4 de junho de 2026

Quentin Tarantino e suas inspiradas trilhas sonoras

Por Tamára Baranov – Rio Claro/SP

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Baeado em texto do blog Pintando Músicas

Famoso pela mistura de muito sangue e sensacionais trilhas sonoras em suas produções, Quentin Tarantino possui, em sua casa, um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência. Como ele já revelou em várias entrevistas, boa parte da inspiração para as cenas de seus filmes é proveniente das músicas que ouve. E em todos os filmes de Tarantino sempre tem aquela música que gruda e não sai da cabeça.

Desde ‘Reservoir Dogs’ (1992) até ‘Django Unchaine’ (2012), o diretor sempre escolheu composições antigas para embalar cenas cruciais de seus personagens. Outra característica do diretor é colocar trechos dos melhores diálogos na trilha sonora. Em ‘Reservoir Dogs’, é possível ouvir os protagonistas conversando sobre Madonna. Já em ‘Kill Bill’, há o embate entre Bill e Beatrix. Apenas ‘Inglorious Bastard’ não traz trechos de diálogos.

O casamento entre música e personagens costuma ser tão perfeito que as canções sempre se transformam em hits. É o caso da canção ‘Little Green Bag’ que foi gravada por George Baker Selection em 1969 e que embalou a cena inicial de ‘Reservoir Dogs, quando o diretor nos apresenta ao time de assassinos do filme. A sensacional ‘Girl, You’ll Be a Woman Soon’ foi gravada originalmente por Neil Diamond em 1967. Em 1994, o Urge Overkil, fez uma versão, que acabou caindo nas mãos de Tarantino. O diretor gostou tanto que resolveu colocar Uma Thurman para dançar ao som da música.

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9 Comentários
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  1. Perin

    26 de janeiro de 2014 1:10 pm

    É um diretor que sofreu

    É um diretor que sofreu influência  do modelo italiano de cinema.. A música no cinema italiano sempre teve papel relevante

    1. Tamára Baranov

      26 de janeiro de 2014 5:31 pm

      Verdade Perin, Tarantino

      Verdade Perin, Tarantino sempre foi cinéfilo, e com certeza os mestres do cinema italiano foram influência, tanto que na trilha sonora de Kill Bill Vol. 2, Tarantino incluiu três músicas de Ennio Morricone, o mestre dos mestres. 

  2. ArthurTaguti

    26 de janeiro de 2014 1:43 pm

    Estes dias atrás revi Kill

    Estes dias atrás revi Kill Bill e minha cena preferida, de longe, é a que Uma Thurman e Lucy Liu se encaram, com espadas Samurai, ao som de “Don’t Le me Be Misunderstood”.

    O duelo Samurai, ao contrário do presente em outros gêneros, não é pontuado de intermináveis lutas corporais. Muito pelo contrário. Geralmente o conflito se resolve em um ou dois golpes. 

    Na verdade, para ser um Samurai magistral,  a excelência em sua arte era elemento necessário, mas não suficiente. Era preciso muito nervo, um controle mental inquebrantável, para fazer face a morte que parecia iminente e retirar do rival a energia necessária para sua vitória.

    Assim, nos clássicos japoneses, este duelo cerebral era indispensável. O duelo Samurai começava muito antes do primeiro golpe ser desferido, e antes do primeiro ataque, assistíamos uma longa guerra psicológica com insana troca de olhares, bem como avanços e recuos de lado a lado.

    Da postura do rival em campo de batalha, da serenidade exposta em seu olhar e da completa ausência de falhas em sua guarda já era o suficiente para identificar um grande guerreiro. Tanto que, era plenamente possível dizer quem venceria uma batalha apenas observando a postura de um grande Samurai. Quando este se deparava com um guerreiro de menor estatura, conseguia dominar completamente o ambiente, transformando-se num verdadeiro predador, só esperando o momento exato de desferir o golpe fatal.

    Já quando dois grandes rivais se encontravam, como na cena de Kill Bill, o duelo tinha resultados imponderáveis, e a tensão, crescente.

    A cena final de Kill Bill, Volume I, bebe de toda esta fonte do cinema japonês. Só que, ao contrário deste, que em cenas como esta imperava o mais profundo silêncio, ou uma trilha sonora que aumentava a ansiedade dos telespectadores, Tarantino nos brinda com uma canção ocidental, da banda “Santa Esmeralda”. 

