
Enviado por Michel
Algo me diz que a preocupação da PF, Judiciário, MP e mídia associada em combater as fake news é sincera. Mas, sinto dizer, é uma preocupação tardia e corporativista. E, por incrível que pareça, o alvo desta iniciativa pode não ser a esquerda, mas sim Bolsonaro e seus seguidores, que se enraizaram, com ruído, em todos os órgãos supracitados, principalmente dentro da PF. Mas o ‘bolsonarismo’ se instalou nas bases, não nas cabeças – estas que ainda continuam com o outro lado da direita, ou seja, o lado mais moderado do conservadorismo.
Não é difícil entender que essa PF (e, por extensão, todas as forças policiais, como a PM, os procuradores midiáticos etc) de hoje, age por mera obrigação formal à Constituição Cidadã – mas com a cabeça ainda ideologicamente atrelada à truculência sob a égide da Guerra Fria nos tempos ditadura. Há exceções, claro. A Constituição de 1988 trouxe muitos avanços para democracia, mas creio que ficou um vácuo no que tange à formação dos jovens sobre a importância da democracia (mais a Declaração Universal dos Direitos Humanos; a consciência da cidadania) em contraponto com a catástrofe da ditadura. Creio que o Brasil falhou nisto. Dói muito constatar, por exemplo, jovens advogados, médicos etc (uma minoria, diga-se) usando chavões tipo “bandido bom é bandido morto” ou defendendo a “intervenção militar”, eufemismo para dizer “volta da ditadura”. Se o ensino de Direito ou Medicina (para ficar só em dois exemplos) deixa margem para isso, pense na formação dos policiais de hoje. Parece que o conceito “agente da autoridade democrática” ficou reprimido pelo conceito “agente da opressão”, de modo que não consigo imaginar que um policial hoje seja muito diferente daquele servidor que, na ditadura, sentia prazer em censurar e reprimir um artista – como se isso rendesse, perante seus superiores, uma espécie de “prêmio moral de erudição” à altura da “arte inimiga” que, naquela visão estreita, agia em favor do “comunismo e da pouca-vergonha”. Foi assim, com tal “erudição”, que Sófocles, por exemplo, virou “autor teatral comunista” numa peça; e foi assim que “Rosa, Maria e Joana” (respectivamente esposa, mãe e filha homenageadas por Ednardo numa canção) viraram apologia à maconha (“rosa marijuana, heureca, chefia!”) na visão dos gênios da interpretação a serviço da censura.
Voltando às fake news. Ao que parece, Bolsonaro atraiu para si o submundo dos robôs, hackers, fake news etc. Incrível constatar que a web, na campanha 2018, esteja nas mãos de um candidato, diríamos, rudimentar. Por que? Grana, meus prezados, muita grana. Mas qual a origem de tanta grana? Ainda não se sabe, mas dá para desconfiar. Recentes viagens do candidato para fora do Brasil reforçam teses que, por ora, ainda se encontram no campo das teorias conspiratórias. Mas o fato é que os grupos de Bolsonaro nas chamadas redes sociais já estão atuando numa voracidade incrível e com organização militar (literalmente até), combinando “likes” para posts amigáveis e ataques em manada aos posts hostis ao candidato. E as fake news, com “notícias” aos borbotões, entram como braço catalisador dos ataques em manada. Digo isto por relato de um amigo meu, irmão de um jovem militar que repassa para a família, via WhatsApp, os horrores fascistas que, no submundo da alienação e truculência, soa como “consciência política” cujo líder é aquele que chamam de “mito”. Por ironia, a palavra “mito” (V. dic. Aurélio – 5. ideia falsa, sem correspondente na realidade) traduz bem o personagem que eles escolheram para representa-los. Quando meu amigo tenta alertar o irmão militar sobre o fascismo (que o coitado sequer sabe o que significa), o jovem responde com links para fontes… adivinhem… das fake news! E não adianta você apresentar ao seguidor do “mito” um link com alguma notícia da velha mídia como contraponto às fake news. Porque ele vai simplesmente responder que é a mídia que é “fake news” e – olha só que curioso – fará o mesmo discurso da esquerda no que tange às manipulações. A diferença, evidentemente, é que as críticas da esquerda contra as manipulações da mídia partem de jornalistas experientes – e não de curiosos que se habituaram a nortear suas ideias em youtubers, Facebook, MBL etc. Olhem a que ponto de esquizofrenia o Brasil chegou em relação à velha mídia, quando esta, em sua insana escalada da truculência, da manipulação, dos ataques às reputações etc, mandou às favas todos os escrúpulos da consciência (como diria Jarbas Passarinho no AI-5) e jogou o jornalismo no lixo. A preocupação da mídia com as fake news, portanto, traz o caráter de quem tem know-how do assunto e sabe do poder devastador de uma falsa notícia.
