4 de junho de 2026

História do Golpe: A estratégia política do denuncismo

Artigo publicado originalmente em 20/11/2011

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É curioso como está se processando o xadrez político. Em muitos aspectos, lembra bastante o pré-64 – o que não significa necessariamente que o desfecho será o mesmo.

Dilma assumiu pretendendo acabar com a polarização política dos últimos anos. Fez acenos em direção aos jornais, colocou-se acima dos partidos e do próprio PT, afastou-se dos sindicatos – no início, com imprudência, depois com cuidado – e da blogosfera.

Um dos pontos centrais da sua estratégia foi o de aceitar as denúncias contra Ministros. Fez como o lutador de judô que calibra o golpe aproveitando o embalo do adversário.

Nas primeiras rodadas, acumulou pontos. Na sequência, o jogo está indefinido. Essa estratégia fortaleceu o denuncismo de forma nunca vista desde a campanha do “mensalão”. Aparentemente a presidente saiu ilesa, por não estar no centro do fogo que está consumindo seus ministros.

Só aparentemente. O ímpeto redobrado com que a velha mídia coloca os ministros em fila e os vai fuzilando conseguiu criar no seio da classe média midiática o mesmo clima do “mar de lama” de Getúlio e Jango.

Repito: não significa que o desfecho será o mesmo. Significa que o cadinho de cultura para um golpe é o mesmo.

Por que se usa a palavra “golpe” com tanta semcerimônia? Pela relevante razão de que, quando se adota o “denuncismo” como estratégia política única, o caminho democrático só é viável quando se tem um candidato competitivo empunhando a bandeira – como Jânio Quadros, por exemplo. Nas circunstâncias atuais, não existe um Jânio no meio do caminho da oposição.

Assim como em 1964, não há uma oposição política com musculatura, com projetos claros de poder, candidatos competitivos. José Serra é carta fora do baralho. Nos seus primeiros movimentos, Aécio Neves não mostrou estatura política. Geraldo Alckmin não conseguirá avançar além da província.

Candidatos de maior potencial – como Eduardo Campos – estão fora, por enquanto, do leque de alianças da velha mídia, além de ser de um Estado fora do eixo politico do sudeste. Resta o quê, então?

A história, quando se repete em tempo real, permite um estupendo aprendizado. A partir do que ocorre agora, é possível mergulhar no passado, intuir sobre o que foi o dia a dia político de outras crises, como as que tolheram Vargas e Jango, ou mesmo como teria sido a habilidade política de JK, toureando as diversas tentativas de golpes.

A história é um jogador de xadrez caprichoso, que vai utilizando as circunstâncias para redefinir o papel das peças do tabuleiro. Jornalistas, políticos, de história de lutas contra a intolerância, contra o arbítrio, de repente são colocados em um novo papel, intolerante, fora do reino das ideias, para se situar exclusivamente na tática de salientar a corrupção, no “mar de lamas”, no perigo Chávez, utilizando o mesmo repertório que o grande Afonso Arinos – um oposicionista civilizado – considerava fora de moda em 1964.

Naqueles tempos, havia as Forças Armadas no fim da estratégia.

E agora? Confesso que não sei.

Numa ponta tem-se o avanço das novas mídias, novos grupos jornalísticos tirando a influência da velha mídia, novos jornais de papel, os portais exercendo um contraponto ao menos no reino da audiência e da publicidade.

Mas é inegável que a ideologia predominante do jornalismo formal ainda é pautado pelo pacto dos quatro – Globo, Abril, Folha e Estadão. E, fora de períodos eleitorais, a opinião pública midiática permanece com inegável influência.

Por seu lado, a blogosfera ainda fala para uma militância. Faz o contraponto, desconstroi factóides, mas não forma opinião ainda, a não ser a dos convertidos.

Na física (ou na química) há determinados corpos em equilíbrio até que ocorre um fato qualquer que provoca o desequilíbrio. Esses movimentos mudam totalmente a força dos agentes internos.

O pilar do equilíbrio atual é o quadro econômico razoavelmente estável. Em caso de crise econômica – uma hipótese por enquanto (felizmente) fora do horizonte – esse cadinho de indignação plantado diariamente pela velha mídia terá desfechos imprevisíveis. Há amplo espaço no horizonte para a ampliação ilimitada da radicalização.

Será um belo desafio para Dilma Rousseff e seu maior aliado, Lula.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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29 Comentários
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  1. emerson57

    27 de fevereiro de 2018 11:43 pm

    1964

    Voltamos a 1964. Os militares governam. Mais um pouco treme e sua turma vão presos. Cairá o rei de paus, o rei de espadas e não restará nada.

    Será que vai ser resolvido o problema globo? E a desnacionalização dos ativos? E o judiciário? Qual Brasil despertará amanhã? Quanto tempo durará a noite?

    Logo, antes do que se espera, conheceremos as respostas.

  2. bfcosta

    27 de fevereiro de 2018 11:47 pm

    Para quem quiser ver o link
    Para quem quiser ver o link do original:

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-estrategia-politica-do-denuncismo

    Não consegui acessar mas seria um exercício interessante reler alguns comentários da época.

    1. Cássio Pereira

      28 de fevereiro de 2018 1:56 am

      Está disponível, o comentário

      Está disponível, o comentário do Franscisco de Assis é uma profecia concretizada

       

      … Não precisa haver líder nem eleição para completar o golpe. A direita já tem o seu caminho “democrático”, o seu “líder” é Michel Temer, e a “finalização” é do STF. Esta é uma “estratégia” já testada com sucesso em Honduras. Só para lembrar: por que será que o PIG em peso defende o golpe em Honduras com com unhas e dentes até hoje, mesmo após o próprio embaixador americano naquele país ter reconhecido (v. Wikileaks) que houve um golpe em Honduras ?…

  3. Antonio Carlos Silva - Brasil

    28 de fevereiro de 2018 12:23 am

    O início do fim do apoio dos integrantes dos supreminhos e pgr.

    “…Um dos pontos centrais da sua estratégia foi o de aceitar as denúncias contra Ministros. Fez como o lutador de judô que calibra o golpe aproveitando o embalo do adversário…”

    Se no momento de grande apoio popular, Dilma utilizasse a instituição Presidência da República para formar uma aliança estratégica com intergrantes do supreminho e lideranças da câmara federal e senado, para combater os linchamentos da mídia chantagista, os barões da mídia corrupta e apátrida seriam detonados .

    Ao contrário, Dilma preferiu ignorar os ataques covardes da velha mídia aos políticos aliados e também aos ministrinhos do supreminho (lembram da faca no pescoço do Lewandovisk ?) e consequentemente colecionar poderosos adversários nos partidos políticos e no stf/pgr .

