
Celebrando um grande herói brasileiro
por Rui Daher
Pensaram em quem? Erraram. Seria impossível acertar. Precisariam pensar profundamente no caráter dos brasileiros, especialmente, na maioria de suas elites econômicas.
Nosso caráter foi estudado e escrito em obras de grandes pensadores brasileiros, historiadores, sociólogos, cientistas políticos, antropólogos, jornalistas, escritores e juristas de alto reconhecimento intelectual, mundo afora. Meu pouco leitorado sabe de quem falo.
Com poucos anos de história, muito de sofrimento e nada de proeminência, poucas conclusões foram tiradas. Parece-me correto, aceitar o apelido que o jornalista e escritor, Ivan Lessa, nos dava de “Bananão”.
Hoje em dia, parece-me mais fácil perceber uma nação em acelerada decomposição. Do sadio e promissor, em meio século, passamos à podridão de não reconhecermos o próximo, à ponto de referenciar o ritual católico da missa e a ele subordinarmos os direitos dos próximos. Em suas missas rezam por quem? Seus umbigos e familiares? Encantador.
Qual o grande herói brasileiro, que resume todo o caráter de vocês, amigos e desafetos, que transformaram a sociedade brasileira em um amontoado de alienados? Não adivinharam? Não se veem nele?
Ora, ora, pois, meu amor lusitano pede que eu o revele: Oscar Maroni Filho, dono de um prostíbulo em São Paulo, várias vezes condenado e absolvido pela Justiça brasileira. É como os considero, amigos e desafetos, que apoiaram o impeachment da honesta Dilma Rossuff e a prisão sem provas de Lula. Oscar merece, como vocês, estarem na Wikipedia, heróis que são.
Esse senhor, careca, feio, corpulento, altissonante, além de dono de um antro de prostituição e de escravatura sexual de mulheres, comemorou, como muitos de vocês, discretos que são, pois noblesse oblige, oferecendo cerveja grátis aos fregueses e furões (a trepada lá, dizem, ser cara), caso Lula fosse preso.
Mais: se alguém matar o ex-presidente na prisão, oferecerá cerveja grátis por um mês. Não acredito ser cevada de alta qualidade.
A figura é de Jundiaí/SP, tem 67 anos, diz ser psicólogo (vai saber), e é dono de uma casa de prostituição, em São Paulo. Tem grana e patrimônio e, como os de vocês, cabe a cada um entender as origens.
Diz ter tido relações com mais de duas mil mulheres. Creio que, entre elas, nenhuma feminista que me acompanha ou criticou, o artigo que escrevi elogiando a beleza de Marcela Temer. Faria o mesmo com Manuela D’Ávila.
Essa pústula da sociedade brasileira começou a ser lembrada, quando o culparam, por edifício por ele construído nas rotas de pouso em Congonhas. Não acredito na merda (alguém autorizou), como não o fiz quando a mídia desonesta quis jogar isso nas costas de Lula. Até hoje pouso em Congonhas sem qualquer problema que possa culpar Maroni ou Lula pelo acidente. Mas, na memória tupiniquim, a mídia fez isso ficar por conta de Lula e não do rufião.
Com puteiro explícito, estabelecido para facilitar a prostituição e tráfico de mulheres, depois do trânsito em julgado, Oscar Maroni Filho saiu livre. Os desembargadores deram provimento ao seu recurso de apelação, com fundamento no artigo 386, inciso III do CPP Código do Processo Penal. “Não constitui o fato em infração penal”. Lula não teve tal consideração.
Daí que, feministas, saibam: escravizar sexualmente mulheres é legal e pode ser comemorado com cerveja. Quero vê-las protestando na porta do Bahamas, como protestaram diante de artigo meu, no GGN, saudando com respeito a beleza de Marcela Temer.
Conforme se informa, o Bahamas tem 23 suítes luxuosas para encontros íntimos (vejo Aécio e Moro numa dessas suítes). Quando ocorrem eventos na cidade de São Paulo, recebe em média cerca de 400 clientes diários, e com isso organizam shows eróticos com garotas de programas. O Bahamas Hotel Club, após ter ganho na justiça, há dois anos, está em pleno funcionamento.
Não é mesmo a cara de vocês, que festejaram com fogos o encarceramento de Lula e tomaram cerveja macabra à porta do Bahamas, propriedade de herói brasileiro que promove nossa honestidade? Óiem vocês aí na ilustração.
André Oliveira
8 de abril de 2018 8:15 pmEsse canalha mancha a imagem
Esse canalha mancha a imagem da honesta profissão das putas.
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:37 pmAndré,
concordo plenamente. Ele as explora e escraviza. Pior, usa uma profissão séria para se promover.
Abraços
Rodrigo Roal
8 de abril de 2018 8:33 pmOscar Maroni Filho: porco de guerra
[video:https://youtu.be/LQUXuQ6Zd9w%5D
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:34 pmGrande Rodrigo,
nada melhor que Ozzy Osbourne para lidar com porcos de guerra como esse canalha. Peço desculpa aos porcos, eles são melhores que Oscar Maroni.
