Sugerido por Demarchi
Da Rede Brasil Atual
Eduardo Maretti
Para geólogo, sem articulação metropolitana e universalização do saneamento básico, principal rio do estado seguirá sujo. Após dinheiro do Japão, França vira aposta de Alckmin para resolver problema
São Paulo – Os projetos de despoluição e desassoreamento do rio Tietê não terão resultados satisfatórios e definitivos se as principais causas da deterioração de suas águas, no passado e no presente, não forem combatidas. O primeiro fator é a falta de saneamento básico universalizado, e o outro o assoreamento, ambos causados pela “ação humana”, adverte o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo e autor de vários livros sobre o tema. “A qualidade das águas responde diretamente à qualidade do sistema de saneamento básico, competência da Sabesp com irresponsabilidades do DAEE”, diz.
“O que falta são políticas públicas bem direcionadas, estratégia bem montada. Não com o objetivo primeiro de despoluir o Tietê, mas de dotar a região metropolitana de um sistema de saneamento básico de primeiro mundo”, analisa. “Não acredito que uma mágica vá nos dar um rio despoluído antes de dotarmos a Região Metropolitana de um sistema de saneamento de primeiro mundo.”
Como a bacia do Alto Tietê, onde está localizada a Grande São Paulo, sofre as consequências da poluição causada por 39 municípios, o problema se torna muito difícil de resolver. Além da magnitude do espaço geográfico de onde vem o esgoto despejado no rio, há ainda o fato de que nem todos os municípios são atendidos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), casos de Diadema, Guarulhos, Mauá, Mogi das Cruzes, Santo André e São Caetano, atendidas por outras empresas. Sem um projeto geopolítico envolvendo a cooperação de todos os municípios com mediação do governo do estado, para ser chegar a uma política de saneamento básico “de primeiro mundo”, o rio continuará poluído.
“Uma cidade isoladamente não consegue resolver o problema, tem de ser uma articulação metropolitana”, diz Álvaro Rodrigues dos Santos. Para ele, as divergências entre tantas cidades com orientações e projetos políticos diferentes dificultam, mas cabe ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) resolvê-las. “Aí é que tem que valer a vontade política do governador. Se ele está com essa vontade política de resolver o problema do saneamento básico, como governador deve reunir os prefeitos envolvidos, dar um tapa na mesa e colocar para funcionar. E jogar isso para a sociedade dar sustentação. Isso é vontade política.”
Por mais de duas décadas
Segundo a Sabesp, o Projeto Tietê teve início em 1992, com a assinatura de um contrato de empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De lá para cá, foram muitos outros contratos de empréstimo, e nada resolvido. A última promessa de solução foi feita no dia 13 de dezembro, quando o governador assinou com o presidente francês, François Hollande, acordos de cooperação prevendo a troca de conhecimentos e tecnologias entre a Sabesp e a entidade daquele país responsável pela despoluição do rio Sena.
“Espero que não venha mais nenhuma promessa de milagre. Esses acordos são complicados, porque acho que temos todas as tecnologias e competência tecnológica na maior cidade da América do Sul para dar conta disso”, diz Álvaro Rodrigues.
Antes do convênio com o governo francês, o Japão foi oferecido como a solução para todos os males do Tietê. Em 2000, ainda na administração Mario Covas, R$ 375 milhões foram emprestados pelo país asiático para o rebaixamento da calha. Mais tarde, já governador, Alckmin chegou a dizer que as marginais Pinheiros e Tietê nunca mais inundariam, fruto dessa obra, mas acabou desmentido pela chuva.
Em 2010 a Sabesp recebeu novo empréstimo de US$ 63 milhões da Agência de Cooperação Internacional do Japão para a construção de estações de tratamento de esgoto.
Passadas pouco mais de duas décadas desde o início do programa, o objetivo segue sendo justamente implementar a infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto nas cidades atendidas pela Sabesp na Região Metropolitana. Até 2015, o investimento chegará a US$ 3,6 bilhões, nas chamadas primeira (1992-1998), segunda (2000-2008) e terceira fases.
A despoluição do principal rio paulista e de seus afluentes depende de vários fatores, diz a Sabesp, por meio de sua assessoria de imprensa, como “varrição e coleta de lixo; regularização de favelas e loteamentos clandestinos; combate o esgoto irregular; atuação das prefeituras nos municípios não operados pela Sabesp”.
Segundo a companhia, a terceira fase (2009-2016), em andamento, beneficiará 1,5 milhão de pessoas com rede de coleta, e tratamento para mais 3 milhões de pessoas. O investimento é de US$ 2 bilhões. A coleta subirá de 84% a 87% e o tratamento, de 70% a 84%. A quarta e última fase “vai garantir a universalização do saneamento nas áreas regulares atendidas pela Sabesp. Essa etapa está em fase de financiamento e estará concluída até o fim desta década”, informa a empresa.
“Não adianta só um grande sistema de coleta. Tem que ir levando esse sistema de coleta organizado e toda a infraestrutura à periferia”, diz Rodrigues dos Santos.
Assoreamento
Fora a questão do (ou da falta de) saneamento, o outro aspecto, igualmente grave, é o assoreamento. Segundo o geólogo, uma das principais causas das enchentes na cidade e na metrópole, decorrentes do volume de sedimentos oriundos dos processos erosivos nas zonas periféricas em expansão da cidade. “Chegam à rede cerca de 4 milhões de metros cúbicos desses sedimentos por ano. Com todos esses bilhões que foram investidos no alargamento e aprofundamento da calha, para aumentar a capacidade de vazão, não se consegue resolver o problema.”
