Vasos incomunicantes

Those who have crossed
With direct eyes, to death’s other Kingdom
Remember us—if at all—not as lost
Violent souls, but only
As the hollow men
The stuffed men. –
“The hollow men” – T.S. Eliot
Ocos
Sim, somos ocos como vaso de cerâmica
Talvez empalhados, elmos cheios de nada
Como os homens do poema de T.S. Eliot
Ou a imagem debuxada no imundo papel
A pele e os ossos como fardos pesados
invenção, mentira uma fuga endiabrada
Do que somos, sem perdão
Medo
Sim, somos medo como um futuro incerto
Talvez amparados pela mesma solidão
Um no outro nosso imenso vazio abismal
Indo e vindo em périplos caminhos
Desertos que fabricamos com destreza
Hidrófobos, sujos, fétidos, escarmentados
Do que somos, sem perdão
Raiva
Sim, somos raiva como raios disparados
Talvez incontrolável pela mesma soberba
E ignorância escudada que cuidamos descuidados
Esquecidos pela dor vertente na coluna
Alma, pele e ossos como um afluente
Em queda d’água, o rio descendo ao mar
Do que somos, sem perdão
Loucos
Sim, dementes , nossas vozes dessecadas
Talvez em violentos e tácitos disfarces
Sonolentas almas solitárias nas trevas da dor
Escandidos dos olhos que vemos nos sonhos
Sangue, sede e ócio de um pensar amargo
Fabricando rituais, mitos, logos, sítios, ideais
Do que somos, sem perdão.
*do livro “Ululancia”, de Erly Welton Ricci
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