A arte contemporânea se constrói em conceitos cada vez mais complexos e subjetivos tão incompreensíveis quanto a obra em si. Mas, eis que vem Didi Mocó e desconstrói tudo…
do Obvious
O dia em que Didi Mocó desconstruiu a Arte Contemporânea
por Carlos Batalha
Bem… no meu texto anterior teve gente que me atribuiu um juízo de valor que em nenhum momento fiz. E isso seria dissipado se um “a” cedesse lugar a um “o”, talvez. E lá foi o debate para algo que nem foi posto. Mas fica a dica para mim mesmo de, quem sabe, ser mais claro… rs. Então, dessa vez, deixemos sem margem a dúvidas: vou fazer juízo de valor. Posto isso, sigamos.
Não tenho simpatia pela arte contemporânea. E, acredito, nem ela tem por mim. A teoria não me convence, e a prática não me comove.
Em 1917, Duchamp expôs um urinol no Salão dos Independentes de Nova York, lançando seu conceito de ready-made, onde a obra não era uma produção original, mas uma peça industrial comum retirada do seu contexto ordinário. Ou seja, qualquer coisa poderia ser transmutada em objeto de arte pelo simples deslocamento do uso comum. Praticamente uma alquimia. Bastava tirar o mictório do banheiro e colocá-lo na galeria do museu e pronto! Fez-se a luz! Curiosamente, ainda hoje figuras como Damien Hirst e Jeff Koons se utilizam desses truques, quase 100 anos depois!
Recentemente me deparei com a obra da foto aqui acima. Estava no meio de uma galeria bem vazia, sem qualquer coisa que a identificasse, contextualizasse e/ou explicasse. Não sei nem o nome do autor. O que mais me incomodou nem foi o fato de não ter tido qualquer sentimento pelo objeto em si. O que mais me deixou apreensivo foi não saber se o cubo de acrílico transparente fazia parte da obra ou se era apenas um objeto esquecido ali, talvez para apoiar um panfleto informativo. Ou seja, bastava alguém decretar e ou seria arte, ou seria nada.
Assim, a arte passa a ser qualquer coisa decretada como tal. Em 1975, Tom Wolfe, no ótimo “A Palavra Pintada”, apontou como esse é um conceito absurdo e escreveu: “O que via diante de mim era o crítico-chefe do New York Times dizendo que […] carecer de uma teoria convincente é carecer de algo crucial”. Ou seja, o próprio crítico admitia que de nada valia o objeto em si, mas sim a historinha que o artista conta pra tentar fazer daquilo alguma coisa.
Então, as obras se tornam arte por um sistema de validação que envolve apenas artistas e críticos. Ao público cabe aceitar o que se impõe. E se isso não fizer sentido, como disse a crítica Avelina Lésper, é por ser “ignorante, estúpido e diz-lhe com grande arrogância que, se não agrada é por que não apercebe“. Logo, “o espectador, para evitar ser chamado ignorante, não pode dizer aquilo que pensa, uma vez que, para esta arte, todo público que não submete-se a ela é imbecil, ignorante e nunca estará a altura da peça exposta ou do artista por trás dela”.
Mas, quem melhor criticou esse conceito que faz o tudo e o nada serem arte, desde que ungidos como tal, foi o maior personagem humorístico da história brasileira (na minha opinião): Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbo! Numa esquete, Didi é o caixa de um mercadinho e vai atender Chico Anysio, o próprio (se o programa tivesse pretensão de arte os críticos babariam pela metalinguagem dialética entre o real e o fictício…). Empolgado em ver o ídolo, Didi bajula Chico como se não houvesse amanhã. Lá pelas tantas, pergunta:
“Chico, poderia me dar um pornógrafo?”. E Chico:
“Autógrafo? Sim, claro. Tem caneta?”. Então, eis que Didi subverte a lógica e questiona toda a relação entre o valor em si da coisa e o valor atribuído pela intenção, disparando:
“Tô sem caneta, mas escreve aqui na máquina”, e saca uma máquina de escrever. Incrédulo, Chico pergunta:
“Autografar com a máquina?”. E Didi, mais fundo na subversão dos valores, explica:
“Chegar em casa eu passo a limpo”. E, pra finalizar, ainda comenta, enquanto Chico datilografava:
“Muito bonita sua letra. É igual dos livros que eu leio!”
