5 de junho de 2026

Iósif Stalin na visão do primeiro diplomata em Moscou após a Revolução

Sugerido por A. Araujo
 
Iósif Stalin por George F. Kennan
 
George Kennan foi o mais influente diplomata americano no Seculo XX, que viveu integralmente, nasceu em 1904 e morreu em 2005. Kennan entrou no Departamento de Estado com 18 anos e preparou-se desde o primeiro dia para servir na Russia. Fez seus estudos de lingua e cultura russa em Berlim e  em Riga até falar russo fluentemente , preparou-se para ser o primeiro diplomata americano a servir em Moscou quando as relações diplomaticas foram restabelecidas em 1929, 12 anos após a Revolução Soviietica. Kennan escolheu o prédio para a embaixada, mobiliou, acertou tudo para a vinda do primeiro embaixador, William Bullit. Serviu em Moscou até 1938, se desentendou com o sucessor de Bullit , Joseph Davies e depois de um interregno em Berlim, quando foi confinado pelos nazistas,  foi transferido para a Embaixada em Lisboa, onde negociou intensamente com Salazar para obter a base dos Açores, essential para os EUA. De Lisboa voltou a Moscou em 1944, como Ministro-Conselheiro, o nº 2 da Embaixada onde ficou até abril de 1946. 
 
Em Washington já se delineava a Guerra Fria, Kennan enviou de Moscou um telegrama ao Secretario de Estado, de 47 páginas, conhecido como o LONGO TELEGRAMA, peça angular de toda a politica dos EUA nos 50 anos de relações com a URSS a partir do fim da Segunda Guerra. Por sugestão do Secretario da Marinha, James Forrestal, Kennan foi chamado a Washington para ministrar uma serie de conferências no National War College sobre o tema da URSS e de como os EUA deveriam tratar com esse inimigo inquietante.
 
Seu LONGO TELEGRAMA propunha a chamada “politica de contenção” que significava boas relações economicas e culturais com a URSS, sem trata-la como inimiga a não ser que houvesse tentativa de expansão do poder sovietico para paises fora da orbita traçada nos acordos de Yalta e Potsdam. Nessa peça de conhecimento sobre a União Sovietica, Kennan profetizou que as tensões internas, a ineficiencia economica e a luta pelo poder dentro do regime levariam a uma desintegração da URSS por volta de 1990.
 

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O LONGO TELEGRAMA serviu de base à DOUTRINA TRUMAN. Em Março de 1947, com George Marshall como Secretario de Estado , Kennan foi encarregado de montar o POLCY PLANNING STAFF, o Grupo de Planejamento Politico do Departamento de Estado, que ele chefiou até dezembro de 1948. A partir dessa posição Kennan elaborou o que seria conhecido como PLANO MARSHALL e a constituição da European Recovery Commission para administra-lo, uma estrutura que até hoje se mantem com o nome de OECD-Organização Europeia de Cooperação e Desenvolvimento, um dos embriões da União Europeia.
 
Em dezembro de 1951 foi nomeado Embaixador na União Sovietica, posição que deteve até setembro do ano seguinte, quando foi declarado “persona non grata” por Stalin e impedido de reentrar na URSS. Stalin tinha respeito e temia Kennan porque ele conhecia bem demais a URSS,  ele sabiamente preferia embaixadores ignorantes e que não conheciam os intestinos do regime, seus bastidores, articulações, realidades sociais e economicas.
 
Na sua primeira estada, nos anos 30, Kennan viajou de trem incognito pelo interior da União Sovietica, por 40 dias, ninguem desconfiou que ele fosse um diplomata americano, falava russo perfeitamente. Falava tambem alemão, francês, tcheco, polonês, português, tinha essa facilidade porque viveu decadas no exterior e sua esposa era norueguesa. Kennan era um americano de cultura europeia sofisticada,
 
Kennan teve muitas brigas no Departamento de Estado, considerava a maioria dos burocratas do State completamente idiotas e desconhecedores de noções elelmentares de politica externa, tinha tambem enormes criticas à ignorancia dos Congressistas americanos, suas memorias contam muitos episodios  relacionados a congressistas americanos no exterior e a profunda estupidez na sua visão de mundo, suas atitudes arrogantes, seu provincianismo e especialmente, a atitude de subordinar a politica externa aos arranjos eleitorais.
 