    Deu nisso aí, um golpe vitaminado pelos desqualificados gurgel, fux, weber, aires brito, toffoli, janot etc etc… 

    1. Antonio Carlos Silva - Brasil

      28 de fevereiro de 2018 12:31 am

      São três poderes, mais a

      São três poderes, mais a poderosíssima mídia corrupta .

      Bastaria ela compor uma aliança com os chantageados ( partidos políticos apoiadores do governo e integrantes dos supreminhos) para detonar os chantageadores (GRoubo, Revista Lixo, Rede Bandalha, Folha ditabranda,  etc…) .

      Mas, infelizmente, Dilma desdenhou o sofrimento dos que foram atacados (lembram da faca no pescoço de Lwandovisk ?) e passou a colecionar canalhas inimigos que vitaminaram o golpe de 2016 .

       

  4. jossimar

    28 de fevereiro de 2018 1:00 am

    Podemos ver agora como a

    Podemos ver agora como a Dilma e o Zé foram idiotas e cairam direitinho na armação da mídia.

    Ainda me pergunto como um presidente pode ser golpeado por bandidos sem que tenha feito UM ÚNICO pronunciamento em rede nacional para defender seu governo.

    1. André élebê

      1 de março de 2018 2:04 pm

        Não tenho dúvidas de que

        Não tenho dúvidas de que Dilma é tão honesta quanto péssima em política, mas o Zé… tenha no mínimo severas dúvidas em relação a ele. Lá estava ele, dia desses, confraternizando com Gilmar Mendes.

        Tenho para mim que o “Zé”, ex-advogado de Daniel Dantas, não vale o que come. Ao menos para a esquerda.

  5. Henrique Finco

    28 de fevereiro de 2018 2:07 am

    Premonição?

    O artigo do Nassif mostra como uma análise bem feita dos eventos pode servir como bússola para o futuro. Infelizmente, estamos apenas no meio do roteiro: daqui para a frente os movimentos ficam cada vez mais imprevisíveis, embora seja provável vá mais fundo, com os militares tomando as rédeas, e sem eleições em 2018 – eleições que provavelmente não fariam muito diferença, tal a manipulação da mídia e as possibilidades de fraude…

  6. naldo

    28 de fevereiro de 2018 2:18 am

    Dilma surfava noas altos

    Dilma surfava noas altos índices de aprovação,

     

    jogou os ministros ao mar sem dó……só parou quando atingiu seu amigo Pimentel, me lembro que a maioria era contra essa atitude e a criticavam. Se afastou dos movimentos sociais e quis ser aceita pelo capital, tomou uma rasteira, mas não foi por falta de aviso….. 

  7. jose carlos lima...

    28 de fevereiro de 2018 2:35 am

    Outro texto de Nassif que

    Outro texto de Nassif que repercutiu e que deveria ser reprisado: o que abordou a questão militar no governo Temer…..

  8. Rpv

    28 de fevereiro de 2018 2:47 am

    Bem lembrado Nassif

    A Dilma, aliás como grande parte do PT, particularmente seus quadros oriundos da classe média, apesar de iniciar sua trajetória política no PDT de Brizola, tem um ranço udenista. Ou seja, um discurso moralista. Trata-se de uma estratégia de auto-afirmação: “não sou rico, mas sou honesto. O que tenho ganhei com meu esforço e por meus méritos”. Não vou entrar no julgamento moral dessa afirmação.

    Assim, a Dilma dizia: “não vai sobrar pedra sobre pedra”. Pensava ela: “eu sou honesta, não cometi crime, pode vir prender todo mundo. Eu acho até bom. Assim, me livra de um bocado de corrupto com os quais sou obrigada a dialogar.”

    Ah, tem um candidato que tem um discurso igualzinho, não vou citar para não aumentar a cizânia no time dos nacionalistas democratas. Além disso, também queria observar que não se trata aqui de um julgamento moral das pessoas, mas uma leitura da realidade. Do pondo de vista moral, considero a Dilma é uma das mulheres mais íntegras, corajosas e tecnicamente competentes do Brasil. O nosso amigo, também considero íntegro e tecnicamente competente. Fecha o parêntese.

    É, realmente, não sobrou pedra sobre pedra, e não foi só da esquerda e da direita, mas da democracia brasileira e, consequentemente, do próprio país que está sendo vendido a preço de banana – como republiqueta. Claro, como esse pessoal não é amador, quem está sendo condenado, preso ou respondendo processo são os principais quadros e lideranças do PT, pois nenhum quadro ou liderança do PSDB foi sequer julgado. E dá-lhe rigor e boa técnica jurídica. Republicanismo na veia.

    Reparem o preço que o país paga pelo ingênuo moralismo da classe média. Nesse caso, até os juízes e promotores são vítimas dessa sua condição de classe médíocre, sic. Afinal, eles não passam de serviçais do grande capital financeiro nacional e internacional, e se acham salvadores da pátria, pessoas de bem, lutadores pela moral e os bons constumes, etc. Porém, vivem assustados nas ruas com tanta violência que ajudam a alimentar. Seus filhos não podem sair a noite tranquilos.

    O que a classe média feita de imbecil (JS) não percebe é que a realidade político-econômica é uma luta entre FORTES e FRACOS, não entre bonzinhos competentes e corruptos safados. E os fortes, são as grandes potências, grandes multinacionais estrangeiras, Globo, o capital financeiro nacional e internacional. Essa é a realidade da luta política. Renan, Jáder, empreiteiras (em especial Odebrecht) são o lado fraco da história. Simples assim. Mas, quem é feito de cego, pela sua falsa ideologia do mérito, não consegue perceber a realidade das relações de força que imperam na sociedade de qualquer país, rico ou pobre.

    Por fim, não poderia citar a mediocridade colonizada do pensamento da classe média, na clássica a passagem do livro do Jessé, Elite do Atraso, onde ele transcreve três discuros idênticos na sua essência (os pressupostos teóricos são os mesmos) do Dallagnol, do Barroso e do Haddad. Todos eles vêem como o maior mal do país o patrimonialismo, cujo sintoma é a corrupção.  Por isso, todos defedem que devemos combater esse mal incrustado no seio do Estado – uma herança da nossa origem ibérica. Aliás, esse mal, logicamente, se manifesta de forma mais catastrófica quando representantes das classes populares são eleitos para governar o Brasil. Aí, é a “tempestade perfeita”: populismo + patrimonialismo. E o resultado disso é a máxima corrupção. O mar de lama de Getúlio. O populismo de JK (com sua gastança desenfreada e a corrupção correndo solta na construção de Brasília). A república sindicalista de Jango. A corrupção do PT de Lula e Dilma. Nessas situações, a classe média descobre que só tem uma solução para o Brasil: privatizar tudo e entregar o país para os militares tomarem de conta. Claro que essa não é a receita dos três, mas o diagnóstico deles parece que, infelizmente, é o mesmo. Afinal, todos chegaram onde estão pelo seu próprio esforço e seus méritos. Nisso, desconfio que eles concordam em gênero, número e grau. Então, essa conversa de luta social, política, geopolítica, como eles não viveram, não existe. Mesmo porque, eles, como toda classe média, é formada por “self made won/man”.

