5 de junho de 2026

Sobre o preconceito com os rolezinhos, por Eliseu Neto

Sugerido por Gunter Zibell – SP
 
Do O Dia
 

por Eliseu Neto

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Jovem suburbano percebeu que está excluído e resolveu incomodar a classe média com o que tem de mais simples: sua presença

Rio – Dias atrás, quando o rolezinho do Shopping Leblon ainda estava de pé, vi muito preconceito vir à tona. Quando apoiei o ato no Facebook, a primeira palavra que apareceu foi “vagabundos”, seguida de “Engraçado você apoiar baderna. Ter livre acesso é uma coisa, causar pânico na sociedade é outra”. Um amigo espanhol, que vive aqui, escreveu “Shopping é lugar de família, odeio quem atrapalha meu lazer”. O que as pessoas não veem é que o pobre não tem obrigação de sair da pobreza, ele tem o direito de sair dela.

Temos uma economia de mercado baseada no consumo, mas ele é dividido: existem, por exemplo, no Rio, locais ditos populares, como a Saara. E existem lugares de maioria branca e maior renda da Zona Sul.

Essa é toda a questão do rolezinho. O jovem suburbano percebeu que está excluído e, num ato corajoso e inteligente, resolveu incomodar a classe média com o que tem de mais simples: sua presença. Shoppings fazem todo tipo de promoção para nos levar para dentro deles, sorteiam carros, fazem shows, decoram. Mas jovens pobres não são bem-vindos em certos locais. Descobriram finalmente o apartheid brasileiro.

Um amigo disse: “Eu faço a minha parte, ajudo deficientes no asilo.” Esse é o pensamento da classe média: o deficiente fica no asilo, o pobre, nos shoppings populares, a classe C, na econômica do avião.

“Trabalhar, ninguém quer…”, continuam os críticos. Mas qual a diferença entre o jovem de classe média que não precisa trabalhar e vai ao shopping e esses meninos? Por que presumimos que logo os pobres são vagabundos, se todos estão no mesmo lugar fazendo a mesma coisa, nada, só andando de lá pra cá (dando um rolé)? Mas o rolé dos pobres é logo definido como “baderna, arruaça e confusão”.

Num país com 75% de analfabetos funcionais e com 20% da população sem acesso nem a saneamento básico, o que sobra é a resposta das classes média e alta: pobre e negro tem que trabalhar — apenas trabalhar — sem reclamar. Não queremos ver aqueles que nos servem usufruindo a mesma coisa que nós, isso “atrapalha nosso lazer”.

O rolezinho é um dos movimentos mais legítimos e inteligentes que já vi. Usa o medo, o preconceito e os valores podres e deturpados de uma camada social contra ela mesma. Afinal, na maioria dos casos, não existe crime, existe pânico e histeria coletiva.

Eliseu Neto é psicanalista, psicólogo e gestor de carreira

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. Mar da Silva

    24 de janeiro de 2014 11:34 am

    Ponto para o Eliseu. 

    Ponto para o Eliseu. 

  2. Bruno Cabral

    24 de janeiro de 2014 12:47 pm

    Solução simples

    Os shoppings vão começar a só deixar entrar quem tiver carro. E ainda vão faturar mais com isso (o altissimo valor do estacionamento).

  3. Juliano Santos

    24 de janeiro de 2014 2:02 pm

    Que existe o apartheid

    Que existe o apartheid brasileiro isso sem dúvida. Mas no caso do rolezinho, o blog se for continuar o debate deveria esquecer o que diz esse senso comum classe média, que é só clichê preconeituoso mesmo. 

    Parece que tem uma pesquisa que diz que a maioria dos pobres reprovam os rolezinhos. O interessante é discutir em cima dessas dados

    http://www.ocafezinho.com/2014/01/23/rolezinhos-teoria-do-cavalo-de-troia-se-confirma/

    1. Gunter Zibell - SP

      24 de janeiro de 2014 3:41 pm

      E a maioria dos pobres

      também apoia a redução da maioridade penal e também é contrária, em S.P., ao reajuste diferenciado de IPTU.

      As comunicações dos poderes públicos à sociedade são um desastre. Vemos partidos propagandearem a redução da maioridade penal e não aprece um ministro para dizer em público que essa ideia é inconstitucional e que portanto é fraude propagandeá-la.

      As próprias críticas à classe média também podem ser um clichê preconceituoso.

  4. Durvalino

    24 de janeiro de 2014 2:27 pm

    nao eh preconceito. eh medo !!!

    …. medo q acordem e deem uma terceira via nas proximas eleiçoes.  medo q passem a ter opiniao propria.

  5. leonidas

    24 de janeiro de 2014 2:39 pm

    Eu nao tenho pré conceito com

    Eu nao tenho pré conceito com os rolezinhos, só tenho PÓS conceito…

  6. Anarquista Lúcida

    24 de janeiro de 2014 8:25 pm

    Se os rolês nao eram politizados, vao passar a ser brevemente…

    E o ator maior dessa politização será a própria repressao burra… Tomara. 

  7. João victor222

    26 de janeiro de 2014 10:26 pm

    role

     http://www.youtube.com/watch?v=7LwrClolRF4

     

    assistam isso e dps continuem defendendo os rolezinhos,

     

    mesmo que meu pensamento seja ignorante mas resumindo rolezinho= um bando de funkeiro desocupado de todo tipo de classe social

  8. Maila Pereira

    9 de julho de 2015 9:33 pm

    Diga não ao preconceito

    Nao se deve julgar um grupo de amigos, pelo que eles carregam no bolso!!!

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