Em maio de 1961 o Presidente Kennedy nomeou-o Embaixador na Iuguslavia, promoveu reaproximação de Tito com o lado ocidental, contribuinto para seu desligamento do bloco sovietico.
 
Abaixo uma primorosa descrição de Kennan sobre Stalin, que ele conhecia profundamente depois de tantos anos em Moscou.. A narrativa está no livro GOTHA DEI CENTO PERSONAGGI, Editoriale Nuova-Milão, 1977.
 
A tradução é livre , peço desculpas por qualquer falha.
 
“Era atarracado e de baixa estatura, sua farda gasta parecia sempre um pouco larga, contribuindo para fazer a figura tosca. O semblante aspero denotava uma força intensa, concentrada. Os dentes eram maltratados, o hálido pesado.  O conjunto, incluindo uma pele atacada pelos fulcros variculosos e os olhos apertados e amarelos dava a impressão de um tigre velho.
 
A sua postura, pelo menos nos encontros que tive com ele, era sempre serena e discreta.  Fazia tudo para não ser notado, falava pouco e baixo, cheia de compreensão dos argumentos do interlocutor.
 
Um visitante que desconhecesse quem era jamais perceberia a capacidade de calculo, de ambição, de perfidia, de crueldade, de potencial de vingança que se escondia naquela aparencia tão modesta.
 
O transformismo de Stalin era um fator essencial na sua grandeza de estadista, alem de sua capacidade de se exprimir de maneira simples, clara e aparentemente inofensiva. Era um discipulo que aprendia muito rapidamente. Tinha incriveis dons de observador e de imitador. Quando mandava executar alguem com quem muito aprendeu, era uma prova de respeito à sabedoria de quem lhe ensinou.
 
Mas a sua maior caracteristica era sua impressionante e diabolica habilidade no manejo da politica.
 
Não existe na Era Moderna um mestre de tal magnitude na sua arte magistral : o seu aspecto tranquilo, sereno, 
 
inocente desarmava as cautelas,  era sua grande e inquietante superioridade tática.
 
Soube por outros que tinha acessos de furia com subalternos mas nunca os vi.
 
Mas durante minhas visitas não duvidava que estava frente a um dos homens mais poderosos da Terra, grandioso, especialmente pela sua malignidade,  um homem cruel, astuto, despudorado, infinitamente perigoso, verdadeiramente uma dos grandes personagens de nosso século”.

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14 Comentários
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  1. jc.pompeu

    3 de janeiro de 2014 12:13 pm

    POEMA A STÁLIN, DE ÓSSIP MANDELSHTÁM

    POEMA A STÁLIN, DE ÓSSIP MANDELSHTÁM 

    “Mas, se já tinham sido muito difíceis, para todo o país, os anos transcorridos desde que Stálin assumira o poder, nada haveria de se comparar ao que aconteceu depois de 1º de dezembro de 1934. Nessa data, um desconhecido, Leoníd Nikoláiev, entrou no Smólnyi, o prédio onde funcionavam os escritórios do PCUS e, a queima-roupa, deu um tiro na cabeça de Serguêi Mirônovitch Kírov, o secretário do Partido na Federação da Rússia. E o Grande Terror começou. Nos dias que se seguiram, 40 mil habitantes de Leningrado foram deportados para os campos de concentração, acusados de conspirar para matar Kírov. Quatrocentos outros, sabendo-se suspeitos, suicidaram-se antes que a NKVD pudesse detê-los.