Nesse diálogo genial, de alguns poucos segundos, Didi resume a grande questão da arte atual: a arte se valida pelo valor em si de uma obra produzida, ou se torna arte pelo conceito atribuído a algo que antes não tinha valor algum? A intenção de Chico Anysio em produzir um autógrafo é tão válida quanto um autógrafo que foi efetivamente produzido? E após passado a limpo, a intenção prevalece sobre a produção?
Assim é a arte contemporânea: um autógrafo feito na máquina e passado a limpo…
Carlos Batalha – Arquitetura e urbanismo por formação, estratégia digital por profissão, leituras por diversão..
Rui Ribeiro
11 de janeiro de 2017 11:00 amEm outras palavras, basta dizer que um limão é uma limonada
E todos passam a mastigar o limão, crente abafando que estão a tomar suco. É massa. Se parece com aquela historinha do Hans Christian Andersen, A Nova Roupa do Rei, no trecho em que o Ministro da Cultura diz ao Rei, acerca de uma roupa fictícia:
“— É um trabalho sublime… em seus aspectos de inconcretude material… hã… uma obra-prima em sua fundamentalidade semântica… e visualidade signica… hã… o imagético e o invisível se fundem num todo de… hã… expectativas estético-formais… neste simulacro crítico… se percebe a função… hã… as funções, semióticas… da transcendente imaterialidade da arte… Assim, neste procedimento referencial do não-objeto… hã… em sua virtual vacuidade… o deslocamento do olhar… em sua intensa… hã… re-significação… a obscurecer ao limite extremo… toda e qualquer possibilidade de reflexão perceptiva… hã… insere-se nesta vertiginosa… pós-modernidade… hã… Mas, por outro lado… o discurso estético… das poéticas da segunda metade do século XX … hã…”.
Até que sua Majestade o interrompe com um “Basta, já entendi”.
Rui Ribeiro
11 de janeiro de 2017 3:19 pmÊ, ê, ê! Ganhei 10 Estrelas
Estou me beliscando para ver se sou eu mesmo. 10 Estrelas?
Clever Mendes de Oliveira
12 de janeiro de 2017 2:52 amVocê está bêbedo?
Rui Ribeiro (quarta-feira, 11/01/2017 às 13:19),
Não pergunto pelo seu texto anterior, mas ao que me parece são só cinco.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/01/2017
João de Paiva
11 de janeiro de 2017 11:00 amEste artigo inspirou-me a escrever uma crônica.
Prezados,
Há tempos tenho a intenção de escrever uma crônica sobre o tema tratado neste artigo, o qual surge como perfeita e oportuna motivação/provocação.
Ao contrário do autor, não considero Renato Aragão (criador do personagem Didi Mocó, do qual não consegue se desvencilhar) o maior comediante brasileiro nem Didi Mocó o maior personagem humorístico da história brasileira. O próprio Chico Anysio, cearense como Aragão, criou mais de uma centena de personagens (não apenas um, como Aragão) e dentre esses representou os mais diversos tipos brasileiros, desde políticos e empresários canalhas, alcoólatras/bebuns, jogadores de futebol que não sabem se expressar, homossexuais de comportamento afetado ou discreto, coronéis, artistas que falam muito e nada dizem (como o impagável Alberto Roberto), dentre tantos outros. Opinião cada um tem a sua. Mas opinião não é argumento. Eu poderia elencar vários outros argumentos para mostrar que Renato Aragão não é o maior comediante brasileiro nem Diddi Mocó o maior personagem humorístico da história brasileira, mas não considero isso necessário.
O esquete citado pelo articulista é marcante e não sai da memória de quem pôde vê-lo. Quanto ao contéudo crítico do artigo em relação ao que se convencionou chamr de arte contemporânea, achei muito interessante e corajosa a postura do autor. O cidadão comum se sente inibido em expressar o que sente pensa a respeito daquilo que é exposto como arte contemporânea, como muito bem mostrado no 6º parágrafo do texto. Vou imprimir este texto, relê-lo mais algumas vezes e escrever a crônica que me veio à cabeça.
