde.

Segundo Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, as projeções não indicam uma epidemia como a de 2024, quando houve aumento atípico de casos, mas a doença seguirá exigindo atenção. “É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, afirmou.

El Niño

Três modelos incorporaram variáveis climáticas, mas chegaram a resultados divergentes quanto à intensidade do efeito e à sua distribuição geográfica. Para os pesquisadores, isso mostra que o impacto do El Niño é incerto e deve ser tratado como gatilho de contingência, acompanhado por modelos de curto prazo, e não como base quantitativa do planejamento.

Para a dengue, o modelo aponta aumento de casos prováveis, em relação à temporada anterior, no Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais estados, o cenário é semelhante ou inferior. Ainda assim, todos devem manter a vigilância epidemiológica, pois um super El Niño pode favorecer condições de transmissão mais intensa em algumas regiões.

Chikungunya

Onze modelos projetam mais de 90 mil casos prováveis de chikungunya no país. Na temporada 2024-25, foram 127 mil casos; na de 2025-26, 76 mil.

A previsão é de aumento no Nordeste, principalmente em Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Também há tendência de alta nos três estados do Sul, em São Paulo, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, que tem a maior incidência da doença no país. Nos demais estados, o cenário é próximo ao da temporada anterior. O Espírito Santo ficou fora das projeções por inconsistências nos dados de notificação.

Prevenção

A prevenção segue como a principal forma de reduzir os casos de dengue e chikungunya. As recomendações são eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e recipientes e procurar atendimento aos primeiros sinais de febre, dor no corpo ou manchas na pele. Segundo os pesquisadores, as projeções não substituem a vigilância de rotina, mas ajudam os gestores a se antecipar.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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