    Hoje em dia, não se tem mais dúvida de que o próprio Stálin foi o mandante desse crime. Muito estimado pela população, Kírov era um rival potencialmente perigoso para ele. Além disso, possuía – juntamente com outros líderes que o ditador precisava eliminar – informações sobre o verdadeiro genocídio perpetrado no campo, durante a campanha de coletivização forçada, que não podiam, de forma alguma, transpirar. [Em pouco mais de dois meses, 130 milhões de camponeses viram suas terras serem desapropriadas e foram deportados com suas famílias. A campanha de “deskulaquização” do campo resultou num genocídio de proporções inimagináveis – endossado por slogans como o que foi cunhado por Maksím Górki: “Se o inimigo não se submete, tem de ser esmagado”. Reagindo ao confisco de suas propriedades, os kúlaki matavam os seus rebanhos, queimavam as suas colheitas, agiam de forma a comprometer a produtividade de suas terras aráveis. Devido a essa desastrosa campanha de coletivização forçada – celebrada como uma epopeia heróica por Mikhaíl Shólokhov, em seu romance O Don Tranquilo -, o país foi vítima de uma epidemia de fome muito maior do que a dos anos negros da Guerra Civil.] Num dos mais importantes romances publicados durante a fase da dissidência do governo Bréjnev – Os Filhos da Rua Arbat, de Anatóli Naúmovitch Rybakóv – a responsabilidade do Vojd pela eliminação de Kírov é abertamente proclamada. Um dos poucos a saber do que se passava era o poeta Óssip Mandelshtám. Expulso de Leningrado, em 1931, ele andara pela Ucrânia, antes de chegar a Moscou, e tinha uma ideia do “enorme Bergen-Belsen em que se transformara o campo russo”, onde cerca de 15 milhoes de pessoas tinham morrido. Mandelshtám reagiu ao que vira no Poema a Stálin, do final de 1933, que não chegou a escrever, mas memorizara e declamava para seus amigos:

    Vivemos sem sentir o chão em que pisamos.

    A dez passos de nós, já não se ouve o que falamos.

    Mas onde quer que haja meia-conversa que seja,

    o montanhês do Krêmlin há de ficar sabendo dela.

    Os dedos desse assassino de camponeses

    são grossos como salsichões,

    e as palavras caem de seus lábios pesadas como chumbo.

    Seus bigodes de barata vibram

    e o cano de suas botas é reluzente.

    À sua volta, há um rebanho de líderes

    de pescoço fino, homens pela metade, que o bajulam

    e com quem ele brinca como se fossem animais de estimação.

    Rosnam, ronronam, uivam cada vez

    que ele fala com eles ou lhes aponta o dedo.

    Um a um, forjam leis para que, depois,

    ele os acerte com a ferradura na cabeça,

    no olho, no baixo-ventre.

    E cada vez que eles matam, isso é um pitéu 

    para aquele ossétio de pescoço grosso.

    (Stálin nasceu na Ossétia do Sul, república autônoma pertencente à Geórgia).

    Em março de 1934, Óssip cruzou com Pasternák e disse para ele o poema. “Não te encontrei e não ouvi o teu poema”, disse-lhe Borís Leonídovitch, apavorado. No início de maio do ano seguinte, Mandelshtám repetiu o poema em uma festa a que estava presente o conde Aleksêi Tolstói, um homem do sistema. Quando Tolstói protestou, defendendo Stálin, Óssip Emílievitch deu-lhe um sonoro tapa na cara. “Daquele momento em diante”, conta Nadiêjda, sua mulher, em suas Memórias, “eu sabia que Óssip estava condenado”. A NKVD o prendeu no dia 13 de maio. Mas Stálin, num de seus típicos comportamentos sádicos, de quem adia o castigo, para poder saboreá-lo melhor mais tarde, não mandou matá-lo. Ordenou que Nadiêjda e ele fossem exilados para Tchôrdin, nos Urais, e depois para Vorônej, na Sibéria. Só mais tarde Mandelshtám foi mandado para o campo onde morreu.

