4 de junho de 2026

Por falta de cadastro biométrico, 5,6 milhões não poderão votar

Medida atinge eleitor “com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precária”, alerta professora da UFC Juliana Diniz 
 
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Pelo menos 5,6 milhões de eleitores estão com os títulos cancelados pelo Tribunal Superior Eleitoral, isso porque não responderam à convocação para o cadastramento biométrico. O assunto ganhou as manchetes dos jornais apenas nesta semana, após o PSB ajuizar uma ação no Supremo Tribunal Federal para garantir a participação desses votantes. O quadro, observado como decisivo para o resultado eleitoral desde ano, foi apresentado pela doutora em direito e professora da Universidade Federal do Ceará, Juliana Diniz, em artigo para o jornal O Povo.
 
“Para que se tenha uma ideia da magnitude do impacto, a diferença de votos entre Dilma e Aécio no segundo turno de 2014 não ultrapassou os 3,5 milhões de votos, número inferior ao de cancelados”, aponta no texto que o GGN reproduz a seguir, na íntegra. 
 
Diniz ressalta que muitos cidadãos irão saber que seus títulos foram cancelados apenas no dia da eleição, e completa que a medida ainda não é obrigatória na capital, mas atinge eleitores “com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precária”, onde o TSE decidiu iniciar a implementação de biometria. Assim ela conclui que o resultado de medidas como esta, mal implementadas, “podem violar direitos ao invés de assegurar a lisura”.
 
 
 
As últimas pesquisas indicam que os candidatos precisarão conquistar alma a alma para se eleger, amansando rejeições ou convencendo indecisos. O resultado da eleição talvez dependa mais da burocracia que da campanha: mais de 5,6 milhões de eleitores não poderão votar por terem faltado à convocação da Justiça Eleitoral para o cadastramento biométrico obrigatório, conforme dados do TSE divulgados pelo Estadão. O cancelamento dos milhões de títulos tem o potencial de mudar o destino não só da disputa majoritária, mas também da composição dos Parlamentos. Por ignorância, boa parte desse eleitorado só saberá do cancelamento do seu título no dia da votação.
 
Os dados vieram à tona esta semana, depois que o PSB ajuizou ação no STF para garantir o direito de votar aos milhões de excluídos. O partido, que se manteve neutro na disputa presidencial, questiona o impacto dos cancelamentos na legitimidade das eleições. A ação revela um cenário dramático de violação de direitos políticos. Para que se tenha uma ideia da magnitude do impacto, a diferença de votos entre Dilma e Aécio no segundo turno de 2014 não ultrapassou os 3,5 milhões de votos, número inferior ao de cancelados. 
 
O cadastramento biométrico tem sido realizado por etapas. No Ceará, eleitores de pelo menos 129 municípios já deveriam ter passado pelo procedimento. Os números demonstram, contudo, que uma parcela considerável de votantes deixou de atender à convocação, indicando que seria necessário mais tempo para implantar adequadamente a medida. O total de cancelamentos no Estado em 2018 chega a 614.377 títulos: 77,4% desse total por falta de cadastramento biométrico. A medida ainda não é obrigatória para os eleitores da Capital. 
 
O Brasil é um exemplo mundial de eficiência em matéria de procedimento eleitoral. Graças à tecnologia, eleições com magnitude continental transcorrem com rapidez e segurança inigualáveis. O recurso à biometria busca a modernização do combate às fraudes e é louvável. A ação proposta no STF demonstra, contudo, que medidas mal planejadas, ainda que boas, podem violar direitos ao invés de assegurar a lisura. É intuitivo que o número maior de atingidos esteja entre eleitores com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precário. O risco à democracia é real num pleito que se decidirá voto a voto. Na tentativa de espantar eleitores fantasmas, acaba-se por criar, pela via burocrática, uma nova legião de excluídos. 
 
Juliana Diniz 
Doutora em Direito e professora da UFC 
 
 

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7 Comentários
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  1. Bruno Cabral

    23 de setembro de 2018 9:46 pm

    Detran e Policia ja tem as digitais
    Por que não simplesmente importar esses dados ao invés de triplicar o cadastro?

    1. Naldo

      24 de setembro de 2018 1:52 pm

      Essa biometria nem deveria
      Essa biometria nem deveria existir, qual os argumentos para justifica-lá?

      Os documentos de identificação eo título de eleitor já não bastam? Não tem fé pública?

  2. Naldo

    23 de setembro de 2018 10:34 pm

    Só agora prestaram atenção
    Só agora prestaram atenção nessa trolha que inventaram……….

    Eleição é direito do eleitor, qualquer invenção que restrinja esse direito é ilegal, há soluções mais baratas que essa tal.biometria….os partidos, principais interessados viram as costas pra essas invencionices.

  3. Luciano Prado

    24 de setembro de 2018 12:42 am

    Um absurdo!
    A convocação e
    Um absurdo!
    A convocação e publicidade desse cadastramento foi pífio em inúmeras regiões. Sequer se sabia sobre eventual cancelamento.
    Esse processo deve ser realizado a longo prazo e não de forma açodada e irresponsável como se pretendeu.
    Não se pode retirar mais esse direito do povo apenas por questões formais.

  4. Maria Rita

    24 de setembro de 2018 2:35 am

    Vejo que é preciso uma

    Vejo que é preciso uma investigação sobre o STE e a verba publicitária usada para divulgar informações importantes nas eleições. Soube hoje, depois de ler essa notícia, do cadastramento biométrico aqui em Miguel Pereira-RJ. Ele começou no início de abril e eu, 0 anos receberam qualquer informação. Acredito que o município vai apresentar, se seguir essa falha. o maior número de ausência de eleitores em Outubro. Estou revoltada com essa história. O STF vai ter que se pronunciar sobre essa tentativa de esvaziar a votação. =E parte do golpe, com STF e tudo?

  5. Maria Rita

    24 de setembro de 2018 2:40 am

    Meu texto saiu truncado. Só

    Meu texto saiu truncado. Só soube hoje, depois de ler a notícia, do cadastramento biométrico aqui em Miguel Pereira/RJ. Apesar de não precisar mais votar, tenho 72 anos, não soube nem tive informações sobre os prazos, que aqui teve início em abril. Minhas irmãs, que não tem ainda 70 anos, também não receberam nada.  Vai ser um dos municípios com maior abstenção de votos, isso de maneira arbitrária e fraudulenta. O STF tem a obrigação de resolver esse impasse. Ou é parte do golpe com STF e TUDO?

  6. jcordeiro

    24 de setembro de 2018 11:49 am

    Teoria ou Prática no TSE?

    Nassif: depois voce diz que nos do Povão vemos teoria da conspiração por todo canto. Mas não se trata de teoria. É prática mesmo. Veja que esses cancelamentos foram pontuais e alcançaram o eleitorado do SapoBarbudo.Serão 4.745.270 votos que se subtrairão do indicado do MelianteOperaríoNordestino. Rosinha (minha canoa) e Barrentão calcularam bem locais e pessoas. 

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