Andre Araujo
11 de janeiro de 2017 3:43 pmChico Anysio é de longe o
Chico Anysio é de longe o maior humorista brasileiro pela quantidade de personagens e pela perfeita captação das caracteristicas dos “tipos brasileiros”, ninguem como ele teve tal criatividade. Aragão um horror, comicidade primaria
e humor grosseiro, não tem refinamento, sutileza ou verve, é mera palhaçada de circo.
Didico
11 de janeiro de 2017 7:14 pmRenato Aragão não tem a
Renato Aragão não tem a mínima condição de ser citado como melhor humorista. Na globo, assumia o papel do que sempre levava vantagem em detrimento dos outros. Pra ficar no nível dos Trapalhões, Dedé Santana é que levava o grupo nas costas. Outro humorista que admirei foi José Vasconcellos, capaz de fazer show solo, coisa que o Didi nem chegaria perto.
Nos últimos tempos do show do Didi (ou seja lá que nome era), tinha a impressão que era feito para débeis mentais.
Didi ganhava 80 % do cachê dos trapalhões na globo, os outros 3, 20 %, ou seja, cada um deles recebia menos que 1/10 do Didi.
aqua
11 de janeiro de 2017 11:27 amNão é nem por discordar
Achei o texto ótimo, com a reflexão a partir de um exemplo muito singular etc. Mas a “peça de arte” em si achei bem interessante, cheia de conotações etc (mesmo sem entender o cubo também)
Cesar Ferreira
11 de janeiro de 2017 10:52 pmSe visse essa obra sem saber
Se visse essa obra sem saber que era uma peça de exposição num canto de uma borracharia cheia de sucatas como é normal vermos, ainda acharia igualmente interessante e cheia de conotações?
DENIS DE CARVALHO
11 de janeiro de 2017 11:31 amBravo, bravíssimo!
BienalZeca
Bravo, bravíssimo!
Bienal
e
Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta
Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
“Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone”
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana
Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina
Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria
Alan Souza
11 de janeiro de 2017 11:44 amE o pior é que o público aceita…
Jeff Koons se intitula “pintor e escultor”, mas ele mesmo coloca como característica da sua arte o fato de não executar nada, ele tem uma equipe que faz tudo. Está riquíssimo.
Damien Hirst teve a fortuna estimada em mais de 360 milhões de dólares. Só num leilão em 2008 ele embolsou mais de 80 milhões de euros.
Se você achar críticos que validem sua arte feita com qualquer coisa, parabéns, você estará mais rico do que poderia sonhar e terá garantido a fortuna de três gerações…
João de Paiva
11 de janeiro de 2017 12:10 pmEntão João Dólar se inspirou em Jeff Koons?
Não moro mais em São Paulo e talvez nem o conseguisse, depois que a cidade o estado foram tomados pelo anti-petismo e anti-esquerdismo patotógicos e pelo ódio nazifascista, que emburrece brutaliza as pessoas, levando-as a cometer massacres como aquele ocorrido em Campinas, na noite de réveillon. A primeira frase do seu comentário dá pistas de que além daquele livro de auto-ajuda (As 48 leis para se coquistar o poder ou algo parecido), o dublê de prefeito, João Dólar Jr., hoje na prefeitura paulistana, parece ter se inspirado em Jeff Koons.
Rui Ribeiro
11 de janeiro de 2017 12:16 pmEnquanto isso, Van gogh morreu na miséria extrema
Como diria os Dire Straits, money for nothing
João de Paiva
11 de janeiro de 2017 12:25 pmEntão João Dólar se inspirou em Jeff Koons?
