4 de junho de 2026

A física quântica da política e mecânica jurídica de Luiz Fux, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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A física quântica da política e mecânica jurídica de Luiz Fux

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A força da gravidade não pode ser vista, mas o efeito dela sobre os corpos sim. Esse axioma também é válido para a energia. Contida em cada partícula que compõe a matéria visível, a energia é invisível.

Luiz Fux proibiu Lula de dar entrevista para não beneficiar Fernando Haddad. As redes de TV não transmitiram as manifestações #EleNão para não prejudicar a campanha de Jair Bolsonaro.

Encarcerar ou silenciar a gravidade é impossível. Aprisionar a energia é algo muito perigoso, pois isso aumenta exponencialmente o efeito de sua liberação. As bombas atômicas comprovam empiricamente esse fato. 

O princípio que orientou Fux e as redes de TV foi o mesmo: a predominância do poder sobre o Direito e da câmera sobre a notícia. O sentimento que orientou ambas negações (do direito da imprensa escrita entrevistar Lula e do direito dos telespectadores de ver as manifestações) não foi a esperança de fazer o novo presidente e sim o medo de que o novo presidente será feito contra a vontade do Ministro do STF e dos barões da mídia.

A densidade da ausência de Lula nesta campanha é evidente e o fator eleitoral mais importante. O golpe “com o STF com tudo” acreditou que poderia reduzir a importância do “sapo barbudo” ao encarcerá-lo. Ledo engano, a prisão apenas aumentou e concentrou o poder invisível que Lula exerce sobre uma base eleitoral que cresce de maneira consistente enquanto o poder dos juízes e das redes de TV se torna mais e mais irrelevante.

Sempre que há um julgamento televisionado, Fux faz pose diante das câmeras. Como todo juiz ele gosta de parecer importante. A importância dele desapareceu no exato momento em que ele proferiu uma decisão juridicamente ilegal e politicamente irrelevante. Impedir a entrevista de Lula não vai reduzir a importância eleitoral dele.

Fux é orgulhoso e ingênuo. Ele ainda não aprendeu que uma decisão judicial nunca é capaz de conferir ou de retira a importância política de alguém. O poder do Direito não penetra num espaço em que as questões jurídicas são irrelevantes e/ou sobrepujadas por forças invisíveis de atração e repulsão. Metaforicamente, pode-se dizer que a emoção que liga a população ao seu líder político pertence ao universo da Física Quântica. Quando muito, o poder que um Ministro do STF exerce é mecânico e, portanto, incapaz de operar efeitos num espaço em que as regras são diferentes.

Todas as vezes que tentaram interferir no processo político na última década, as redes de TV esqueceram um detalhe importante: a existência da internet. As imagens que os barões da mídia sonegam ao “respeitável público” serão produzidas, compartilhadas e vistas de uma maneira ou de outra. A rede mundial de computadores é capaz de mostrar e amplificar os efeitos do poder gravitacional que Lula continua exercendo sobre uma parcela imensa do eleitorado.

A prisão de Lula e a proibição da Folha de São Paulo de entrevistá-lo não afetaram e não afetarão de maneira negativa a campanha de Fernando Haddad. As duas coisas apenas reforçaram o desejo dos petistas de romper o cerco que foi criado pelo Judiciário e pelas redes de TV. A visibilidade nacional e internacional da campanha #EleNão levará mais votos para moinho da oposição ao candidato extraoficial do sistema de poder mafioso organizado e liderado por Michel Temer.

Não gosto muito de fazer exercícios de futurologia, mas suponho que tudo poderia ter sido diferente se o golpe “com o STF com tudo” não tivesse ocorrido. O desgaste lento e continuado de Dilma Rousseff e a inevitabilidade do prejuízo que isso provocaria à liderança de Lula poderiam ter decidido a eleição em favor de Jair Bolsonaro ou de Geraldo Alckmin. Mas agora que o passado recente se cristalizou e se tornou capaz de condicionar o presente, o resultado da eleição será outro. Os barões da mídia deprimidos e os juízes arrependidos nunca esquecerão a derrota de 2018. 

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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4 Comentários
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  1. Bruno Cabral

    30 de setembro de 2018 3:33 pm

    Tem um meme otimo

    Sergio Moro com cara de tacho e as palavras “Mas depois de tudo que eu fiz vocês ainda vão votar no PT?”. Sim, meu caro, #haddadPresidente e #lulaLivre !

  2. Soraya Martins

    30 de setembro de 2018 4:45 pm

    Elogio

    Embora extasiada com a beleza do movimento #ELENÃO, ainda tinha comigo o amargo que a sensação de aviltamento produziu pela leitura da decisão do Ministro Fux, proibindo a entrevista do Lula e aprofundando sua decisão para além da Lei da Mordaça, motivo de vários comentários de indignação e repulsa que publiquei nas redes sociais.

    Mas acordei e me ative a ler este belo texto, essa bela análise que ameniza, sobremaneira, o desconforto.

    As manifestações de ontem demonstram que o sentimento de um povo é inexorável.

    Parabéns! Texto maravilhoso!

  3. Jossimar

    30 de setembro de 2018 6:37 pm

    #haddadPresidente e

    #haddadPresidente e #lulaLivre e #sergiomoronacadeia

  4. Frederico Firmo

    30 de setembro de 2018 8:42 pm

    Gostei do texto Fábio

    A quântica é uma fonte inesgotável de metáforas. Os juizes de Curitiba  não entendem nada.

    Quanto mais confinam Lula , mais ele ganha momento.

    Lula está  emaranhado com seu povo, e se mexerem com ele mexem com o povo, e não importa aonde, pois os efeitos são não locais.

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