    Eis o resultado da inteligência de nossa classe medíocre, a qual, por não entender de poder (embora sejam técnicamente competentes), é incapaz de governar. E, por isso, é governada por quem entende e sabe que não existe governo de honestos contra corruptos, mas fortes e intelignentes contra fracos e ingênuos. Lembrando que aqueles que entendem dessa dinâmica do poder, não são os padilhas, temer, etchegoyen, mas os Setúbal, Sales, Safra, Marinhos, Lemanh, Morgan, os Chineses, Ingleses, etc.

    Para encerar. Aqueles que insistem na sua ideologia moral de classe média, é preciso lembrar que não existe um indivíduo, o que há é uma sociedade. Ninguém vira doutor numa iha deserta. Também ninguém pode ser bonzinho com quem cobra mais de 200% de juro ao ano no cartão de crédito ou mais de 300% no cheque especial.

    Então, primeiro você ganha força para enfrentar os fortes, depois você molda seu governo conforme sua moral. Ou seja, primeiro garantimos a democracia, depois melhoramos ela. Não dá para melhorar algo que não existe. Não dá para governar com que náo quer ser político, ou foi incapaz de se eleger. Isso é conformismo? Não, é um convite. Filie-se num partido de esquerda para melhorá-lo. Seja candidato para ganhar e aperfeiçoar a democracia brasileira. Não seja ingênuo. O mais forte, impõe sua vontade sobre o fraco. Sem força, não tem jogo.

  9. ANOR FIORINI

    28 de fevereiro de 2018 3:04 am

    Cantou a pedra …

    Nassif cantou a pedra … nós ficamos aqui em baixo pensando que eles dariam conta de governar. Bem fez  Chavez … criou sua midia formadora … enquanto na Colômbia há 3 milhoes na miséria … a Venezuela está fora do mapa da fome … com isso falta Vinho importado na prateleira … mas não falta arroz na mesa a imensa maioria … por isso Maduro não cai de maduro … por aqui a esquerda ainda está verde … 

  10. Marcos K

    28 de fevereiro de 2018 8:39 am

    Só sei que a esquerda

    Só sei que a esquerda brasileira é de um amadorismo estarrecedor. Tem o dom de não aprender nada com a história e repetir sempre os mesmos erros.

    Tivesse o PT, por exemplo, feito um pacto com o Eduardo Cunha e talvez tudo isso poderia ter sido evitado. Pelo menos pra mim foi um erro tático inacreditável entre tantos que o PT cometeu. Ignorar o poder da comunicação social e se afastar dos sindicatos foram outros. 

    E olha, não foi por falta de aviso…

  11. Paulo Dantas

    28 de fevereiro de 2018 10:27 am

    Dilma nomeou ministros

    Dilma nomeou ministros que deram margem à denúncias …

    Talvez o erro primário esteja aí.

    1. Roberto Monteiro

      28 de fevereiro de 2018 11:55 am

      Seria um erro necessário

      por conta da tal governabilidade. Seria diferente se escolhesse a dedo os imaculados? Quando querem dar um golpe, de uma forma ou de outra, arrumam um jeitinho. Plantar provas, criar crises, usar a mídia amiga, o judiciário cúmplice… munição não falta aos golpistas.

    2. andre rs t

      28 de fevereiro de 2018 12:34 pm

      Nada a ver. Depois revelou-se

      Nada a ver. Depois revelou-se que praticamente todos eram inocentes. Era um grande complô sincronizado pela velha midia: vários cães de guarda  latindo contra Dilma.

  12. CB

    28 de fevereiro de 2018 11:37 am

    Eu sei que lá na outra ponta,

    Eu sei que lá na outra ponta, sabe-se lá quando, mais esta ditadura terminará. Os golpistas de 2016 e seus colaboradores sairão impunes como sairam aqueles que apoiaram o golpe e a ditadura de 1964 para que possam conspirar outro golpe no futuro? A ditadura de 1964 cancelou a eleição de 1965 para impedir a volta de JK. O objetivo agora é impedir a volta de Lula, resta saber a maneira como isso se dará.

  13. Lucinei

    28 de fevereiro de 2018 12:05 pm

    Entao, perdem uma, duas, tres
    Entao, perdem uma, duas, tres eleiçoes seguidas, partem para a canela da coalizao vencedora – e, no limite, pra melar o jogo – e a culpa é… de quem tomou o chute na canela?!

    O “erro” foi apanhar calada; perder a comunicaçao por W.O., por excesso de “cavalheirismo” e medinho de chamada de “bolivariana” e outras estultices. Ora, já era chamada mesmo, e os estupidos estão aí, triunfantes! Pelo menos nao os deixava falando sozinhos, ora, ora.

    Deu no que deu, e nao foi por falta de aviso.

    É bom lembrar e já no começo de 2012 foi anunciada a redução da energia. A infraestrutura estava contratada e os juros eram cadentes. Em setembro de 2012, quando chegaram ao nivel mais baixo (alem de, hoje se sabe, ter demitido os ladroes da Petrobras e de Furnas), o golpe foi deflagrado.

    Era o Sr. FH percorrendo os salões promovendo o “todos contra o PT, PT, PT.”

    Um ano depois de amargar a terceira derrota eleitoral em artigo que falava em “bater bumbo pra classe media”.

  14. Álvaro Noites

    28 de fevereiro de 2018 12:44 pm

    Artigo profético, me lembro

    Artigo profético, me lembro bem dele, porém, não imaginava que se tratava de uma profecia e não de um cenário a ser anulado.

  15. Juliano Santos

    28 de fevereiro de 2018 12:46 pm

    E o xadrez do Nassif na

    E o xadrez do Nassif na verdade era uma bola de cristal. Esse cara é bom.

    Já que o blog está num clima revival, eu não pude deixar de reviiver os sentimentos que tinha em relação à Dilma. Todo respeito à sua história de vida. Uma jovem de classe média que arriscou sua vida por um ideal. Aguentou tortura e tudo mais. Sua integridade e idealismo, nada disso impediu de sentir raiva de sua incompetência como política.

    Erros atrás de erros, com poucos acertos. Na escolha dos assessores e conselheiros. Na ingenuidade obtusa de achar que o denuncismo junto com os superpoderes do MP iria fazer o trabalho sujo de livrá-la de ter que lidar com a gangue do PMDB.

    Quem se livrou de quem? E pior, a lava a jato não apenas colocou o Vampirão no poder. Desmontou a economia e a soberania brasileira. 