Não moro mais em São Paulo e talvez nem o conseguisse, depois que a cidade o estado foram tomados pelo anti-petismo e anti-esquerdismo patotógicos e pelo ódio nazifascista, que emburrece brutaliza as pessoas, levando-as a cometer massacres como aquele ocorrido em Campinas, na noite de réveillon. A primeira frase do seu comentário dá pistas de que além daquele livro de auto-ajuda (As 48 leis para se coquistar o poder ou algo parecido), o dublê de prefeito, João Dólar Jr., hoje na prefeitura paulistana, parece ter se inspirado em Jeff Koons.
Ivan de Union
11 de janeiro de 2017 12:42 pmKoons… doi! E nao eh
Koons… doi! E nao eh pouco.
Alan Souza
11 de janeiro de 2017 1:33 pmDói na vista!
Essa aí, da série Made in Heaven, retratando ele e a Cicciolina:
Cafezá
11 de janeiro de 2017 12:44 pmJeff Koons é lixo puro. Se me
Jeff Koons é lixo puro. Se me dessem uma obra dele, eu a jogaria no lixo imediatamente.
Alan Souza
11 de janeiro de 2017 1:27 pmFaça isso não, Cafezá
Aproveite que nasce um otário por minuto, e venda a obra por alguns milhares de dóares ou euros. Sempre haverá um americano deslumbrado, um milionário russo com kitsch na veia ou alguma socialite brasileira disposta a pagar por isso.
Ferreira.C
11 de janeiro de 2017 11:58 amDidi e Hitler
Carlos Batalha
Didi e Hitler
Carlos Batalha é apenas um ignorante, o problema não é a arte em si, mas a necessidade da crítica em explicá-la, o que não é um problema dos artistas.
Enfim, um sujeito que considera Didi Mocó o maior humorista brasileiro só podia fazer esse tipo de comentário mesmo, e compartilhar da mesma visão que o os nazistas nutriam pela arte moderna. Didi Mocó e Hitler, fundamentos intelectuais de Carlos Batalha!
Carlos FM
11 de janeiro de 2017 12:00 pmArte da preguiça
Gostei do artigo. Eu também só gosto de artista que sabe e gosta de trabalhar.
solle
11 de janeiro de 2017 12:07 pmexcelente este site
excelente este site obviousmag.org.
Cafezá
11 de janeiro de 2017 12:37 pmGostei da canoa velha com as
Gostei da canoa velha com as câmaras de ar. A canoa está sobre um plástico preto enrolado nas bordas como se fosse ondas. O autor procura mostrar que a embarcação está navegando, mas há a ausência de pessoas, e não poderia haver, pois não existe espaço suficiente. E, mesmo que as pessoas vestissem as câmaras, também seria impossível, uma vez que elas aumentariam a largura dos seus corpos, de modo a ultrapassar o espaço da canoa.
O desejo do autor, portanto, na estranheza dessa obra, é o de lançar o sentido da ausência nos seres humanos. No oco das câmaras salva-vidas impera a ausência, questionando: Se há câmaras de ar salva-vidas, por que não há ninguém? Ou há, mas no absurdo de um mundo de ausência e estupefação diante da existência humana, a presença, ou a ausência de seres humanos, é, ao mesmo tempo, questionável e indiferente. O ser humano existe de fato? Será que existe no coletivo? Mas como, se na canoa só existe espaço para duas pessoas? Que canoa composta de modo tão estranho! O autor traz ao público indagações pertinentes.
E a pequena caixa transparente vazia corrobora o sentido de ausência? Não há nada dentro dela, senão ar, bem como só há ar dentro das câmaras de borracha salva-vidas. Qual o sentido estar no mundo e submeter-se à existência humana tão vazia, tão oca?
Ivan de Union
11 de janeiro de 2017 12:52 pmEmbromation por embromation…
Eh um triangulo existencial ja que os pneus so ficam cheios por causa das cameras, que so boiam por causa do ar, enquanto a canoa so boia por causa da agua. E o cubo cheio de ar esta la em contraposicao ao triangulo invisiv…
pinheiro
11 de janeiro de 2017 1:04 pmOi??? sugiro diminuir ou
Oi??? sugiro diminuir ou parar de vez com o uso de qq tipo de substancia deleteria…
Paulo Nunes1
11 de janeiro de 2017 7:14 pmse me permite, resumindo sua
se me permite, resumindo sua interpretação da imagem da canoa: sobre um mar de boias murchas, que a ninguém podem salvar, as boias cheias se salvam numa pequena canoa. ou ainda: num mundo de boias salvavidas, as que ainda prestam para alguma coisa precisam se salvar, ainda que seja numa canoa…
gostei da foto, vou colocar na capa do meu facebook
antonio francisco
12 de janeiro de 2017 6:34 pmPerfeito, Cafezá!