Obrigado e abraços
Rodrigo Roal
9 de abril de 2018 4:24 pmSalve Rui Daher
Grande articulista,
O ódio de um espírito de porco como o Moroni pelo Lula e o PT é o “4” resultante da soma de “2” com “2”, como você sabe melhor do que eu:
Consequência lógica das politicas sociais dignificantes espraiadas durante os governos petistas. Isso fez aumentar o preço de mercado da carne fresca , porque diminuiu a quantidade de gente disposta a se deixar explorar no bordel geral do Brasil.
Seguindo estritamente a lei do mercado, com a mão de obra mais cara os lucros do escroque cairam.
Mas agora, com o auxílio das providências lavajateiras, a putaria foi devidamente restituída ao seu lugar de honra e assim está dando até para distribuir cerveja a rodo para os manifestoches.
Abração!
Rui Daher
9 de abril de 2018 6:13 pmVerdade, Rodrigo
A eles sempre a grana na frente, não importa se ilícita e escravizante. Abs
ze sergio
8 de abril de 2018 9:50 pmcelebrando….
Então a República se resumiu a discutir com um cafetão?! 40 anos e chegamos a isto? E dizem não entender a Latrina/2018? O Brasil se explica.
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:29 pmZé Sérgio,
Símbolos também precisam ser combatidos, principalmente se cafetões. Leia Marx quando fala na superestrutura em sociedades complexas ou, mais recente, Pierre Bourdieu. Essa insistência nihilista de nada serve. Apenas cansa.
Abraços
Roberto
8 de abril de 2018 9:54 pmA imagem que ilustra o texto
A imagem que ilustra o texto lembra muito um dos 72 da G.O.E.T.I.A queria eu ter a parafernália necessária e buscar por justiça. Que D’us me perdoe!
Francisco de Assis
8 de abril de 2018 10:25 pmJUDICADURA GRAN PUTEIRO BRASIL E SEUS SUPREMOS HERÓIS
JUDICADURA GRAN PUTEIRO BRASIL E SEUS SUPREMOS HERÓIS
ze sergio
9 de abril de 2018 11:22 amJUDICADURA…..
Cazuza foi aquele ‘burguesinho’ da Vieira Souto e Ipanema, nascido em berço de ouro, filho de Diretor da RGT, alavancado por Som Livre, como a maioria da sua geração musical. ELITE que são sempre os outros. “Cachorro atrás do rabo” não sabe ainda porque não sai do lugar?! E tem quem diz não entender a Latrina/2018? É o fruto da árvore plantada há 40 anos redemocratas. O Brasil é de muito fácil explicação.
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:24 pmZé Sérgio,
Cazuza foi um dos maiores poetas da música brasileira. Seus adjetivos-chavões são medíocres perto da obra que ele nos deixou.
Abraços
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:22 pmFrancisco,
Essa imagem deveria ser divulgada no mundo, para que todos conheçam quem manda no Brasil. Não devemos temer (ops!) mostrar nossas vergonhas.
Abraços
Eduardo Outro
8 de abril de 2018 11:59 pmSeus textos, caro Rui, são
Seus textos, caro Rui, são sempre contundentes. Alternando estilo sério com golhofas, a mensagem chega. Quando os leio situo-me sempre no contraponto, poucas vezes no contraditório. Se o texto é sério procuro acrescentar uma galhofa. Se é “galhofeiro”, embora a mensagem sempre seja séria, tento ver o outro extremo. Isso dito, não concordo com sua galhofa. Meu herói, hoje, é Lula. Também a Mariele, e mais alguns e algumas. Não pela materialidade deles, Mariele precisou morrer para tomarmos conhecimento de quanto heroica era. Lula pode morrer, de morte morrida ou não, herói sempre será. Não estou me defendendo, não. Entendi a mensagem. É que, infelizmente, esse ser abjeto não é herói de ninguém. Fosse ele o herói brasileiro do momento nossa situação seria bem mais suportável. Esse indivíduo talvez seja apenas “uma pessoa horrível, com pitadas de psicopatia”, mas o mal que provoca é circunscrito, um ponto, e só atinge de verdade àqueles que compartilham, voluntariamente, exceção talvez das mulheres, seu ambiente. Heróis dessa turba furiosa, aneuroniada, fascista, truculenta, não são proxenetas, são pessoas de bem, meritocráticas, tão meritocráticas, que sequestraram o poder. Tanto mérito que adquiriram direito a auxilio moradia mesmo tendo casa própria, a destituir presidenta, a condenar sem provas. Alguns se dão o direito de recusar comida para agradar a Deus, para que a benção divina só recaia sobre eles. O prostíbulo é uma capelinha de interior perto do bacanal dos verdadeiros heróis brasileiros.
Rui Daher
9 de abril de 2018 1:18 pmCaro Eduardo,
meus sentimentos íntimos, de fund’alma como diria o Serafim de meu boteco, são idênticos aos seus, em cada palavra escrita você. Mas, infelizmente, meu momento é de fúria e nada me indignou mais do que esse rufião fez e continuará fazendo.
Abraços