    Infelizmente em termos de política a nossa ex-presidenta é das piores que a esquerda já teve. A mais honesta talvez, mas e daí? Somos agora uma colônia num estado de exceção.

  16. André élebê

    28 de fevereiro de 2018 12:58 pm

      Muitos de nós já prevíamos

      Muitos de nós já prevíamos a possibilidade de problemas. O Nassif, contudo, foi bem longe.

      Aproveito para republicar comentário meu aqui mesmo no blog, de 08.12.2010.

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-refundacao-do-psdb

    https://oleododiabo.blogspot.com.br/2010/12/perspectivas-tucanas-para-2014.html

     Acredito ser muito “otimista” a visão da maioria dos comentaristas a respeito do papel do PSDB. Estão todos acreditando que o PT já errou o que tinha para errar e que o PSDB não vai mais dar uma dentro. Acredito ser importante lembrar do seguinte:

      1) Cenário econômico externo. Apesar do importantíssimo e recente-antes-tarde-do-que-nunca desenvolvimento de um mercado interno mais forte no Brasil e da pequena inserção no mercado externo, estamos sujeitos a uma nova rodada de problemas econômicos mundo afora. Na Europa a crise ameaça se alastrar ainda mais, os EUA passarão alguns anos sem absorver mais do que estão fazendo agora e o FED já sinalizou que pretende insistir no aumento da base monetária do dólar e a China, nosso grande mercado de commodities, emite alguns sinais de bolhas internas. o biênio 2012-2013 pode trazer um crescimento econômico bem menor ao Brasil, com reflexos eleitorais em 2014. 

      2) Cenário econômico interno. Ampliando o dito acima, uma pequena diminuição do valor das commodities aliada ao esgotamento do modelo de ampliação do crédito – que em breve pode ser mais controlado, como o próximo presidente do Bc já sinalizou –  podem não só diminuir o crescimento econômico como também criar entre a população a sensação de “esgotamento do modelo”: em, digamos, 2013 já terão se passado cerca de 6-7 anos de melhora econômica quase contínua, e uma maior dificuldade em financiar um carro novo causa descontentamento.

      3) Câmbio. O atual cenário aponta para um maior ferramental à disposição do BC, mas será interessante ver o efeito do Pré-sal sobre o câmbio e contas públicas. Não à toa já se fala em exploração gradual das reservas petrolíferas.

      4) Ausência de maior debate político. À primeira vista pode parecer exagero para alguns, já que ainda estamos sob as impressões da guerra suja deste ano, mas mal se discutiram projetos, o que de resto não atrai muito o eleitor médio brasileiro, talvez (acredito ser o caso) ainda vítima da desarticulação sócio-político-institucional empreendida pelos militares, cenário que apenas décadas de vida democrática CONTÍNUA podem reverter. Enfim, a ausência desse debate tende a transformar os partidos em tábua rasa ideológica, saltando aos olhos em demasia o lado prático/midiático das administrações – “rouba mas faz” é uma síntese perfeita e ainda válida (mais recentemente, “é caro mas funciona”, etc).

      5) Apoio midiático. É muito difícil não enxergar o apoio da grande mídia ao PSDB ou, em outras palavras, que a mídia mostra muito mais escândalos ocorrendo no PT/base aliada que  no PSDB/base aliada. Ao se passear pelos comentários de leitores dos veículos escritos, verifica-se ser consolidada a visão dos mesmos que o PT é muito mais corrupto. Verdade ou não (acredito que não) e independente do número de leitores/assinantes desses meios estarem diminuindo, a visão da mídia ainda é um fator, e assim se manterá ainda durante o período 2011-2014. Por exemplo, aposto 5 pra 1 que a grande mídia focará as mazelas brasileiras na Copa do Mundo de 2014.

      5a) Mídia. Espera-se um enfraquecimento da mesma, mas isso não ocorrerá tão em breve. O Marco Regulatório não sairá como esperado: é importante lembrar que o fiel da balança no Congresso, o PMDB, conta entre seus quadros muitos controladores de rádio e televisão, que se encarregarão de diluir muito do teor modernizante do projeto. Claro, entrarão novos grupos no mercado de mídia, mas não terão força ou interesse de desempenhar um papel distinto do da “velha mídia” antes de 2014.

      6) Escândalos políticos. É muita ingenuidade acreditar que durante a próxima legislatura não estourará algum escândalo político entre a base aliada. O atual sistema político não só permite, mas incentiva tais acontecimentos, seja qual for o presidente/primeiro-ministro/monarca. Óbvio, haverá exploração política do(s) episódio(s), na tentativa de diminuir o peso de Dilma e de Lula (“foi ele que botou ela lá”).

      7) Oposição. A oposição diminuiu de tamanho, mas sua estridência não demorará a se fazer sentir. Vitórias nas eleições municipais serão vistas como “derrota do governo” (federal), e provavelmente a disputa Alckmin-Aécio passará a esquentar nesse momento, depois de 1 ano e meio em banho-maria. Difícil especular o que vem depois, mas acredito que a eleição municipal de São Paulo será importante termômetro: ganhando o bloco PSDB/DEM, ponto para Alckmin; ganhando outro bloco (difícil pensar em alternativa ao bloco do PT), ponto muito maior para Aécio.

      8) Aécio. Ele é ponto específico do tabuleiro oposicionista. Penso ser sintomático que a Folha passou a abrir espaço para críticas à gestão estadual paulista (e não diretamente a Serra, cuja gestão só é personificada em casos positivos), ao mesmo tempo em que Aécio é entrevistado no Roda Viva (Tv do governo paulista) e aparecendo com largo sorriso em fotos nos jornais. Não tenho visto o Jornal Nacional, mas não sei se ou como ele tem aparecido, o que seria interessante verificar.

      Minha conclusão: será difícil, mas não impossível, para a presidente Dilma manter o clima de otimismo em relação ao futuro nos anos finais de seu mandato. A oposição começará a se mexer para valer em 2012, iniciando para já um tímido mas crescente apoio ao “renovador” Aécio. Acredito que seu sucesso vai depender dos fatores que descrevi, mas esperem sentados um fim do PSDB. Acredito que o partido já bateu no fundo do poço e inicia ano que vem um fortalecimento – em novas bases, mesmo que ilusórias. O descalabro dos governos FHC já está muito esquecido, tanto que vem lentamente ganhando força a versão de que o “Plano Real de FHC foi o que permitiu o avanço do Brasil de Lula”. Se importa a alguém, considero o PSDB um partido nefasto, mas o que acho não importa.

     

  17. Victor Suarez

    28 de fevereiro de 2018 1:29 pm

    Por essas razões Dilma foi

    Por essas razões Dilma foi jogada à fogueira por todos, incluindo o PT. Mas o PT pagará caro por essa vingança.

