5 de junho de 2026

Casos assintomáticos de Alzheimer podem mudar rumos de pesquisas

Jornal GGN – Quatro casos de doentes assintomáticos de Alzheimer, cujas doenças foram confirmadas apenas após a morte das pacientes, estão gerando discussões e até abrindo caminhos par novas abordagens sobre o estudo da doença. O termo faz referência a situações em que, apesar de todos os fatores no cérebro apontarem a presença da demência, os pacientes permaneceram lúcidos até o fim da vida. Foi o caso de quatro senhoras com idades entre 80 e 82 anos que morreram recentemente em São Paulo.

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Doados ao banco de encéfalos da Universidade de São Paulo (USP), amostras dos cérebros das quatro idosas foram analisadas ao microscópio e revelaram o amontoado de placas e emaranhados de proteínas que são a marca típica dos estágios avançados do Alzheimer. Mas, ao contrário do que se poderia esperar, as senhoras não passaram pelos típicos problemas de pacientes com o mal: última década de vida com sérios problemas de perda de memória e de cognição, como dificuldade de se expressar e de perceber o espaço a sua volta.


Familiares de todas as pacientes garantem que elas viveram lúcidas até o fim. O caso reabriu antigas posições e teorias sobre a demência, ao mesmo tempo em que abre novas possibilidade de abordagens e tratamento. De acordo com os pesquisadores, a demência senil pode ter várias causas, como problemas vasculares e até doenças degenerativas.

Por conta disso, o diagnóstico definitivo do Alzheimer só é confirmado geralmente após a morte. Quando a doença está presente, a autópsia do tecido cerebral mostra um excesso das chamadas placas neuríticas, ancoradas em ramificações dos neurônios, e dos emaranhados neurofibrilares, no interior dos neurônios atrofiados – geralmente encontrados no hipocampo e no córtex cerebral.

Até alguns anos atrás, boa parte da comunidade científica internacional acreditava que as placas neuríticas eram as responsáveis pelas disfunções sinápticas. Mas estudos recentes feitos pela equipe da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, ambos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), demonstraram que as placas, apesar de tóxicas, não são a causa principal da eliminação das sinapses e da morte dos neurônios.

As placas são formadas pelo acúmulo de pequenas moléculas de beta-amiloide, que normalmente são produzidas pelo cérebro, mas a proteína sofre deformações no Alzheimer. Mas parte da comunidade científica, atualmente, acredita que que são amontoados bem menores de beta-amiloide – os oligômeros, capazes de se difundir para dentro e para fora dos neurônios – os responsáveis por interferir nas sinapses.

Também há pesquisas que apontam que tais oligômeros formam, ainda, os emaranhados neurofibrilares, que impedem o transporte de substâncias dentro dos neurônios e contribuem para a sua morte. Assim, a formação das placas seria, na verdade, um mecanismo de defesa do organismo, que tenta expulsar os oligômeros das células e longe das sinapses.

A descoberta de novos doentes de Alzheimer que não apresentaram os sintomas, como as quatro senhoras de São Paulo, reforçam a hipótese. Já houve casos similares catalogados nos Estados Unidos, quando centenas de idosos foram acompanhados. O resultado foi que de 25% a 40% dos casos diagnosticados histologicamente como sendo Alzheimer não haviam desenvolvido demência.

“Ninguém entende exatamente por que essas pessoas não desenvolveram demência”, admite o neuroanatomista Carlos Humberto Andrade-Moraes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa do cientista é a primeira no mundo a analisar o número total de células do cérebro de idosos conhecidos como doentes de Alzheimer assintomáticos. O estudo concluiu que o número de neurônios dos assintomáticos é praticamente igual ao de idosos saudáveis, diferentemente do que se vê no cérebro de pessoas com Alzheimer que desenvolvem demência, a perda de memória e da capacidade cognitiva.

Com informações da Revista Pesquisa Fapesp.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. Lucio Vieira

    23 de janeiro de 2014 11:04 am

    Cada vez mais aumentam os

    Cada vez mais aumentam os casos de:

    – crianças com déficit de atenção,

    – jovens e adultos com depressão, esqizofrenia etc.