    A última coisa que os Samurais esperavam, ao preparar-se para um ritual que podia redundar em sua morte, era ouvir uma música barulhenta, que soaria como poluição para o seu ouvido. Ainda assim o resultado é incrível, criando uma cena memorável.

    O mais engraçado é que a nossa vilã/heroína Beatrix Kiddo, escolada na ate de manejar a espada Katana, em “Kill Bill – Volume II” se descobre que foi treinada por um mestre do Kung Fu que detestava profundamente os japoneses. E também que sua espada foi forjada por um artesão de Okinawa, região historicamente apartada do resto do Japão medieval e onde a tradição Samurai nunca foi forte.

    Tarantino com certeza sabe disso e brinca com todos os detalhes, assim como o faz em todos os filmes que dirige ou produz. 

    1. Tamára Baranov

      26 de janeiro de 2014 3:00 pm

      Que belo texto Taguti!

      Que belo texto Taguti! Nada entendo de lutas marciais, mas sempre me interessei sobre os samurais desde que li o livro Shõgun (Xógum), situado no Japão feudal de 1600, do autor e também diretor de cinema britânico James Clavell. 

      O que acho incrível nos filmes de Tarantino, além das trilhas sonoras, são os diálogos afiados e também a cronologia fragmentada. Através dos seus roteiros é também possível notar que os personagens de seus filmes possuem elos entre si. Quentin sempre foi um cinéfilo compulsivo, desde tenra idade, incentivado por seu padrasto o músico Curt Zastoupil com quem formou fortes laços afetivos e era quem o levava para assistir filmes que eram proibidos para a sua idade. E talvez, por Curt ser músico, tenha sido também o responsável por aguçar os ouvidos de Tarantino. 

  3. Mário Mendonça

    26 de janeiro de 2014 3:04 pm

    Tamára
    Apesar de tu não ter

    Tamára

    Apesar de tu não ter citado, adoro essa:

    http://www.youtube.com/watch?v=iM0JVDqLYnE

    O que Tu acha, é um grupo que ele lançou, ouça que maravilha….

    Como sempre tu nos brinda com excelente repertório.

    Abração

     

     

    1. Tamára Baranov

      26 de janeiro de 2014 3:47 pm

      Editei o post Mário…

      Editei o post Mário, agora o link do filme ‘Kill Bill’ tem a trilha sonora do filme 1 e 2….e claro com a ‘Malaguenã Salerosa’ em uma bela versão do grupo Chingon, aliás neste link que você postou o Tarantino está na platéia…legal….

      [video:http://www.youtube.com/watch?v=iM0JVDqLYnE align:center]

      Abração

  4. Obelix

    26 de janeiro de 2014 4:57 pm

    O pop é cool.

    Prezada Tamara,

    Ouso discordar de ti na forma, não no conteúdo. Quer dizer, não discordo, apenas complemento.

    Em Reservoir Dogs, a cena da conversa sobre Madonna não é sobre a música, mas sobre o significado dela, “Like a virgin”, onde discorrem em estereótipos machistas sobre se a metáfora “como uma virgem”, quer dizer se ela era penetrada por alguém “bem dotado” (e por isto sentia dor), ou por um novo amor que a fazia sentir-se como na primeira vez.

    Ali o contraponto é o nível elevado de machismo, que depois se segue com a discussão que quase chega as vias de fato sobre a gorjeta a garçonete (Steve Buscemi nega, e Keitel discorro sobre o papel social do incentivo), até que o chefe encerra a discussão. Um paradoxo cultural clássico.

    A cena crucial para a ênfase música-ação do filme Reservoir Dogs é a mutilação do policial por Michael Madsen, ao som de uma música que toca em um programa de rádio cultuado pelos personagens (me esqueci o nome), e que tinha um locutor sensacional.

    Segue Pulp Fiction como acabamento na linguagem que associa música e expressão corporal (neste caso, a dança), que já havia sido experimentada com a cena de Madsen e o corte da orelha, mas que nesta película explode com Uma e Travolta naquele bar/restaurante rock-a-billy & kistch e o concurso de twist.

    Um tipo de Grease hardcore, trazendo o estilo Thurman para destroçar as referências Olivia Newton John.

