5 de junho de 2026

Nossas vulnerabilidades pré e pós 2010 são as mesmas

Por rafaelbianchini

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Comentário ao post “Os falsos e os reais problemas da economia”

Nassif,

Até 2010, foi se formando um consenso de que o Brasil estava fazendo tudo certo e que dessa vez caminhávamos para o desenvolvimento. Poucos mencionavam que:

1. Apesar da grande queda nas desigualdades, o Gini ainda está em torno de 0,5, entre os maiores do mundo;

2. O déficit em conta corrente estava crescendo perigosamente (na época era de 2,5% do PIB e hoje é 3,5%) em virtude do câmbio sobrevalorizado;

3. A taxa básica real de juros, acima de 4% ao ano, é a mais alta do mundo e mesmo assim a inflação situa-se na casa dos 6% ao ano;

4. Alto spread bancário;

5. Poupança e investimento não conseguem superar 20% do PIB;

6. Energia e transportes como importantes gargalos;

7. Ainda que a dívida líquida do setor público em relação ao PIB fosse baixa, a dívida bruta era da ordem de 55% do PIB, nível indesejável para um país emergente;

8. Apesar das reformas da previdência de 1998 e 2003, ainda há importantes ajustes, como a ausência da idade mínima e a previdência dos militares que permite aposentadoria antes dos 50 anos;

9. Alta carga tributária, em torno de 35% do PIB;

10. Baixa escolaridade da mão de obra, que limita os ganhos de produtividade e torna boa parte dos brasileiros “inimpregáveis”.

Como um crescimento do PIB de 7,5% ao ano é insustentável, entre 2011 e meados de 2012 empreendeu-se uma estratégia de pouso forçado da economia que acabou por estagnar o PIB. Desde então, o governo cometeu diversos erros, que resultaram na percepção, aproveitada oportunisticamente, de que estamos na beira do precipício:

1. Pela primeira vez em uma década, o Gini ficou estável em 2012, subindo no Nordeste, região mais desigual;

2. O câmbio sofreu ajuste, depreciando-se cerca de 20%; no curto-prazo, o déficit de transações correntes continuou aumentando porque: a. ainda está na base de cálculo uma operação da Petrobrás de 2012 e que foi contabilizada em 2013 e b. como não se sabe se esse é o patamar de equilíbrio do câmbio (entendo que ainda deve se depreciar até uns R$ 2,80), os exportadores e importadores ainda estão em compasso de espera;

3. O experimento de taxa básica de juros compatível com a internacional durou pouco porque a estratégia foi ruim. Melhor seria o CMN aumentar a margem de tolerância do IPCA temporariamente por conta do ajuste de câmbio – muitos países fazem isso, o que não é o fim do mundo! e estabelecer um horizonte crível de convergência do IPCA para o centro a meta. O ajuste de câmbio ocorre de uma vez e não se repete. Foi um erro crasso e caro subsidiar combustíveis e energia elétrica. Além de aumentar o déficit público, essas medidas só adiam uma inflação embutida e já precificada de 1%;

4. Não há mais como os bancos públicos crescerem, pois eles já são responsáveis por metade do crédito interno. Ademais, o ideal não é aumentar crédito para consumo, mas sim imobiliário, estudantil e para pequeno empresário, áreas com carência de crédito barato e com potencial enorme de incremento de produtividade;

5. As desonerações fiscais não impulsionam investimento porque não são uma estratégia de longo-prazo; o empresário não sabe até quando vai durar e, por essa razão, usa isso para engordar margens, não para investir;

6. As recentes concessões irão aliviar o gargalo em energia e transportes em um ou dois anos. Daqui a pouco vai surgir alguém falando que o crescimento potencial da economia é maior que o consenso de 2% por conta disso; As trapalhadas do governo em outras áreas obscureceram o sucesso das concessões;

7. Qual a meta fiscal? Ninguém sabe! Cada dia o governo cria uma meta nova de superávit primário. As manobras contábeis foram das maiores trapalhadas com a economia. O déficit público, de 3,5% do PIB, faz algum sentido quando a economia patina como a nossa. Assim como a inflação, o governo acha que pode enganar analistas com artimanhas. Melhor mesmo seria abandonar de vez as metas de superávit primário e adotar uma meta de déficit estrutural nulo, com déficits quando a economia estiver desaquecida. O gap de 20% entre a DLSP e a Dívida Bruta explica-se apenas em parte pelas reservas, que realmente são ativos de qualidade. Outra parte é composta de dívidas impagáveis como a do município de São Paulo e do Rio Grande do Sul com a União ou mesmo as operações com BNDES, que podem sim aumentar a vulnerabilidade das finanças públicas se houver aumento da inadimplência corporativa. Em suma, o problema da política fiscal não é o tamanho do déficit, mas a falta de uma estratégia clara e transparente de longo prazo;

