5 de junho de 2026

A investida da Telexfree em Portugal

Sugerido por alfeu

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Do iG

 
Na Ilha da Madeira, 16% da população já aderiu, segundo TV pública; entidade de defesa do consumidor desaconselha investir no negócio, acusado no Brasil de ser pirâmide financeira
 
Vitor Sorano
Bloqueada no Brasil por suspeita de ser uma pirâmide financeira, e alvo de alerta na República Dominicana e no Peru, a Telexfree tem feito sucesso em Portugal. Eventos ao longo da última semana ocuparam a agenda de hotéis de luxo em Lisboa, Coimbra e Porto. Na Região Autônoma da Madeira, o negócio atraiu aproximadamente 41 mil pessoas, segundo a TV pública RTP Madeira – o que equivale a 16% da população local. 

“Já algumas pessoas conhecidas ou amigas falaram que estavam participando desse esquema”, diz o integrante de uma agência do governo regional. “Até mandei para uma dessas pessoas por e-mail uma notícia de que uma juíza brasileira havia mandado bloquear [as atividades].”

A popularidade, conquistada com a promessa de lucros expressivos, chamou a atenção também de autoridades. Segundo o iG apurou, a Polícia Judiciária da Madeira começou a reunião documentos sobre a Telexfree. A eventual abertura de um inquérito, entretanto, só ocorrerá quando houver queixas de lesados pelo negócio.

A Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (Deco Proteste) emitiu uma nota de alerta sobre as atividades da empresa, em novembro. No texto, a entidade orienta os consumidores a se manterem afastados do negócio, uma vez que “a probabilidade de perder a totalidade do capital investido é elevada”.

Para Carolina Gouveia, jurista da Deco Proteste, a Telexfree tem as características de uma pirâmide financeira.

“A lei portuguesa também classifica esse tipo de negócio como práticas comerciais ilegais, porque o que está em causa é um serviço que é proposto ao consumidor, mas o consumidor acaba por se tornar um colaborador da própria empresa, na medida que tem de promover a empresa”, afirma, em entrevista ao iG. “De fato, são práticas que não são permitidas.”

Via Estados Unidos

De acordo com uma fonte ouvida pelo iG, o dinheiro que tem chegado aos divulgadores da Madeira tem origem em diversos países, mas sobretudo, nos Estados Unidos. É lá que está estabelecida a Telexfree, INC., a sede do negócio.

A empresa é administrada pelo americano James Matthew Merrill e o brasileiro Carlos Wanzeler, que no Brasil são acusados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) de terem criado o que pode ser a maior pirâmide financeira da História do País. Também é réu no processo o brasileiro Carlos Roberto Costa.

A Justiça chegou a bloquear provisoriamente as atividades da Ympactus Comercial, braço brasileiro da Telexfree detido por Costa, Wanzeler e Merrill. Mas a medida, ainda em vigor, não tem impedido que residentes no Brasil continuem a se cadastrar, como o iG mostrou.

Thaís Khalil, juiza responsável pelo processo no Acre, recentemente, solicitou dados sobre a Telexfree, INC. A promotora que atua no caso, Alessandra Marques, chegou a declarar que a Telexfree americana também é alvo de investigação nos Estados Unidos. As autoridades americanas, entretanto, não confirmam nem negam a informação.

“Investigação aqui não e mesma coisa que investigacão no Brasil”, diz um divulgador da Telexfree nos Estados Unidos, sem saber que conversava com a reportagem. “Aí é coisa ruim. Aqui é coisa boa”, tranquiliza.

Cadastros além-mar

Assim como divulgadores americanos,  os de Portugal também têm se oferecido para cadastrar residentes do Brasil.  Isso é possível porque o interessado não precisa informar o seu endereço verdadeiro no cadastro no site www.telexfree.com. Apenas deve fazê-lo no sistema virtual de pagamentos contratado pela Telexfree para escoar os ganhos aos divulgadores.

“Poderá colocar a sua morada [endereço], mas no [campo] país, seleciona Portugal”, orienta um divulgador de Portugal que se identifica como Filipe, sem saber que falava com a reportagem. “Muda-se depois a morada para o Brasil na E-wallet [o sistema de pagamento contratado pela Telexfree] e recebe o cartão na sua casa aí no Brasil!“

A Polícia Judiciária e a Procuradoria Geral da República de Portugal não comentaram o caso da Telexfree. A empresa não se manifestou.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Evandro Trigueiro Tavares

    21 de janeiro de 2014 5:40 pm

     
    Todo mundo sabe que a

     

    Todo mundo sabe que a Bíblia, tanto o Velho quanto o Novo Testamento, prega a homofobia. O nó da questão é como conciliar dois valores: a dignidade humana, no caso dos homossexuais, e o direito à livre expressão e, por tabela, a liberdade religiosa. A meu ver, os dois lados terão de ceder, os pró-homossexuais terão de ceder menos, mas terão de ceder também. Ou então vamos censurar os trechos bíblicos onde há referências (negativas, é claro) à homoafetividade.. 

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