Recobremos então ao difícil dilema provocado por Nassif: O que é fake news e o que não é fake news? A resposta, ou melhor, a solução para a praga da fake news seria hoje cristalinamente fácil se a velha mídia levasse a sério (e não como uma afronta ao seu corporativismo tacanho) a Lei Nº 13.188/15 (Lei do Direito de Resposta) e também a Lei Nº 12.965/14 (Marco Civil da Internet). Em vez disso, a mídia optou por continuar no jogo sujo no qual já se viciou – jogo este em que seus donos exigem ser os próprios árbitros.
Como se vê, é inútil querer inventar a roda se a mídia (e a PF e o MP e a Justiça cooptados) só leva a sério as rodas que já existem nos seus robustos veículos que atropelam o bom senso.
Enfim, eu adoraria ter a convicção de que a discussão sobre as fake news tivessem ouvidos para jornalistas como Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Jânio de Freitas etc – e todos os demais interessados, incluídos nós, comentaristas, colaboladores e ativistas da liberdade de expressão. Mas não, prezados. Infelizmente esta é uma discussão que ficará restrita àqueles que já sabemos.
Lucas Caetano Goulart
6 de janeiro de 2018 5:56 pmMortadela estragada
“Grana, meus prezados, muita grana. Mas qual a origem de tanta grana? Ainda não se sabe, mas dá para desconfiar. Recentes viagens do candidato para fora do Brasil reforçam teses que, por ora, ainda se encontram no campo das teorias conspiratórias”
O cara simplesmente não consegue colocar na cabeça que a galera que apoia Bolsonaro nas redes sociais estão fazendo isso por livre e espontânea vontade, mas não o culpo, pois, anos ganhando mortadela para ir em passeatas do PT devem ter corroído o cérebro a ponto de achar que as pessoas não fazem campanha de graça.
Abraços parceiro, em outubro quero ver você chorar muito ainda com o resultado dessa eleição.
Rei
6 de janeiro de 2018 6:31 pmFordismo eleitoral: “Pode escolher o candidato, mas só do PSDB”
“Pode escolher a cor do seu carro… contando que seja preto”…
No Brasil o modelo Fordista será replicado nas urnas… é o modelo Tucanista…
“PODE ESCOLHER SEU CANDIDATO… CONTANDO QUE SEJA DO PSDB”… OU MELHOR…
“PODE ESCOLHER SEU CANDIDATO, CONTANDO QUE SEJA DO ESQUEMÃO MÍDIA/PSDB/JUDICIÁRIO/SIST. FINANCEIRO”
Todos os outros serão presos, caçados, assassinados, imbecilizados, hostilizados, difamados…
Eu não vou defender Bolsonaro ou FakeNews… porém a pior máquina eleitoral do Brasil vai continuar a todo vapor: GLOBO + ABRIL + JOVEM PAN + ISTOÉ + BAND…
Com a prisão de Lula e a destruição de Bolsonaro… o próximo passo seria enfiar goela abaixo da população um candidato do esquemão…
TSE + LAva-JAto + Mídia + Gilmar Mendes + Polícia Federal todos trabalhando para uma eleição de candidato único… com outros irrelevantes fazendo mímica para câmera nos debates.
Clever Mendes de Oliveira
6 de janeiro de 2018 7:01 pmSua emenda, tal qual o soneto de Luis Nassif, não servem
Michel,
Em meu entendimento tanto você como Luis Nassif estão errados em ver com bons olhos essa legislação. Que depois das eleições seja encaminhado um projeto de Lei relativamente a Fake News com a perspectiva de que tal legislação seja aprovada nos dois ou três próximos anos é algo mais ou menos discutível.
Agora, uma proposta para ser analisada nesse ano eleitoral não traz nenhum benefício para o pais. Nós já temos uma legislação para os crimes de injúria, calúnia e difamação. Então qualquer notícia falsa se for de repercussão suficiente para exigir alguma medida de combate ou de retaliação poderá ser tipificada em um desses crimes. E que quem tenha inventado a notícia ou a espalhado seja julgada pelo crime que cometeu.
No mais é lembrar que a legislação penal é muito complicada. Você não pode ser muito genérico de tal forma que tudo seja crime, nem pode ser muito específico de tal modo que se precise utilizar de analogia para tipificar determinadas condutas, uma vez que a analogia não pode ser utilizada no Direito Penal. A legislação nova muitas vezes é uma forma de se criar condições para que não haja o crime. Basta você tirar um braço, ou uma pena, ou uma orelha da tipificação para sua conduta não ser subsumida pelo tipo penal e, assim, você se livrar de qualquer pena.
Não se trata de legislação penal, mas um exemplo de uma boa maneira de se livrar de um encargo maior é o que ocorre com o ITCD. Suponhamos que não houvesse o ITCD. Então cada um dos herdeiros receberia uma herança como um acréscimo patrimonial e sofreria a incidência de uma alíquota muito maior do Imposto de Renda. Como há a previsão do ITCD na Constituição, a alíquota que recai sobre a herança é a do ITCD que é muito mais baixa do que a do Imposto de Renda. Então a previsão do ITCD na Constituição é fruto do esforço dos ricos em evitar sofrer uma alta tributação quando da transmissão da herança ou doação ou antecipação de legítima.