    Dilma deixou um vácuo de poder em tudo. MP, PGR, Empresas públicas, Movimentos Sociais, Ministérios. Todos queriam mandar e não demorou para ela ser apunhalada pelas costas.

    O lado bom disso é que TODAS as máscaras caíram. Judiciário, STF, Congresso, PGR, PF. Graças a Dilma sabemos que a PF é aecista, que o MPF é um vendido, que Moro foi forjado nos EUA para trair o Brasil, que Aécio além de ladrão é assassino, sabemos agora o papel destruidor das igrejas petencostais, sabemos do papel do PMDB no parasitismo nacional.

    No entanto, o maior problema é que o Brasil é um país rico em capacidade e em possibilidade mas tem uma elite (ncluindo os acadêmicos) vassala e simplista. Essa diáspora para Portugal é a DERROTA. A classe média nacional não quer produzir, somente parasitar, haja vista esse imoral AUXÍLIO MORADIA, dentre outras tantas imoralidades aceitas passivamente por uma sociedade medíocre.

    Dilma foi sabotada, errou, mas não deve ser crucificada em nome de um povo que não luta por nada e que não se vê como uma Nação.

  18. Renato Lazzari

    28 de fevereiro de 2018 1:55 pm

    Resultou que o desfecho está

    Resultou que o desfecho está sendo o mesmo de ’64.

    Agora dizer que Dilma poderia ter contido a avassaladora onda do capital que destrói nosso país é esquecer-se de que essa onda está destruindo todas as soberanias nacionais de países que usam o dólar. Talvez a única forma de conter essa onda seja algo como faz a Venezuela.

    E não adianta reclamar. Da mesma forma como se acusa Dilma de ter facilitado a entrada do nefasto capital desregulado… ou melhor, regulado pelas firmas privadas que o detém, pode-se acusar, sem erro, o capital de provocar reações como a venezuelana.

  19. jose adailton v ribeiro

    28 de fevereiro de 2018 1:58 pm

    Pobre país

    Base de sustentação de um governante de esquerda?

    “Fez acenos em direção aos jornais, colocou-se acima dos partidos e do próprio PT, afastou-se dos sindicatos – no início, com imprudência, depois com cuidado – e da blogosfera.”

    Se um governo tivesse condições de prover adequadamente a nação de suas necessidades sociais seria imensamente fortalecido politicamente , com suporte para quanticar à realidade o apoio de simpatizantes político partidário. Ao mesmo tempo poderia neutralizar as forças conspiradoras do poder capitalista. Numa democracia utópica isto é possível.

     

  20. joel lima

    28 de fevereiro de 2018 8:17 pm

    O grande “se” que nunca

    O grande “se” que nunca teremos resposta = e se Lula tivesse disputado em 2014, e não Dilma? E qual foi a cartada de Dilma pra Lula não se impor a ela e disputar 14. Poderia ter havido um golpe, sim, e até poderia Lula ter sido derrubado – mas não seria o 7 x 1 que foi o impeachment de Dilma. 

    Mas isso de nada mais adianta na prática. Cai na discussão de 64, se o Goulart deveria ter batido o pé e ficado – e Goular decidiu não fazer isso pra não ter uma guerra civil – ao custo de 21 anos de ditadura. 

    1. Clever Mendes de Oliveira

      3 de março de 2018 9:46 pm

      Antes de inventar outro passado é preciso entender o presente

       

      Joel Lima (quarta-feira, 28/02/2018 às 17:17),

      A questão que deve ser feita é se a política que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff tentou por em execução no segundo governo dela estava correta. Eu creio que sim. E ela teve o mérito de reconhecer que precisava mudar a política econômica. Não há, entretanto, um estudo aprofundado sobre essa questão. Era preciso que as pessoas realmente entendessem o que ocorreu na economia brasileira desde 2011.

      Pelo que eu avalio, a política da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff era correta em razão da crise do Balanço de Pagamentos e em razão da queda do preço das commodities verificada na mudança do terceiro para o quarto trimestre de 2014. Queda do preço que levaria a desvalorizações das moedas de periferia.

      Quanto a candidatura de Lula em 2014, é preciso observar que sendo a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff fruto do prestigio e empenho de Lula, a substituição dela por Lula iria ser um anátema para Lula. Ele seria culpado por ter indicado uma pessoa incompete como fazia crer todos que eram contra a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Então para Lula era melhor que ele não a substituísse, pois nesse caso haveria um grande risco de derrota dele.

      Se, entretanto, Lula fosse o candidato em 2014, e vencesse, seria preciso saber se ele teria a coragem de tomar as medidas econômicas que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff tentou tomar.

      Se tivesse tomado as medidas necessárias que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff tomou talvez ele sofresse a mesma descrença por parte da população que sofreu a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff, diante das três pressões pela desvalorização da moeda que ocorreram no último trimestre de 2014, na virada do primeiro para o segundo semestre de 201 e no período de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016.

      É claro que a primeira pressão teria ocorrido ainda no governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Sobraria para Lula, entretanto, enfrentar as duas crises cambiais que se seguiram a primeira mencionada acima, isto é, a uma nova pressão pela desvalorização da moeda em virtude de uma segunda queda do preço de commodities na mudança do primeiro para o segundo semestre de 2015 e a terceira pressão pela desvalorização da moeda que se manteve de dezembro de 2015 até fevereiro de 2016.

      É claro que com o carisma dele diante da população, ele podia impedir o golpe.

      É preciso, entretanto, observar que ao contrário do que diz Paulo F. que em comentário enviado aqui para este post afirmou que ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff desconhecia o ditado espanhol “Cría cuervos que te sacarán los ojos”. Os corvos existem há muito tempo. Eles sabem que a melhor forma de prevê o futuro é cria-lo, e assim nem mesmo precisam do momento apropriado para arrancar os olhos de quem assim querem, pois os que eles bem sabem é fazer o momento adequado acontecer.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 03/03/2018

  21. Paulo F.

    1 de março de 2018 2:39 pm

    quando se apoia em duas canoas acaba-se caindo no mar!

    Dilma fez a política economica que se esperaria de Aécio.

    E deu uma solene banana para aqueles que a elegeram e eram a sua base de apóio!

    Finalmente ela deve desconhecer o ditado espanhol: “Cría cuervos que te sacarán los ojos”

    1. Clever Mendes de Oliveira

      3 de março de 2018 8:57 pm

      Os corvos já existiam, esperaram apenas a oportunidade

       

      Paulo F. (quinta-feira, 01/03/2018 às 11:39),

      Acompanho seus comentários quase todos eles muito bons. Este, entretanto, parece-me que cai na vala comum do entendimento de Luis Nassif sobre o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff e que foi reprisado sobremaneira aqui no blog. Aliás, este post é um exemplo disso pois é a mesma crítica sendo reprisada com ares de profecia.

