
Enviado por Gilberto Cruvinel
O menino (Marcos Vinícius) de sua mãe, por Fernando Pessoa
Fernando Pessoa por Paulo Autran
“O menino de sua mãe”
Fernando Pessoa.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece..
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
.
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
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Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). – 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.
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vídeo: Fernando Pessoa por Paulo Autran
Spin GGNauta
22 de junho de 2018 9:46 pmParabéns lavaleiros,
Parabéns lavaleiros, golpistas e Instituições que existem para manter ad infinitum esse sistema de morte
emerson57
22 de junho de 2018 10:36 pmBrasil
Esse o Brasil que a globo quer.
Maria M.
23 de junho de 2018 10:55 amTão jovem…Ainda carregava
Tão jovem…Ainda carregava seu material de escola…E antes de morrer, teve tempo de se indignar ao perceber que esses policiais não se importam com o povo do país em que vivem.
Alfredo Carlos Rangel
23 de junho de 2018 2:09 pmComentário à postagem
País do ópio, do roubo, do logor, do desrespeito, do crime… Mas o mundial de futebol está aí… Agora o povo se levanta… Para gritar “Brasil”… Povo sem raça…