Você nos mostra de modo nada sutil que João, – aquele – estava certíssimo quando afirmou que no princípio era a Palavra. (A que uns chamaram de Verbo, nos tempos antigos).
Ela veio antes, e continua a fornecer o norte. De nada valem objetos e coisas sem que a palavra possa deles dizer algo.
Muito bonito o que você viu ao se deparar com uma aparente canoa e câmaras de ar.
Se a canoa não virar, a gente acaba chegando lá.
Maria Silva
11 de janeiro de 2017 12:54 pmEu não entendo e não engulo nada disso …
Pra mim artista plastico tem que saber desenhar e pintar como Leonardo da Vinci e esculpir como Michelangelo … Os impressionistas são interessantes por que de longe vc consegue ver o que foi pintado. E Picasso pra mim é lixo … pronto, falei.
Rui Ribeiro
11 de janeiro de 2017 3:27 pmJá eu, Maria Silva, acho que tudo vale a pena se a alma é grande
Infelizmente esse não é o caso do Rafinha, por exemplo, cuja alma só é visível com um microscópio ultrapotente.
Mas a alma do Picasso é tão grande quanto a do Salvador Dali e a do Ozzy Osbourne. Não sei porque o Bill Ward foi excluído. Vai ver que o Cara está, de fato, cardíaco. Mas cardiáco também tem contas a pagar, pois tem que sobreviver. Pode ser que o Ozzy tenha razão. Mas quem sabe do Bill Ward é ele próprio, não o Iommi, pois o Baixista já lhe deu régua, compasso e uma NIB.
Zé Trindade
11 de janeiro de 2017 1:25 pmA Arte
A Arte Moderna…..
https://youtu.be/qZN_MsWyD5o
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151028_museu_faxineira_ab
Anabi Resende Filho
11 de janeiro de 2017 2:36 pmArte Conteporânea
Olha, independente de quaisquer conotações sobre o exemplo apresentado, seu texto é brilhante. O exemplo que você cita do Renato Aragão pode não ter sido feito com a mínima consciência de que estava desconstruindo a arte contemporânea, mas a sua sinapse em se apropriar daquele quadro para desconstruir a arte contemporânea é que foi, verdadeiramente, feliz.
Obrigado.
Artaud
11 de janeiro de 2017 2:51 pmEnxergar não é o mesmo que olhar.
“O Grito”, do pintor Edvard Munch, tem sido simbolicamente, aqui e no mundo, utilizado para representar os males e tragédias desse nosso tempo.
Um simbolismo que vai além de muitos e longos textos que tentam traduzir os horrores desses tempos modernos. Que extrapola o discurso. Um signo que caberia, por exemplo, como tradução para esse Brasil que hoje habitamos.
Mas, para alguns trata-se, o quadro, de um desenho mal feito, feio e bobo. Nada mais, nada menos.
Marcelo Melo
11 de janeiro de 2017 3:04 pmConservador
O texto é conservador, traduz o pensamento coxinha nas artes plásticas. Principalmente no que diz respeito a atual onda de ataques ao tal “politicamente correto”, que resulta no sagrado direito de urrar sua boçalidade e ser aplaudido.
O urinol do Duchamp faz exatamente o contrário do que o autor sugere. Ele quebra a parede do museu, é a maior contestação que houve na história quanto ao tal “sistema de validação que envolve apenas artistas e críticos”.
É claro que o público a princípio vai prefirir as referências antigas, por puro moralismo. Daí vem figuras como esse crítico querendo reconstruir a parede do museu, para manter tudo em seu devido lugar (no museu, só artista, que “sabe desenhar”, que usa bico de pena para assinar).