    – idosos com mal de alzheimer e parkinson.

    – acredita-se que cerca de 20/25% da população do planeta já está sofrendo as consequências da ansiedade. Os ansolíticos são os tres primeiros medicamentos da lista dos mais vendidos no Brasil

    O QUE TUDO TEM EM COMUM?

    Doenças do sistema nervoso.

    Parece dar algum sinal de que estamos trilhando uma rota danosa e perigosa. Em breve, quem  cuidará de quem? Num mundo onde se necessita cada vez mais dos valores da paciência e tolerância e vemos cada vez mais (aqui no blog, incluso) pessoas cobrando a tolerância aos pequenos grupos e por outro lado muitos sempre sentindo-se indignados, desrespeitados, carentes.

    Sabendo que sob “ataque” ao sistema nervoso, os nossos canais de defesas ficam abertos e enfraquecidos, se não mudarmos logo estas coisas, a humanidade em breve estará no abismo do nervosismo, do medo, da tensão.

  2. Marly

    23 de janeiro de 2014 4:17 pm

    Você tem razão.

    A vida agitada o stress, pode causar um desiquilíbrio no sistema endócrino. E apesar de leiga, penso que os distúrbios oriundos das glândulas que controlam nosso corpo podem ocasionar várias doenças. Você comenta sobre crianças com déficit de atenção, que possivelmente é por falta de dopamina, assim como acontece no mal de parkinson. Já o excesso de dopamina, pode causar vários distúrbios mentais. Conheço uma pessoa que devido a um stress e preocupação muito grande, teve a sua tireoide disparada. A tireoide regula a velocidade do corpo.Ela perdeu 5 KG em 1 mês, tinha as mãos trêmulas e 130 batimentos cardíacos por minuto. Enfim, teve um hipertireoidismo. O médico imediatamente perguntou se havia tido algum problema que se estendeu por algum tempo. Ela assentiu. Daí o médico informou que era um hipertireoidismo emocional, e que ficaria curada. Tratou durante 1 ano e até hoje está bem.  Será que as pessoas que ainda vivem no campo e sem fatores de stress adquirem Alzheimer?     

    1. Lucio Vieira

      23 de janeiro de 2014 6:20 pm

      Boa adição nos trouxe, Marly

      Sou apenas um estudante curiosos nestes assuntos. É interessante esta menção da glândula tireóide, que já tem significado no próprio nome: vem do grego thureo (escudo) pois se acredita ser dos principais componentes do nosso sistema imunológico. Descendo a partir da área do sistema central nervoso é a primeira glândula afetada. Pelo excesso de emoções perturbadoras, negativas (excitantes do sistema nervoso) as glândulas que tem papael fundamental na somatização dos processos internos da mente acabam super excitadas. No caso da tireóide, a cada dia aumenta o número de pessoas com hipertireodismo, hipotireodismo, nódulos etc. 

      A questão do homem do campo a que se refere, já estão também, na imensa maioria dos casos integrados e afetados aos sistemas modernos. Lembro que faz alguns anos, num Globo Repórter sobre o stress, mostravam que pessoas que moravam em paradisíacas vilas de pescadores, já se encontravam com níveis parecidos com os moradores dos concentrados urbanos.

      Nestes dias, no post sobre depressão e o papel positivo da espiritualidade, coloquei algo acerca da glândula pineal (que está justamente na região do sistema nervoso central) estar sendo afetada pela vida moderna e se calcificando, trazendo assim vários problemas também: https://jornalggn.com.br/comment/200457#comment-200457

      O exemplo de sua conhecida traz uma boa luz: o papel do profissional da saúde (cada vez mais distanciado disto, já que atende as demandas modernas do enorme grau de adoecimento consequente do que falamos aqui): diziam que anteriormente a medicina era melhor pois o médio tinha tempo, interesse e principalmente sabia escutar ao doente por trás das doenças. Quando identificavam desequilibrios na vida espiritual/emocional sugeriria o repensar. Parece que o perdão, a falta de ressentimento, o coração e a consciência tranquílos tem papel preponderante na vida da alma humana e por sequência, no corpo (soma) humano.

       

       

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