8. Desde a regulamentação fraca do FUNPRESP, o governo abandonou a agenda de reformas da previdência e agora até o seguro desemprego virou fonte de sangria de recursos Mal se fala em criar uma idade mínima para aposentadoria no RGPS e previdência dos militares. Tampouco se discute como enrijecer as regras para concessões de pensões; Com o envelhecimento da população, o déficit previdenciário tende a níveis insustentáveis;

9. Obviamente, se a política fiscal não tem um norte, não há como discutir redução da carga tributária sobre os setores produtivos; as desonerações em alguns setores não podem sequer ser classificadas de redução da carga tributária;

10. Visando a melhorar a escolaridade da população, o governo lançou o SISUTEC e PRONATEC, duas excelentes alternativas; Entretanto, continua ignorando solenemente a população adulta analfabeta e que não terminou o ensino fundamental.

Em suma, nossas vulnerabilidades pré e pós 2010 basicamente são as mesmas. Inicialmente, o que tornou os empresários muito pessimistas foi a drástica desaceleração da economia entre o final de 2011 e meados de 2012. A resposta do governo no campo fiscal e monetário, de tentar maquiar o problema (manobras contábeis e inflação dentro da meta na base do subsídio marretado), foi um tiro no pé. Com isso, até as joias da coroa, como o consumo interno, passaram a ser vistas como em crise. A diferença da conjuntura pré crise e pós crise é que nosso crescimento potencial caiu de 4% para algo entre 3% e 3,5%. Até vejo como irão teorizar uma guinada na economia: ajuste cambial com aumento de juros, permitindo recomposição de preços relativos, concessões mostrando que o governo é aberto à iniciativa privada e efeitos do aumento da escolaridade sobre a produtividade e mercado de trabalho.

O grande problema é: o empresariado, em sua esmagadora maioria, está em compasso de espera, aguardando ansiosamente a mudança da equipe econômica, que Dilma insiste em manter, mesmo que ela tenha pouquíssimos defensores.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Aline C Pavia

    23 de janeiro de 2014 10:20 am

    Alta carga tributária foi

    Alta carga tributária foi precisamente a pauta que o Skaf-Neo-Cansei levou numa reunião do empresariado com Dilma no ano passado. Ele foi falar de “impostômetro” e ela respondeu com os 200 bi do “sonegômetro”. Dizem que a conversa acabou aí e Skaf voltou pra SP com o rabinho entre as pernas.

    A gente podia discutir os 43% de ICMS na conta de luz em MG, ou então os 39% de ICMS na conta de luz em Goiás, ou então o aumento de 20% do IVA por Alckmin nos eletrodomésticos da linha branca, ou mesmo o “pedagiômetro” de 7 bi em SP (enquanto Tarso Genro reestatiza e retira pedágios das estradas estaduais do RS).

    Empresário não quer redução em carga tributária para baixar os preços, quer aumentar os próprios lucros. Para isso o prefeito de Campinas teve uma ideia jenial: criou o “Poupatempo Empresarial”, que é uma ferramenta para ajudar quem já lucra bastante a lucrar ainda mais.

    Enquanto tivermos políticos com ideias do século XIX, podemos ter a melhor equipe econômica do mundo, a mais bem-intencionada, sem efeito, pois a tal “nova classe média” ainda sentirá muito ao ter de pagar 55 reais um bujão de gás ou 120 reais para encher o tanque do carro.

  2. Zanchetta

    23 de janeiro de 2014 10:50 am

    Mas isso aí é culpa dos 500

    Mas isso aí é culpa dos 500 anos de…. blá, blá, blá….

  3. rafaelbianchini

    23 de janeiro de 2014 11:42 am

    Aline,
     
    Carga tributária de

    Aline,

     

    Carga tributária de 35% do PIB é algo que poucos países emergentes têm. Isso é mais comum em países centrais. Em parte isso se deve a um processo civilizatório que envolve obrigatoriamente a redução dos indicadores, ainda muito altos, de desigualdades sociais. Entretanto, não se pode negar que isso retira a competitividade do país ao encarecer os produtos que o país produz.

    Quanto à composição da carga tributária, entendo que você tocou no ponto central: ela é regressiva, penalizando justamente os da base da pirâmide. A tributação sobre renda e patrimônio é relativamente baixa; em compensação, a tributação sobre produção é comparável a países muito ricos. Então, quando penso na ncessidade de baixar a carga tributária, penso apenas nos tributos indiretos, pois isso permitiria aumentar a competitividade do país e diminuir a carga tributária sobre os mais pobres.