Então quando há essa pressa em aprovar uma legislação penal, o mais indicado é desconfiar da pressa. Não há boa-fé na pressa quando se trata de legislação penal.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/01/2017
Ivan de Union
6 de janeiro de 2018 7:29 pmNao me engana que eu nao
Nao me engana que eu nao gosto.
Subitamente a “face preocupada” da PF mostra a cara…
E logo assim taaaooooo “preocupada” com a extreme direita que eles tanto exemplificaram!
Que “sorte” dos brasileiros vitimas da PF, nao eh mesmo?
Ivan de Union
6 de janeiro de 2018 7:33 pmE digo mais ainda porque
E digo mais ainda porque confio na minha palavra mais que na deles:
Tem uma porrada desses bolsominions e “robots” e ativistas que sao TODOS da policia federal.
Ivan de Union
6 de janeiro de 2018 7:37 pmSorry, “Michel”. Seu
Sorry, “Michel”. Seu historico de zero comentarios nao justificaria, sob hipotese NENHUMA, uma unica gota de confianca cega de mim.
Nao confio e nao MESMO.
LUIZ DE MATTOS
6 de janeiro de 2018 8:33 pmPOLICIA FEDERAL,JUDICIÁRIO E
POLICIA FEDERAL,JUDICIÁRIO E MINISTÉRIO PÚBLICO; O PASSADO E O PRESENTE CONDENAM.
Guilherme Souto
6 de janeiro de 2018 8:46 pmQuem em sã consciência da
Quem em sã consciência da bola, acredita nisso?
Sergio Saraiva
6 de janeiro de 2018 11:41 pmA cabeça do bolsonarista
Um bom exemplo de raciocínio circular e do seu perigo na formação política. O meu interlocutor, seguidor de Bolsonaro, não me agride nem me ofende por eu ter uma ideia diferente da dele, mas tampouco dialoga comigo ou se expõe. Isso é o que mais me assusta: ele crê e isso lhe basta. E a fé, quase sempre, é muito perigosa.
Edemar Motta
7 de janeiro de 2018 12:27 amInfelizmente, o cumpanhêru
Infelizmente, o cumpanhêru Junior Abreu é irrecuperável. Preocupa porque há muitos como ele.
Wilton Santos
6 de janeiro de 2018 11:42 pmQuem planta vento colhe tempestade!
Os golpistas se tornaram reféns do monstro que criaram…
Silvio andrino
7 de janeiro de 2018 1:50 amE quem estoca o vento?
E quem estoca o vento?
Ricardo Ronaldo Pinto
7 de janeiro de 2018 2:04 pmEstou cansado desta bobagem
Estou cansado desta bobagem de dizer que Dilma disse que o vento poderia ser estocado. Isto aqui é um vídeo que acba com esta conversa de pessoas estúpidas. Ele disse que NÃO ERA POSSÍVEL ESTOCAR VENTO. https://www.youtube.com/watch?v=Y-Cw0A3jtuU
Michel
8 de janeiro de 2018 12:38 amDilma se referia, sim, a
Dilma se referia, sim, a estocar vento. E não disse besteira alguma e sabia do que estava falando. Pois Dilma foi Secretária das Minas e Energia do governo do RS em 2 gestões diferentes: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). E Dilma foi responsável pelo fato de aquele Estado ser o primeiro a se livrar do “apagão” do FHC em 2001 – com instalação inclusive de energia eólica. Na época, ainda não havia tecnologia para estocar vento. Foi a partir daquela experiência que Dilma cometeu o único (pequeno) equívoco dela no discurso, ao dizer que “ainda não há tecnologia para estocar vento”. Porque a tecnologia já existe, mas com muitas limitações ainda.
http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2015/10/19/estocar-vento-e-possivel-e-viavel-economicamente/
Luís H.
7 de janeiro de 2018 8:20 pmvento
Não se estoca o vento. O que pode, em tese, ser “estocada” é a energia elétrica gerada pelo vento. Em baterias, por exemplo.
Paulo Dantas
7 de janeiro de 2018 10:22 amSugiro um campeonato
Sugiro um Campeonato Brasileiro de Notícias Falsas , várias categorias , política , economia , esporte , entretenimento , quanto mais falsa mais pontos os irresponsáveis ganhariam , pontos extras para notícias falsas que citam outras fontes falsas , e uma categoria especial a “não notícia” quando o editor decide ficar “mudo”.
Os escoteiros mirins de Patopólis poderiam tomar a frente disto.
Luís H.
7 de janeiro de 2018 8:25 pm“campeonato”
https://coleguinhas.wordpress.com/2018/01/07/vamos-a-ultima-seletiva-para-o-king-of-the-kings-2017/
Paulo F.
8 de janeiro de 2018 11:15 ama preocupação da PF,
a preocupação da PF, Judiciário, MP e mídia associada em combater as fake news é sincera.
Sincera e legítima como uma nota de tres dólares!
Dá um tempo e cai na real.
O nome da lei é “lei da censura seletiva”.