      Fiz referência no comentário que enviei sábado, 03/03/2018 às 00:24, para Luis Nassif, aqui neste post a comentário que enviei quinta-feira, 07/09/2017 às 15:26, para Junior 5 Estrelas junto ao comentário dele de quinta-feira, 31/08/2017 às 10:29, lá no post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” de quarta-feira, 30/08/2017 às 00:32, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele. O endereço do post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” eu já o indiquei no referido comentário.

      Chamo atenção para o meu comentário para Junior 5 Estrelas porque em meu comentário eu faço menção a vários artigos e posts que explicam as medidas do segundo governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. De todo modo o texto mais importante para este entendimento é o artigo (post) do economista da Unicamp Fernando Nogueira da Costa intitulado “Tática fiscalista e estratégia social-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” de quarta-feira, 03/12/2014 às 16:04, aqui no blog de Luis Nassif em que ele defendia a nova direção da política econômica da presidenta Dilma Rousseff como se pode ver no post que está disponível no seguinte endereço:

      https://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/tatica-fiscalista-e-estrategia-social-desenvolvimentista-por-fernando-n-da-costa

      Então no segundo governo da ex-presidenta às custas do Dilma Rousseff, ela não fez “a política econômica que se esperaria de Aécio”.

      Nem se a pode acusar de ter dado “uma solene banana para aqueles que a elegeram e eram a sua base de apoio”. O que me pareceu mais provável foi um comportamento ambíguo do PT um tanto por medo de não ter condições de enfrentar a grande maioria de direita que acabou se elegendo e outro tanto por medo de a política econômica a ser posta em prática não desse os resultados almejados.

      Não diria que o PT deu uma solene banana para a ex-presidenta às custas do Dilma Rousseff, nem diria que o efeito da falta de apoio do PT equivaleria a uma banana, pois na verdade a força do PT hoje no parlamento é muito pequena e, portanto, mesmo com o apoio total e firme do PT a ex-presidenta às custas do Dilma Rousseff não contaria com forças suficientes para enfrentar o golpe que fizeram contra ela.

      Assim, em meu entendimento, a ex-presidenta às custas do Dilma Rousseff não criou corvos que depois arrancaram-lhe os olhos. Eles já estavam criados e apenas contaram com o momento oportuno para arrancarem a ela o cetro presidencial.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 03/03/2018

  22. Clever Mendes de Oliveira

    3 de março de 2018 3:24 am

    Não foi não se ter indisposto com o denuncismo a razão do golpe

     

    Luis Nassif,

    Não tiro o mérito deste seu post “História do Golpe: A estratégia política do denuncismo” de terça-feira, 27/02/2018 às 20:00, mas o considero bastante contextualizado à realidade que se vivia aquele momento, em especial em razão da forte redução do crescimento quando se compara o que ocorria então com os dados do PIB no segundo semestre de 2009 e no primeiro semestre de 2010. O seu post ancorava na avaliação da economia. Tudo resumia em dizer que se a economia fosse mal o governo também iria mal.

    Fiz então um argumento em que dava ao seu texto uma espécie de reação ao que a nossa realidade econômica mostrava naquele momento que eu apresentei em comentário que enviei para o post “Traidores de Lula, que negociaram com Cunha e Moro a sua cabeça, atacam o Duplo Expresso” de quinta-feira, 01/03/2018, no blog Duplo Expresso e com texto de Romulus.

    O endereço do post “Traidores de Lula, que negociaram com Cunha e Moro a sua cabeça, atacam o Duplo Expresso” é:

    https://duploexpresso.com/?p=89521

    Vou, entretanto, transcrever o meu comentário que enviei ainda hoje para Romulus. Disse eu lá:

    -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

    “Romulus,

    Ontem, quinta-feira, 01/03/2018, pela manhã, fui ao post “Porrada bem dada/ asinhas cortadas: Haddad fica na mão de Lula – e não o contrário!” (https://duploexpresso.com/?p=89227) de 24/02/2018 aqui no blog de você e Wellington Calasans para reenviar o comentário meu sobre a sua consideração sobre Fernando Haddad e que eu já havia postado no dia 24 de fevereiro, mas ele não fora aceito. Para minha surpresa ele apareceu lá inteiramente.

    Só que agora já é outro contexto. Na parte da tarde de ontem eu vi um post no blog de Luis Nassif intitulado “História do Golpe: A estratégia política do denuncismo” (para não ficar repetitivo e em loop, retirei o link para o post) de terça-feira, 27/02/2018 às 20:00, de autoria dele. Ele estava reproduzindo um texto originalmente publicado em 20/11/2011. Havia visto a chamada para o post até há mais tempo e pensei em ir até ele, mas não tive tempo. A chamada era “Como Dilma ajudou a alimentar a indústria do denuncismo”.

    Quando comecei a ler o texto e vendo a data imaginei que na época o resultado do PIB tinha sido publicado e fora ruim e isto tenha levado Luis Nassif a fazer o comentário. Não lembrava do post na época em que fora publicado. Resolvi ir até o post original “A estratégia política do denuncismo” (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-estrategia-politica-do-denuncismo) de domingo, 30/10/2011 às 07:00. Não havia comentários meus. [Observação, coloquei o endereço original em substituição ao atual endereço de acesso ao post, embora não fosse necessário, uma vez que se alcança o mesmo post e os mesmos comentários, se se utiliza o endereço atual do post e que já foi informado por BFCosta em comentário enviado terça-feira, 27/02/2018 às 20:47].

    Fui aos meus arquivos e procurei os posts naquela data, já que eu os nomeio por data. O mais próximo antes do dia 20/11/2011 era “FHC combate o fisiologismo que praticou” (https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/fhc-combate-o-fisiologismo-que-praticou) de quarta-feira, 16/11/2011 às 10:59 e com texto de Luis Nassif em que ele trata o fisiologismo como praga, porem necessário à governabilidade. Fiz vários comentários para enfatizar que eu não considero o fisiologismo como praga e o considero como inerente ao processo democrático que não pode abrir mão dele. Sem fisiologismo não há democracia.

    E continuando a procurar por arquivos próximos a 20/11/2011, observei que o primeiro no blog de Luis Nassif que vem depois do dia 20/12/2011 é “Mantega: “Nossa despesa com juros vai ser normal”” (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mantega-nossa-despesa-com-juros-vai-ser-normal) de quarta-feira, 23/11/2011 às 15:25, trazendo matéria publicada no G1.

    Os outros arquivos referem-se a post em outros blogs. Havia dois no blog de Alon Feuerwerker e dois no blog de José Paulo Kupfer. Abri no blog de Alon Feuerwerker “À espera (18/11)” [http://www.blogdoalon.com.br/2011/11/espera-1811.html] de sexta-feira, 18/11/2011. O segundo parágrafo do post “À espera” começava assim:

    “A prévia do PIB divulgada ontem pelo Banco Central registrou recuo de 0,32% no trimestre de julho a setembro”.