    No fim de 1938, o Terror atingira um décimo da população masculina soviética e o sistema ameaçava entrar em colapso sob o peso da máquina infernal que criara. Em suas memórias, Ievguênia Guínzburg, que esteve presa na penitenciária Butýrka, de Moscou, entre 1937 e 1939, relembra: “Todas as agências estavam desumanamente sobrecarregadas. Todos tinham de trabalhar como condenados. O transporte era insuficiente para remover tantos detentos, as celas estouravam de tão cheias, os tribunais tinham de trabalhar vinte quatro horas por dia”. Calcula-se que, a continuar nesse ritmo, em 1941, praticamente todo o país estaria na cadeia.”

    Poesia Soviética – seleção, tradução (do russo) e notas de Lauro Machado Coelho. Algol Editora

    Os Filhos da Rua Arbat, de Anatoli Ribakov. Tradução do russo de Paulo Bezerra

  2. Marcio OM

    3 de janeiro de 2014 1:40 pm

    Que besteira

    Dizer que Stalin matou Kirov é uma fansificação da história tão grave quando as promovidas pelo próprio Stalin.

     

    Existem fatos suficientes para atacar a imagem de Stalin, mas seus detratores insistem em inventar outros…

    1. Marcos Carvalho Campos

      3 de janeiro de 2014 5:05 pm

      Lógico que não matou. MANDOU

      Lógico que não matou. MANDOU MATAR. Um a mais um a menos para ele não fazia diferença, e ainda culpou os trotskistas revisionistas , contra-revolucionarios e etc …

      Se serve de consolo, Stalin não seria o que foi se não fossem caracteristicas sociais da própria Russia.

      http://www.marxists.org/archive/deutscher/1953/russiaafterstalin.htm

  3. vera lucia venturini

    3 de janeiro de 2014 2:10 pm

    Nestes dias eu li aqui no

    Nestes dias eu li aqui no blog a avaliação do serviço de segurança americano sobre os seus presidentes. Os autênticos e corretos  eram republicanos. Já os presidentes democratas eram falsos e levianos. Jimmy Carter, um homem público corretíssimo e que tem um trabalho importantissimo em favor da democracia  acompanhando e legitimando eleições no mundo inteiro se reduziu a um falso que carregava malas vazias.

    A respeito da avaliação pessoais e no caso de Stalin e da URSS é preciso se considerar algumas premissas:

    1 – o regime socialista se contrapôs ao sistema capitalista. Os poderosos donos do poder, do dinheiro e da riquezas mundiais jamais iriam  aceitar que a força de trabalho tem o mesmo valor do capital.

    2 – após a revolução, a Rússia foi isolada economicamente e teve que enfrentar uma guerra com a Finlândia que recebeu apoio do sistema capitalista internacional, além é claro dos problemas herdados do sistema czarista e da guerra civil

    3 – a história é contada pelos vencedores e o socialismo foi derrotado

    4 – um processo histórico, para ser conhecido em profundidade, precisa de séculos de decantação

    5 – a demonização de Stalin não é somente dele, diz respeito a todo um sistema político que teve que ser suprimido.

    E antes que me acusem: não sou a favor de ditadores e nem de extermínios. Só que existem líderes incensados que tem as ações legitimadas quando matam na África, na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina, na própria Europa (é só ver o que fizeram com a Iuguslávia recentemente) É tudo uma questão de poder e depende do lado que você está para ser considerado vilão ou mocinho.

  4. Zanchetta

    3 de janeiro de 2014 4:20 pm

    Deve estar ardendo no inferno

    Deve estar ardendo no inferno junto com o Hitler, o Mussolini e o Guevara…

  5. Daytona

    3 de janeiro de 2014 4:51 pm

    O bestalhão que criou a

    O bestalhão que criou a doutrina da contenção.