O espectador, para evitar ser chamado ignorante, não precisa evitar “aquilo que pensa”, mas aproximar-se com outro olhar e com outros questionamentos.
PFacundo
11 de janeiro de 2017 3:55 pmSem entrar no mérito do
Sem entrar no mérito do texto. Adjetivou na primeira oração. Perdeu de plano.
Marcelo Melo
12 de janeiro de 2017 4:50 amAh, entendi. Como amantes das
Ah, entendi. Como amantes das “Belas Artes” você curte regrinhas.
Carlos Cunha
11 de janeiro de 2017 4:34 pmConservador?
Desculpe, mas o que é o “pensamento coxinha nas artes plásticas”? Deve ser algo ruim, pois ruim é o termo “coxinha” quando adjetivo neste blog.
Não concordo com o texto, mas menos ainda com o seu comentário. Você foi agressivo epreconceituoso. O tal crítico não deseja “reconstruir paredes do museu” apenas questiona o conceito de arte. Da mesma maneira que não posso afastar o artístico em algo que não me atinge, não posso impô-lo se a obra só me atinge, justificando que os outros “se aproximaram com outros olhar e com outros questionamentos.”. O crítico talvez seja moderno exatamente por questionar o conceito de arte. Hoje a afirmação conservadora é a sua, pois é aceita pela maioria dos entendidos. O questionamento é válido, tanto que sua resposta foi agressiva.
Arte tem um caráter pessoal e menosprezar quem não concorda e superestimar quem concorda não tem nada de artístico.Só intolerância.
Abraço
Marcelo Melo
12 de janeiro de 2017 4:52 amMas quem menosprezou foi ele.
Mas quem menosprezou foi ele. Só faltou o clássico “isso até eu faço”.
Eduardo Pereira
11 de janeiro de 2017 11:53 pmNão sou coxinha
Cara , não sou coxinha nem conservador , mas para mim a arte está morta já faz tempo !
O que se tem na música , artes plásticas etc , nos dias de hoje , é puro lixo !
Não deixa de refletir a crise existencial por que passa o planeta !
Tristes tempos de bonança tecno-científica,mas pobre de humanismo!
Precisamos de um novo Renascimento , principalmente da essência humana , atirada ao lixo !
Esse é o problema central do homem “moderno”!
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 12:21 amO urinol do Duchamp faz
O urinol do Duchamp faz exatamente o contrário do que o autor sugere. Ele quebra a parede do museu, é a maior contestação que houve na história quanto ao tal “sistema de validação que envolve apenas artistas e críticos”.
Você faz uma afirmação sem maiores explicações… Primeiro não se pode medir tal contestação e daí afirmar que ela foi a maior. Em segundo lugar que a validação da arte não dependia de artistas e críticos, dependia de colecionadores e ricos patrocinadores.
O ponto é que pouco importa o objetivo de Duchamp, o fato é que a arte conceitual tem a peculiaridade do artista não precisar ter talento e técnica; basta ter idéias interessantes. Essa possibilidade não é um mal em si, mas na prática permite que artistas medíocres possam prevalecer por força de terem boas relações pessoais e comerciais. As famosas panelas; esse é o problema.
Marcelo Melo
12 de janeiro de 2017 5:11 amMaior da História é força de
Maior da História é força de expressão, óbvio que não dá pra afirmar esse tipo de coisa. Mas depois de cem anos a provocação ainda reverbera.
Mas vejamos:
“o fato é que a arte conceitual tem a peculiaridade do artista não precisar ter talento e técnica; basta ter idéias interessantes. Essa possibilidade não é um mal em si, mas na prática permite que artistas medíocres possam prevalecer por força de terem boas relações pessoais e comerciais. As famosas panelas; esse é o problema.”
Claro que precisa ter talento e técnica. Não nos moldes do século XIX, é claro, mas numa relação bem mais complexa com os objetos e com o público.
E claro que é raro encontrar, em qualquer área, pessoas com ideias interessantes.
O que permite que medíocres se prevaleçam apenas por conta de relações pessoais não é a arte conceitual, mas um público ignorante.