    Há uma oscilação na obra de Tarantino, que culmina em Inglorious Bastards, porque obviamente a (meta)linguagem e a “brincadeira” ali é apresentar o cinema de Shoshana como possibilidade de “libertação”. A jogada é manipular a questão física (incêndio) com a linguagem, trazendo o debate de fundo, da transterritorialidade da cultura ciinematrogáfica (anti-xenofobia) com a atriz alemã que espiona para os EEUU e para a Inglaterra.

    A cena do militar inglês (Mike Meyers) é classica.

    Kill Bill tem outra cena clássica, para além dos significados dos embates ou das tradições sino-nipônicas.

    É a luta de Kiddo com os Crazy 88’s ao som das ótimas 5,6,7,8…que cantam descalças e com figurino anos 50.

    No entanto, na minha opinião, a pedra de toque do filme são as intervenções de Bill com a flauta. É este toque minimalista, auxiliado pela materialização do instrumento que contrasta com o uso de espadas e armas de fogo, que traz a ideia central de contradição que seu personagem apresenta: um cara que ama e é capaz de atirar na cabeça da sua amada grávida.

    Ou seja: ainda que sofisticado e delicado, só se relacionam pela violência.

    Jack Brown é a obviedade soul-black-music, mas nem por isto menos intensa e densa.

    Fantástica a “conversão” do agente de fianças, que se enamora da personagem título, e incorpora como música predileta um título soul. Universos totalmente paralelos, que só se tocam na linguagem do papel que ambos representam socialmente, ele como parte do aparelho repressor e ela como parte da parcela reprimida, e que se encontram no gosto comum pela música, que embala um interesse sentimental heterodoxo.

    Clichê, mas quem disse que não há ótimos clichês?

    Tarantino é mestre em fazer clichês, como a cultura pop, parecerem cult.

    Às vezes erra a mão, mas acerta na maioria das vezes.

    Saudações.

    1. Tamára Baranov

      26 de janeiro de 2014 5:59 pm

      Apenas citei Madonna an passant

      Apenas citei Madonna an passant, não quis me aprofundar nos filmes e roteiros de Tarantino, pois o post não é sobre isso. Você Obelix, e Taguti já fizeram isso com maestria e com muita propriedade. Aliás, os comentários do dois merecem um post na pagina do blog do Nassif.

      ‘Reservoir Dogs’ foi segundo Tarantino, sua versão de ‘The Kiling’ de Stanley Kubrick. E como Kubrick, Tarantino em ‘Reservoir Dogs’ incorpora uma série de temas que se tornaram marcas do seu trabalho: criminalidade, violência (na cena do corte de orelha muitas pessoas saíram durante o filme), referências à cultura pop, constante uso de palavrões e narrativa não-linear, o que eu adoro nos filmes dele. Assim como ‘Reservoir Dogs’ também definiu a estrutura de suas trilhas sonoras. Outra característica de Tarantino são as marcas fictícias criadas por ele em seus filmes: os cigarros ‘Red Apple’, a lanchonete ‘Big Kahuna Burgers’, cereal matinal ‘Fruit Brute’ entre outros.

      A estação de rádio é ‘K-Billy’s Super Sounds of the Seventies’ e desempenhou um papel de destaque no filme. Para ser o DJ K-Billy (somente a voz) foi escolhido o comediante Steven Wright conhecido por sua voz nitidamente apática, lenta e inexpressiva e por suas piadas absurdas.

      Mas, é claro que não existiram apenas flores no caminho de Tarantino, ‘From Dusk Till Dawn’ foi um dos piores filmes que eu já vi na vida, e Tarantino recebeu uma indicação merecida ao ‘Framboesa de Ouro’ de pior ator coadjuvante ao interpretar o estuprador psicopata.

      Saudações caríssimo amigo.

  5. vera lucia venturini

    26 de janeiro de 2014 10:33 pm

    Pra mim Pulp Fiction é

    Pra mim Pulp Fiction é imbatível. Mas a música que considero mais perfeita para cinema é a trilha de Nino Rota para Amarcord de Fellini.

    E só de pensar  em trilha sonora me lembrei de Tres Homens em Conflito, Verão de 42,  Era Uma Vez na América, 2001:Uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica…

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