    O SKAF, além de lobista, é oportunista. Usou o sentimento de classe do poder judiciário para barrar o aumento do IPTU no município de São Paulo, um dos poucos tributos progressivos do país. Os outros tributos que você citou são regressivos. São exatamente esses que eu entendo que devem ser reduzidos. Discordo de você em relação ao pedágio por uma razão simples: é melhor que quem pode ter um carro financie a manutenção das estradas por pagamento de pedágios que toda a sociedade o faça via tributos.

    Sobre o Poupatempo empresarial, não conheço a experiência, mas em tese sou favorável. O Brasil é dos países com pior ambiente de negócios do mundo. Abrir empresas é caro, complicado e burocrático. A desburocratização não tem nada de esquerda ou direita. Ela aumenta eficiência do sistema como um todo, simplifica processos, aumenta o lucro do empresário e empregos.

    1. Vinícius Barbosa

      24 de janeiro de 2014 1:18 am

      Concordo com os pontos, mas…

      Bianchini, concordo com vários pontos que você disse, gostei especialmente da parte em que você se atentou para o crédito imobiliário e para o pequeno empresário.

      Tenho um comentário en passant sobre a questão da alfabetização de adultos que se liga à questão feminista. Tradicionalmente, no interior do Brasil, as mulheres ainda são preparadas para se casarem e serem donas de casa. Isso desestimula o prosseguimento dos estudos. Imagino que seria difícil instar donas de casa nesse ambiente, já nos 50 anos, a voltar a estudar. É um ranço cultural forte que considero invencível, especialmente no interior do Brasil.

      Todavia, percebi que você está muito convencido de que a decisão do Poder Judiciário foi um “sentimento de classe”. Após ler o acórdão da Ação Direta de Inconstitucionalidade 0201865-26.2013.8.26.0000, não estou convencido dessa percepção.

      A liminar suspendendo a execução da lei foi fundamentada em inconstitucionalidade formal, e não material, como você sugere. Leia o trecho do acórdão:

      “Basicamente, o centro da controvérsia se dá pelo fato do projeto ter sido aprovado (por 29 votos favoráveis contra 26 votos desfavoráveis), em segunda votação, durante Sessão Extraordinária ocorrida em 29.10.2013 (ponto também arguido na presente ADIn).De um lado, o representante do Ministério Público argui, entre outros motivos, que a única Sessão Extraordinária de votação designada para este tema estava aprazada para o dia seguinte (30.10.2013) e que como o projeto de lei não constava da “Ordem do Dia”da Sessão Extraordinária do dia 29.10.2013, não existe qualquer hipótese legal para abrigar tal votação , pois o Regimento Interno da Câmara dos Vereadores é explícito ao esclarecer esse tema, conforme segueArt. 188 -Na sessão extraordinária, haverá apenas Ordem do Dia e não se tratará de matéria estranha àque houver determinado a sua convocação.(…)Art. 191-Nas sessões extraordinárias, a Ordem do Dia só poderá ser alterada ou interrompida:I-para comunicação de licença de Vereador;II – para posse de Vereador ou Suplente;III – em caso de inversão de pauta;IV – em caso de retirada de proposição de pauta. De outro , os pedidos de Suspensão da Medida Liminar rebatem diversos pontos relevantes,como sobre a desnecessidade da realização de audiência pública designada para o dia 30.10.2013,e afirmam que é válida a votação de matéria que não consta na “Ordem do Dia” de uma Sessão Extraordinária visto que , apesar de inexistir previsão no Regimento Interno, trata-se de praxe dos membros daquela casa legislativa. Para não avançar à fase de mérito da questão, etapa esta inalcançada mesmo na Ação Civil Pública que faço menção, este elator conclui pela existência dc fumus boni júris. Isso porque parece incontroverso a ausência de norma doRegimento Interno da Câmara Municipal a permitir votação de projeto de lei em Sessão Extraordinária etratando-se do Princípio da Legalidade na esfera da Administração Pública deve-se esclarecer queseus atos são sempre pautados em norma legal, não sendo facultado à praxe do agente público agir em desacordo com os preceitos fixados no Regimento Interno que regula sua atividade, senão ficar adstrito ao texto legal que determina o correto procedimento.No âmbito do Poder Legislativo, se ao final restar comprovada a inobservância do correto trâmite de um Projeto de Lei, desrespeitando até mesmo o Devido Processo Legislativo, nada mais restará ser feito pelo Poder Judiciário do que verificar a conformidade dos atos administrativos com o ordenamento jurídico positivo e, se for o caso, determinar a anulação do procedimento, realizando o seu papel de controle judiciário.” Ou seja, se o fundamento da inconstitucionalidade for esse, mesmo, a Prefeitura de São Paulo tem toda a liberdade e propor o mesmíssimo projeto de lei e aprová-lo regularmente. Imagino que o TJSP acatará a lei assim aprovada.E sabemos que o próprio Tribunal de Contas do Município admite que a Prefeitura de São Paulo está falida, o que faz plenamente justificável um aumento do IPTU.Aliás, o STF tem precedente famoso de controle de constitucionalidade por vício no processo legislativo. O caso lembrou-me o julgamento da ADIn 4029 do STF: “4. As Comissões Mistas e a magnitude das funções das mesmas no processo de conversão de Medidas Provisórias decorrem da necessidade, imposta pela Constituição, de assegurar uma reflexão mais detida sobre o ato normativo primário emanado pelo Executivo, evitando que a apreciação pelo Plenário seja feita de maneira inopinada, percebendo-se, assim, que o parecer desse colegiado representa, em vez de formalidade desimportante, uma garantia  de que o Legislativo fiscalize o exercício atípico da função legiferante pelo Executivo.
      5. O art. 6º da Resolução nº 1 de 2002 do Congresso Nacional, que permite a emissão do parecer por meio de Relator nomeado pela Comissão Mista, diretamente ao Plenário da Câmara dos Deputados, é inconstitucional.” Então, a meu ver, de fato o aumento do IPTU é plenamente justificável e bem vindo.Todavia, não creio que a decisão do TJSP foi assim um mero “sentimento de classe”. A meu ver, como se trata de inconstitucionalidade meramente formal, a liminar não foi totalmente despropositada. Aliás, tem até respaldo na recente decisão do STF na ADIn 4029.