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 1:47 pmClaro que precisa ter talento
Claro que precisa ter talento e técnica. Não nos moldes do século XIX, é claro, mas numa relação bem mais complexa com os objetos e com o público.
Defina essa técnica e como se aprende relacionar objetos com o público…
A verdade é que isso não existe. Os artistas de arte conceitual têm uma idéia aleatória produzida pelo seu modo particular de pensar e daí concebem uma instalação qualquer. Eu conversei com alguns artistas, e a verdade é que o processo é sem estudo ou método algum. É tudo na base da “criatividade” naturalmente… Qualquer um pode se colocar no lugar deles e se propor a fazer uma obra conceitual; e se não tiver a capacidade de construir os objetos sempre poderá usar operários e artesãos para executá-la.
O que permite que medíocres se prevaleçam apenas por conta de relações pessoais não é a arte conceitual, mas um público ignorante.
Isso quer dizer que o público do século 19 era menos ignorante do que o público de hoje ou quer dizer que as experiências estéticas elaboradas pelos artistas de hoje estão mais herméticas e pobres de universalidade?… Qual lado a culpar então?
Por favor, culpar o público pela ruína da arte conceitual é o fim.
Maria Luisa
11 de janeiro de 2017 4:30 pmThat’s the question
O artista plasticos francês Ben Vautier até hoje pergunta se tudo é arte ? E ai, é ou não é? Quem decide? Quais os conceitos?
Cesar Ferreira
11 de janeiro de 2017 9:48 pmArte não é passível de
Arte não é passível de subjetividade e juízos de valor como muitos elitistas tentam impor… Arte é toda obra (objetos/informação) que objetiva causar uma experiência emocional/intelectual.
Por exemplo, um copo de vidro, fora algum aspecto estético intencional, é um objeto utilitário. Se então pegarmos esse copo de vidro e o colocarmos no limite da borda de uma mesa para fazer um observador ficar aflito isso literalmente será fazer arte.
Rui Ribeiro
11 de janeiro de 2017 11:00 pmAh! Tá. Vc quer dizer que Gimme Shelter e Eguinha Pocotó.
Você tá querendo me convencer que Eguinha Pocotó é arte do mesmo nível que Solitude, do Black Sabbath?
Ah, Criatura, vai lamber sabão.
Sei que todos devemos ser artistas no nosso convívio mas achar que Luana Santana é artista é tão artista que nem o Cazuza é muita miséria estética. Não viaja.
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 8:17 pm…
Repare, uma coisa é definir o que é arte, outra é dizer o que é qualidade ou excelência.
Assim, se eu desejo me aventurar a fazer alguma obra de arte não é você nem panela nenhuma que vai me dizer que o que eu faço não é arte. O muito que você e pretensos entendedores poderão dizer é que a arte do fulano é medíocre, mas nunca dizer ou tirar o direito de alguém ser um artista ou fazer arte.
Mas se não está satisfeito com meu argumento, que tal dar sua definição do que seja arte. Talvez fique mais claro a sua intenção crítica.
Veri
11 de janeiro de 2017 6:10 pmAndré Araújo, achei que você gostasse dos palhaços
A arte circense também é sublime. Adoro. Além de que a tirada do Didi do pornógrafo foi jenial. Só não sei porque ele não disse ‘Muito bonita sua caligrafia. É igual dos livros que eu leio’, em vez de dizer “Muito bonita sua letra. É igual dos livros que eu leio!” A girada ficaria divina.
Claro que caligrafia deriva das palavras gregas cali, que significa bonita, e grafia, que significa escrita. É o elo de ligação.
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 12:24 am…a arte se valida pelo
…a arte se valida pelo valor em si de uma obra produzida, ou se torna arte pelo conceito atribuído a algo que antes não tinha valor algum?
Apesar de minha área profissional ser engenharia, artes plásticas é um assunto que aprecio e frequentemente acompanho discussões sobre essa questão de como definir arte.
Um lugar comum dessas discussões é o uso de argumentos subjetivos e conceitos arbitrários. A *melhor* delas que já ouvi é que arte seria aquilo que um artista faz!