    1. Motta Araujo

      3 de janeiro de 2014 5:58 pm

      O “bestalhão” foi um dos SIX

      O “bestalhão” foi um dos SIX WISE MEN, no celebre livro de Robert Caro, com a biografia dos seis homens que no Seculo XX contruiram o poder americano, Kennan em companhia de Marshall e Harriman. Kennan jamais pregrou o confronto com a URSS, exatamente o contrario, foi contra a intervenção americana no Vietnam, foi o mais anti-falcão dos diplomatas do Departamento de Estado., sabia medir com precisão o real poder da União Sovietica e quais os riscos efetivos que ela representava, que eram na opinião dele muito menores do que os belicistas de Washington propagandeavam, foi esse o maior dos confrontos dele com o State Departmanet, a ponto de se afastar antes do tempo da carreira diplomatica, tal a insatisfação que teve com a condução do Departamento.

      Os embates de Kennan, suas ideias e visão do mundo estão perfeitamente expostos em seus livros, basta essa leitura

      para saber sua historia e seu importante papel na formação das relações exteriores dos EUA no Seculo XX.

      O “bestalhãi” recebeu do Congresso dos EUA a MEDAL OF FREEDOM, a mais alta condecoração dada pelos Estados Unidos, raramente conferida a um diplomata.

      1. Daytona

        3 de janeiro de 2014 7:45 pm

        Continua sendo o bestalhão

        Continua sendo o bestalhão que criou a doutrina de contenção, imobilizou a política externa dos EUA(e do mundo)por meio século sobre pressupostos furados, tanto que depois se arrependeu e virou crítico do próprio monstro que criou. Vai se informar, Araújo.

  6. Daytona

    3 de janeiro de 2014 5:04 pm

    Sério mesmo, não dá pra ler

    Sério mesmo, não dá pra ler esses posts do Araújo, dignos da Veja, é um desfile de bobagens. Alguns highlights:

    “Seu LONGO TELEGRAMA propunha a chamada “politica de contenção” que significava boas relações economicas e culturais com a URSS, sem trata-la como inimiga a não ser que houvesse tentativa de expansão do poder sovietico para paises fora da orbita traçada nos acordos de Yalta e Potsdam. Nessa peça de conhecimento sobre a União Sovietica, Kennan profetizou que as tensões internas, a ineficiencia economica e a luta pelo poder dentro do regime levariam a uma desintegração da URSS por volta de 1990.”

    Que monte de asneiras, parece aqueles artigos do Inst. Mises.

    “Stalin tinha respeito e temia Kennan porque ele conhecia bem demais a URSS,  ele sabiamente preferia embaixadores ignorantes e que não conheciam os intestinos do regime, seus bastidores, articulações, realidades sociais e economicas.”

    Kennan fazia relatórios para servir aos interesses dos falcões norte-americanos, sem qualquer preocupação com a realidade dos fatos(segundo Kennan, a URSS queria dominar o mundo, análise falsa que seria a base da Contenção. O próprio Kennan se arrependeria de suas colocações no relatório The Sources of Soviet Conduct)

    “Em maio de 1961 o Presidente Kennedy nomeou-o Embaixador na Iuguslavia, promoveu reaproximação de Tito com o lado ocidental, contribuinto para seu desligamento do bloco sovietico.”

    A Iugoslávia foi expulsa do Cominform em 1948, por divergências com a URSS, nada a ver com a atuação de Kennan. Enfim, artigo do nível daqueles que apresentam Churchill – um imperialista racista, que defendia o uso de armas químicas contra as “raças inferiores” da Ásia, um dos mais sanguinários criminosos de guerra da história – como Democrata e grande estadista. Não sei por que o Nassif não faz uma pesquisinha antes de emporcalhar seu blog com essas asneiras.