      1. rafaelbianchini

        27 de janeiro de 2014 9:27 pm

        Vinícius,
        Você tocou em um

        Vinícius,

        Você tocou em um aspecto interessante, que é a relação entre alfabetização e gênero. Na população de até 50 anos, a taxa de analfabetismo de homens é maior que a de mulheres e as mulheres também têm maior escolaridade. Já na população de mais de 50 anos, a taxa de analfabetismo é de 25%, sendo maior entre as mulheres. Ou seja, em algum momento dos anos 60 o ensino fundamental deixou de discriminar por gênero.

        http://ensaiosdegenero.wordpress.com/tag/analfabetismo/

        Com certeza um formulador de políticas públicas deve levar isso em consideração, já que se trata da parcela mais vulnerável da população. Não sei se trazer essas pessoas de volta para a escola é impossível, mas certamente é mais difícil (de qualquer forma, a escolaridade é muito baixa na faixa de 30 a 50 anos, que também pode ser alvo do EJA). Só que se ninguém ouvir essa população e entender as necessidades dela a partir dela, nunca haverá uma política relevante. E eu não me sinto confortável em pensar que uma brasileira de mais de 50 anos e analfabeta está fadada a depender do marido e do Bolsa Família até morrer. Já tive experiência pessoal de alfabetizar uma senhora de 50 e poucos anos e me pareceu extremamente simples: em três meses a pessoa consegue ler e escrever bilhetes simples.

         

        Sobre a questão do IPTU em Sâo Paulo, eu tinha lido que o STF tinha se apegado a vício formal, mas tinha entendido que o TJSP teve interpretação diversa (a FIESP falava em não-confisco). Lendo o trecho do acórdão, só tenho de admitir que eu estava errado na minha interpretação.

  4. Bruno Cabral

    23 de janeiro de 2014 12:36 pm

    Item 10

    Faz tempo que desistiram dessa parcela da populacao, estao investindo nos filhos deles.

    1. rafaelbianchini

      23 de janeiro de 2014 12:55 pm

      Concordo

      Mas isso não significa que é bom. Não há como aceitar um índice de analfabetismo de 9% na população em geral (20% na população de mais de 40 anos). É muita gente não aproveitável para o mercado de trabalho. É negar a essas pessoas uma oportunidade de entrar pela porta da frente no mercado de trabalho. Em 2014 não fizemos o que Cuba fez nos anos 60-70. Óbvio que isso não é criação do PT ou PSDB. Se eu fosse um policy maker, primeiro universalizaria o ensino básico, para depois pensar nos adultos. Estamos em vias de fazê-lo. O próximo passo é criar uma meta de todo brasileiro alfabetizado e com o fundamental 1.

      1. Nicolas Crabbé

        23 de janeiro de 2014 2:41 pm

        Difícil

        O principal obstáculo é a idade: quanto mais tarde se começa a aprender mais difícil fica. Pode até ser que políticas adequadas de alfabetização de adultos diminuam o analfabetismo, porém é ilusório crer que será possível levar essas pessoas a um domínio da língua suficiente para inseri-las num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Passarão do analfabetismo puro para o analfabetismo funcional.

        Não digo que não deve ser feito, acho que é necessário resgatar essas pessoas e proporcionar a elas um meio inserção, por menor que seja, na sociedade em geral. Mas infelizmente duvido que seja possível qualificá-las para o mercado de trabalho.

Recomendados para você

Recomendados