Dessas discussões tirei algumas conclusões e acredito que posso responder a pergunta do Carlos Batalha…
—
Primeiro podemos definir objetivamente que obra de arte é toda construção que visa causar uma experiência emocional ou intelectual. Ponto.
Tal objetivo não tem porque implicar em qualquer restrição a materiais e objetos para a construção da obra. Porém, em minha opinião, a obra de arte precisa causar a experiência sem depender de contextos.
Isto é, se eu colocasse a obra da foto acima num canto de um sebo ela passaria despercebida como obra de arte. O mesmo pode-se dizer da “fonte” de Duchamp caso fosse colocada no canto de um banheiro público ou caso o barco com as bóias estivessem num canto de uma velha e bagunçada borracharia…
Já um quadro de Vangogh, uma escultura de Rodin, um móbile de Calder, ou mesmo uma instalação como “Ascension” de Anish Kapoor, todas funcionam e se apresentam como obras de arte independente de onde estiverem.
Rui Ribeiro
12 de janeiro de 2017 12:28 pmSocorram-me, subi no ônibus em Marrocos
Por falar em Black Sabbath, Iommi, como o palíndromo acima, é um guitarrista indo e voltando. Seus riffs e solos originam-se na sétima esfera.
Por falar em esferas, numa vila, um sujeito acordou certo dia e, sem ter o que fazer, decidiu que ia se tornar poeta. Prá começo de conversa, escreveu dois poemas e foi na casa do poeta oficial do povoado mostar ao referido poeta os seus dois poemas prá ver o que ele achava. Chegando lá, contou que tinha se tornado poeta e que já tinha produzido dois poemas, pedindo ao poeta que lesse o primeiro poema. O poeta leu. O recém-poeta perguntou o que o Poeta Oficial da Vila tinha achado. Este respondeu: “O segundo poema que você escreveu é melhor do que este primeiro”. O Recém-Poeta pergunta-lhe:
– Se você não leu o meu segundo poema, como é que você sabe que ele é melhor do que este primeiro?
O poeta oficial responde:
– É que não existe um poema pior do que este que eu li.
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 1:55 pm– É que não existe um poema
– É que não existe um poema pior do que este que eu li.
Ou seja, o “Poeta Oficial” disse que era um poema, ainda que péssimo. E quem escreve poemas, ruins ou não, é o quê?
antonio francisco
12 de janeiro de 2017 1:16 pmIsto não é um cachimbo
René Magritte:
Cesar Ferreira
12 de janeiro de 2017 9:35 pm“Isso não é Arte!”
Para que não me entendam errado dos comentários que fiz aqui…
Uma coisa que sou crítico é a arte ruim que vemos em profusão na arte contemporânea. Porém noto que a reação a essa arte ruim é sempre pelo lado de tentar definir ARTE colocando critérios de valor. Só que esse caminho no fundo é a mesma atitude que leva a arte medíocre ser tratada como genial.
Isto é, quando estabelecemos critérios estamos também estabelecendo barreiras convenientes para nós mesmos e não necessariamente estabelecendo verdades universais. Exatamente o mecanismo pelo qual o establishment artístico faz para preservar seus feudos e ditar o que é artisticamente relevante segundo seus interesses.
Ou seja, cair no lugar comum de que o rótulo “arte” vincula-se a critérios de valor é implicitamente dizer que precisamos de um especialista, ou ser um, para identificar esses critérios. Só que ser um “especialista” implica por sua vez em ser reconhecido como tal, e assim voltamos à armadilha de depender de “panelinhas” para ditar quem é e quem não é ignorante no assunto.
Melhor caminho é simplesmente aceitar “obra de arte” como tudo que pretenda ser arte adotando como único critério objetivo que a obra não dependa de contextos e explicações para ser reconhecido como obra de arte.
E aceitar que a relevância ou qualidade da obra depende do público ao qual ela é voltada… O que é bom pra mim pode ser ruim para você e vice-versa importando apenas que não exista uma imposição de nenhum dos lados.