  7. Motta Araujo

    3 de janeiro de 2014 5:49 pm

    http://www.spartacus.schoolne

    http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/USAkennan.htm

    Um resumo biografico de Kennan. Escreveu muitos excelente livros,o primeiro foi A RUSSIA E O OCIDENTE, publicado em português,  o melhor são as suas MEMOIRS 1925-1950, o ultimo é um resumo de sua vida SKETCHES OF A LIFE, que tenho autografado pelo autor, fui a Princeton para pegar o autografo, deu-me a gentileza de uma curta convsrsa na sua sala no Institute of Advanced Study, que teve o economista Albert Hirschman e o cientista Albert Einstein entre seus professores.

    1. Daytona

      3 de janeiro de 2014 7:50 pm

      Parabéns por mais um

      Parabéns por mais um comentário dispensável e provinciano, bastante oportuno ao texto sem qualquer conteúdo e embsamento histórico/teórico que postastes.

      Parabéns, retrato perfeito do bacharelismo jeca tupiniquim!

    2. Motta Araujo

      4 de janeiro de 2014 12:50 am

      http://www.youtube.com/watch?

      http://www.youtube.com/watch?v=N1xJiSPgs9Y

      Video sobre o LONG TELEGRAM de George Kennan

    3. Motta Araujo

      4 de janeiro de 2014 1:00 am

      http://www.cfr.org/europe/las

      http://www.cfr.org/europe/lasting-legacy-george-f-kennan/p28438

      Conferencia de mais de uma hora no Council of Foreing Relations sobre George Kennan, pelo seu biografo.

  8. Waldyr Kopezky

    5 de janeiro de 2014 6:26 am

    Sobre imparcialidade…

    Senhores, seria demais querer imparcialidade na opinião de um membro do governo dos EUA sobre Stalin…

    Mas, já que uma parcela expressiva dos comentaristas aqui só se baliza pelos “especialistas” estadunidenses em qualquer assunto, cito (porque acho mais profunda, veraz e isenta) a opinião do jornalista John Reed (Dez dias que abalaram o mundo) sobre Lênin:

    “Uma silhueta baixa. Cabeça redonda e calva, mergulhada entre os ombros. Olhos pequenos, nariz rombudo, boca larga e generosa. Mandíbula pesada. Estava completamente barbeado. Mas a sua barba, dantes tão conhecida e que daquele momento em diante iria ser eterna, já começava a despontar novamente. O casaco estava poído; as calças eram compridas demais. Sua aparência física não indicava que ele poderia ser um ídolo das multidões. Mas foi querido e venerado como poucos chefes em toda a história. Um estranho chefe popular. Chefe só pelo poder do espírito. Sem brilho, sem ditos chistosos, intransigente e sempre em destaque, sem a menor particularidade interessante, mas possuindo, em alto grau, a capacidade de explicar ideias profundas em termos simples e de analisar concretamente as situações. Senhor de prodigiosa audácia intelectual, assim era Lênin.”

    Percebam o que é descrever sem estereotipar…

    Sobre o “diplomata” Kennan, duas observações:

    1. Ele jamais – em seus field reports (base da Doutrina Truma e também do Macarthismo que vigora até hoje nos EUA) opôs-se a uma ala política estadunidense radical, representada na postura do general Patton. Este considerava os soviéticos o verdadeiro inimigo dos EUA e queria que os aliados engajassem o exército vermelho imediatamente após a rendição alemã, com o remanescente dos batalhões Waffen-SS da Wehrmacht aparelhados e integrados plenamente aos aliados para esse fim.

    2. De acordo com os registros da KGB (já que é para ser parcial, vamos incluir tb o lado “vermelho”), ele foi considerado persona non grata e expulso por Stalin ao constatar-se que ele abrigava e aparelhava espiões dos EUA em seu staff diplomático. Tal confirmação originou-se do fato de que ele inferia sistemática e diretamente em assuntos internos do governo soviético, antecipando crises e movimentos oposicionistas, bem como simpatizando abertamente com dissidentes do regime russo (imaginem se os EUA permitiriam o apoio iraniano ou venezuelano declarado e aberto ao movimento Occupy Wall Street hoje em dia – aí, me falem em “mundo livre”).

    Belo estadista…

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