    Na verdade, não houve recuo do PIB trimestral quando se compara um trimestre com o trimestre imediatamente anterior no período que vai de 2011 até 2012, quando se olha nos dados mais definitivos do IBGE. Parece que no terceiro e quarto trimestre de 2011 e no primeiro e segundo trimestre de 2012, o PIB crescera 0,1% comparando um trimestre com o trimestre imediatamente anterior o que corresponderia a um crescimento de 0,4% ao ano. O post de Luis Nassif parecia que se explicaria pelo contexto.

    Bem, só não era exatamente assim porque a data correta do post “A estratégia política do denuncismo” não é 20/11/2011, como Luis Nassif informava na reprodução atual daquele post, mas sim, domingo, 30/10/2011 às 07:00, isto é, o post fora publicado 20 dias antes da data que fora informado. De todo modo, já se sabia que havia desaparecido o grande crescimento do PIB, que ocorrera em 2009 (E não em 2010 como as estatísticas enganosamente informam), pois 2009 fora o ano em que o PIB de um trimestre em relação a um imediatamente anterior chegou a crescer mais de 10%, quando anualizado.

    Ainda bem que o crescimento havia desaparecido, pois o arrefecimento do crescimento se tornara necessário para controlar as bolhas que se formaram na economia, principalmente a bolha da construção civil. Nunca se deu o devido crédito para o fato do governo ter combatido, sem trégua, mas com parcimônia, a bolha de construção civil de tal modo que em 2013 já se dizia que ela estava sobre controle.

    Chamei atenção para os dois posts e aproveitei para deixar o link de outros que também avalio relevantes porque quero enfatizar a importância do contexto e das circunstâncias e o tanto que você tem agido sem levar esses fatores em consideração.

    Em meu longo comentário sobre Fernando Haddad para você no post “Porrada bem dada/ asinhas cortadas: Haddad fica na mão de Lula – e não o contrário!”, eu tento mostrar que Fernando Haddad está no máximo cacifando para ser um bom concorrente ao governo de São Paulo e com isso arregimentar votos para o PT. Ir contra essa possibilidade é ir contra o PT.

    Bem, entretanto, como eu disse, o contexto agora já não é mais discutir Fernando Haddad. O contexto agora é a Lava Jato e a traição do PT ou o afastamento do PT do blog seu e de Wellington Calasans. Em relação à Lava Jato, eu considero que se os vazamentos seletivos em veículos um tanto amestrados em momentos importantes do processo democrático não levar a Lava Jato a ser acusada de crime contra a Democracia então ela não poderá ser acusada de mais nada.

    Quanto à traição do PT ou de luminares dentro do PT a uma candidatura Lula e a acusação que você faz de que há campanha de certos grupos dentro do PT contra o blog, eu penso primeiro que há um tanto de presunção de sua parte em achar que o blog tem essa importância toda.

    Lá no post de Luis Nassif “A estratégia política do denuncismo” de domingo, 30/10/2011 às 07:00, há duas frases que embora em parágrafos diferentes estão em sequências e valem serem reproduzidas como formassem um só parágrafo:

    “E, fora de períodos eleitorais, a opinião pública midiática permanece com inegável influência. Por seu lado, a blogosfera ainda fala para uma militância. Faz o contraponto, desconstroi factóides, mas não forma opinião ainda, a não ser a dos convertidos.”

    Analisando o parágrafo formado pelas duas frases percebe-se que Luis Nassif já havia entendido que o alcance do blog é muito pequeno.

    No entanto, permanecia o problema dele e que é de toda população, mas vindo de jornalistas tem um pouco de presunção e corporativismo, e que consiste em não ter percebido que a grande mídia não forma opinião nenhuma. A grande mídia só se torna grande mídia quando ela consegue ecoar a opinião das grandes multidões. Foi assim, é assim e assim será.

    Então vejo você sofrendo do problema de ter a presunção de que um blog é fator político importante no desenrolar da democracia. Não é. E há ainda outro problema que me parece estar cada vez mais presente no seu post e que é não abrir suas ideias para mais possibilidades.

    Vamos imaginar que o PT tenha avaliado que a esquerda poderá crescer bastante se Lula for impedido de candidatar e que Lula aceitou impor a si mesmo esse sacrifício para tornar a esquerda mais forte? Se for este o entendimento não seria justo chamar de perigosos aqueles que não queiram seguir esta estratégia?

    Volto a insistir, em meu entendimento, os vazamentos seletivos e tempestivamente divulgados são suficientes para acusar a Lava Jato de crime contra a República e contra a Democracia. Se a justiça brasileira não entender assim, não vai ser em razão de outros crimes que a Lava Jato será condenada.

    Imaginar que no atual momento a Operação Lava Jato já seja vista ou possa vir rapidamente a ser vista como uma nódoa na Justiça Brasileira pela população parece-me uma visão bastante ingênua.

    E é falta de predisposição a uma análise mais consubstanciada, imaginar um só caminho para enfrentar a atual realidade bastante desfavorável à esquerda. Talvez a alternativa da não candidatura de Lula em que ele usaria esta arbitrariedade para fortalecer a esquerda e mais especificamente o PT possa ser muito mais vantajosa no curto e no longo prazo à esquerda.

    Abraços,

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 02/03/2018”

    -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

    Em meu comentário original transcrito acima, eu acrescentei a informação a respeito do comentário de BFCosta, enviado terça-feira, 27/02/2018 às 20:47, em que ele deixa o link para o post “A estratégia política do denuncismo”.

    Não acrescentei lá, mas menciono aqui o comentário que Cássio Pereira enviou terça-feira, 27/02/2018 às 22:56, junto ao comentário de BFCosta para destacar primeiro que o link deixado por BFCosta lhe fora útil e então e segundo para destacar o comentário de Francisco de Assis enviado domingo, 30/10/2011 às 08:52 e que se pode ver junto ao comentários no post “A estratégia política do denuncismo”.

    Aliás, mais do que o destaque, o Cássio Pereira transcreveu o comentário de Francisco de Assis. O comentário de Francisco de Assis é muito mais profético, ainda que tenha se amparado no que ocorrera em Honduras. Só que como todos os demais comentaristas nenhum teve o dom da profecia em dizer que o Julgamento da Ação Penal 470 no STF iria acontecer e quando tal ocorresse quem não tivesse acatado as ordens do denuncismo sofreria muito mais impacto.

    Eu tenho sido crítico a você na análise que você faz de modo sempre depreciativo seja a Guido Mantega seja à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Parece que nunca houve uma tentativa mais abrangente de avaliar todo o primeiro governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff e avaliar também a pretensão do que seria o segundo governo. A análise vem sendo sempre pontual: a economia não ia bem então a política econômica era ruim.

    Quase sempre quando eu dispunha de tempo disponível, eu procurei combater essa tese de que a política econômica estava errada. Sobre isso gostaria de mencionar um extenso comentário que enviei quinta-feira, 07/09/2017 às 15:26, para Junior 5 Estrelas junto ao comentário dele de quinta-feira, 31/08/2017 às 10:29, lá no post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” de quarta-feira, 30/08/2017 às 00:32, aqui nos seu blog e de sua autoria e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-fator-e-a-economia-estupido-por-luis-nassif

    No meu comentário eu procuro deixar os links para os mais variados posts onde há explicação para o que se desejava com cada política do governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff.

    Neste seu post “História do Golpe: A estratégia política do denuncismo”, eu vejo três problemas no alcance da sua previsão. Você estava descontente com a política econômica adotada pelo governo e conduziu sua crítica orientado por esta percepção tendo em vista que a economia sofrera um forte arrefecimento na taxa de crescimento. Era uma previsão influenciada pelo contexto do pouco crescimento econômico. Servia como um alerta, é bem verdade, mas dando destaque ao denuncismo quando não é o denuncismo que derruba governos, mas sim a má gestão econômica ou o que se toma por má gestão econômica.

    O segundo aspecto que eu vejo como falho nessa sua previsão é, como eu dissera em relação aos comentários no post original, você não ter mencionado que foi muito importante para que o denuncismo ganhasse importância o julgamento da Ação Penal 470 no STF. Este era o alerta necessário e, no entanto, sobre ele não houve nenhuma previsão. E é de se perguntar se não tivesse importado com o denuncismo a popularidade da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff teria alcançado quase 70% em maio de 2013, logo depois de toda a pirotecnia da primeira fase do julgamento da Ação Penal 470 no STF?

    E o terceiro problema que avalio esteja presente na sua previsão é o fato de que você e a maioria dos comentaristas do seu blog criticam a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff de um modo um tanto perfunctório de quem mal vai ao entorno e jamais aponta os verdadeiros problemas que ela carregava nela mesmo. O grande problema que não é dela é o fato de a esquerda ser realmente pequena na sociedade e para piorar a esquerda ainda é subrepresentada no parlamento.

    Eu avalio que há três grandes carências que sobrepujam todas as demais na personalidade da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff que constituíam um fardo originado dela própria e que ela mesmo carregava. Primeiro era a falta de carisma e a dificuldade de elocução. Nenhum político de sucesso fez sucesso se não tivesse esta qualidade. E sem essa qualidade, nada mais restava à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff do que se mostrar como a população gosta de ver um governante agir e se portar.

    Ela não tinha carisma suficiente para contrariar a grande massa e dizer, por exemplo, que um governo não pode ficar vendo pequenos defeitos nos escolhidos. Não era capaz de dizer isso porque ela não tinha consigo o dom de convencimento e além disso a grande massa acreditava e acredita que aqueles pequenos defeitos são grandes.

    Daí ela ter encampado o denuncismo. E o fez com sabedoria, pois o primeiro a sair fora o Antonio Palocci, e a saída de Antonio Palocci dera uma precisa indicação da força com que a ex-presidenta iria agir contra quem sobre o qual pairasse a mais mínima sombra de dúvida. Ora se ela retirava o Antonio Palocci ela podia retirar quem mais ela quisesse. E mesmo com a queda da economia e com a taxa de inflação em uma altura que não é bem recomendável do ponto de vista de popularidade, ela manteve a avaliação favorável ao governo dela em patamar bastante elevado.

    A segunda carência inerente a personalidade da ex-presidenta às custas do golpe era acreditar na superioridade da técnica sobre a política. Uma carência que a maioria das pessoas de esquerda carrega. E é uma carência que se constitui em um defeito grave em um político, pois de certa forma representa uma descrença ou uma animosidade em relação ao processo parlamentar. E uma carência que me parece só foi apontada aqui no seu blog pelo comentário de Marco Antonio Castello Branco (Atualmente presidente da Codemig) enviado quinta-feira, 26/06/2014 às 01:45, para o seu post “Para entender o desgaste do governo Dilma” de segunda-feira, 16/06/2014 às 16:47, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-o-desgaste-do-governo-dilma

    E a terceira carência foi ela não ter tido a oportunidade de se azeitar de modo suficiente após se adentrar nas engrenagens da política brasileira como fora bem azeitado o presidente antes provisório e agora definitivo às custas do golpe Michel Temer. Essa diferença entre os dois foi apontada em artigo verdadeiramente profético por Luiz Felipe de Alencastro com o título “Os riscos do vice-presidencialismo” de domingo, 25/10/2009, e publicado na Folha de São Paulo e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2510200908.htm

    Previsão tão acertada que Luiz Felipe de Alencastro não se vexou em apresentar lá no post “O raio X da política e o fator Temer” de sexta-feira, 07/08/2015 às 19:45, aqui no seu blog e de sua autoria um comentário enviado sexta-feira, 07/08/20185 às 23:56, e que consistia apenas do link para o artigo dele, dando ao link ou melhor, ao comentário, o seguinte título: “O desequilíbrio entre Dilma e Temer comentado há 5 anos”.

    É claro que se pode dizer que a crítica de Luiz Felipe de Alencastro também dependeu um tanto do insucesso econômico do governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. A crítica de Luis Felipe de Alencastro que mais bem lhe caiba o nome de profecia foi certeira à medida que ela aponta um defeito da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff e uma qualidade do presidente antes provisório agora definitivo às custas do golpe Michel Temer. Se o defeito da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff talvez não tenha pesado tanto na queda dela que dependeu mais de outros fatores, o conhecimento que o presidente antes provisório agora definitivo às custas do golpe Michel Temer tinha do parlamento tem sido útil junto com a postura mais de direita dele para que ele mantenha em mãos firmes o cetro presidencial.

    O endereço do post “O raio X da política e o fator Temer” é:

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-raio-x-da-politica-e-o-fator-temer

    E destaco ainda que a sua profecia no que tem de atribuição de culpa à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff foi bem rebatida no início do comentário de Lucinei enviado quarta-feira, 28/02/2018 às 09:05, em que ela, logo no início do comentário, diz:

    “Então, perdem uma, duas, três eleições seguidas, partem para a canela da coalizão vencedora – e, no limite, pra melar o jogo – e a culpa é… de quem tomou o chute na canela?!”

    Sua profecia está certa quando faz a previsão de que havendo crise econômica a canoa de qualquer político pode soçobrar. Agora não se pode atribuir ao fato da ex-presidenta às custas do golpe, Dilma Rousseff, não se ter indisposto com o denuncismo a razão para a queda dela.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 02/03/2018

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