O assoreamento não é provocado por causas naturais como chuvas e o próprio curso das águas, como muitos acreditam, mas pela ação humana. “São promovidas por movimentos de terra, terraplenagem, seja casa a casa, sejam grandes empreendimentos imobiliários. São processos erosivos provocados pelo homem”, explica. “E absolutamente nada é feito para conter esse problema em sua causa, a erosão, e joga-se tudo no desassoreamento. São centenas de milhões de reais por ano gastos no desassoreamento da rede de drenagem. É um absurdo que não se trabalhe concomitantemente num projeto de redução do volume de sedimentos que chegam.”
De acordo com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), o governo Geraldo Alckmin, já investiu R$ 358,9 milhões no desassoreamento de 4,5 milhões de metros cúbicos do Tietê. “Somando os investimentos no desassoreamento também de seus principais afluentes, esses números totalizam R$ 562,3 milhões e a retirada de 7,4 milhões de metros cúbicos de detritos. O Tietê nunca esteve tão desassoreado, sua calha encontra-se de acordo com a sua batimetria original, e os trabalhos de desassoreamento – que são contínuos -, seguem dentro do cronograma estipulado”, afirma a autarquia, por meio da assessoria de imprensa.
Segundo o geólogo do IPT, costuma-se apontar o lixo como causa de enchentes, mas esse é um mito. “O lixo urbano realmente atrapalha, mas está muito longe de ser o vilão das enchentes. Do volume que chega ao Tietê, apenas 5% é lixo. 95% são sedimentos arenosos que vêm dos processos erosivos, provocado pelo avanço da cidade sobre uma região cada vez mais montanhosa, com trabalhos de terraplenagem cada vez mais extensos, expondo o solo à erosão”. Culpando o lixo, esclarece Rodrigues, “as autoridades jogam a responsabilidade nas costas da população, uma coisa extremamente cômoda. O lixo provoca alagamentos localizados. Sobre o processo geral de enchentes não tem a mínima influência.”
Recentemente, Alckmin prometeu que em 2019 o estado teria 100% do esgoto tratado. “O Fleury nos prometeu que ia beber um copo d’agua do Tietê antes da virada do século”, lembra o ex-diretor do IPT, referindo-se ao ex-governador peemedebista (1991-1995) Luiz Antônio Fleury Filho.
André LB
3 de janeiro de 2014 2:07 pmA ideia nunca foi despoluir
A ideia nunca foi despoluir o Tietê. Assim como as águas – e o esgoto – se renovam a cada dia, o dinheiro gasto é um manancial ininterrupto e infindável de “choques de gestão” e colaborações de campanha. É a situação ideal, ainda melhor que um Rodoanel (verdadeiro açude paulista) que, de um jeito ou de outro, fatalmente será concluído em lagum momento no futuro.
Por essas e outras é que digo: o paulista médio GOSTA de corrupção, mas ela tem que vir servida nas cores azul e amarela, e com um grande bico.
Tucanalhão
3 de janeiro de 2014 3:01 pmQual seria a “marca de mídia”
Êita festa bilonária, como qualquer outra tucaneolibereta.
Afinal, não seria essa a massa cheirosa da Tacanhêde?
Que nome dariam?
Dragalhão? Tietelão? Esgotalhão? Porcalhão?
Não!
Abafalhão.
Gilson Raslan
3 de janeiro de 2014 2:54 pmCAIXA DOIS
Programa de despoluição dos rios paulistas, na forma como está sendo conduzido, não passa de uma forma de fazer caixa dois para a campanha tucana.
Distribuidor Bilionãrio
3 de janeiro de 2014 3:05 pmBolsa Famiglia
Vcs pensam que é fácil gastar 3,6 BI para nadica de nada?
Isto faz parte do grande projeto de “distribuição de renda” tucaneoliberalha.
Distribuem a grana entre eles.
Fica tudo em famiGlia.
Antonio C.
3 de janeiro de 2014 3:13 pmComentário.
Não sou engenheiro, nem arquiteto, nem urbanista. Mas tenho dois banheiros em casa. Engraçado que a coisa é simples. Se eu jogar todo o tipo de porcaria dentro do vaso (chamemos um dos meus banheiros de Tietê) e der uma vazão da descarga bem baixa (afinal, o detrito tem que ir para alguma lugar, e este é outro problema), a possibilidade de alguém chamar a polícia pra tirar um cadáver não é pequeno (exageros à parte).
Se eu me preocupar (sic) em tirar a caca com a pazinha e, em seguida, jogar mais detrito, é claro que vai continuar a mesma porcaria e chamarão a polícia pra tirar um cadáver.
Obviamente, a solução é parar de babaquice, usar a descarga direito e me preocupar com o destino da coisa toda.
Como se sabe, dinheiro do BID não é sopa grátis. Em “contrapartida”, eles fazem uma lista de sujestões (sim, sugestões sujas), ou ainda sujeições (o que tem muito a ver com o complexo de viralata), na forma de “choque de gestão”. É o que torna possível estabelecer a relação entre o baixo salário do professor e aquele esgoto a ceu aberto que chamam de Tietê.
Mas enquanto essa ideologia de locomotiva do pais prevalecer em São Paulo, ainda terá muito cidadão batendo no peito e fechando a narina. Nisso somos bem vitorianos, com o nosso Tâmisa sujo e muito peculiar. Cosmopolitismo é isso.
AlvaroTadeu
4 de janeiro de 2014 4:16 amO asssoreamento do Rio Tietê.
Antonio C, suas alegações são falhas e não batem com a realidade. Se você jogar um monte de porcaria no seu vaso sanitário (não duvido que haja um monte de gente fazendo isso), não significa que o rio será assoreado. Uma cidade como São Paulo, há mais de 50 anos deveria ter todo o esgoto sanitário tratado. Essa sujeira toda que você pode jogar no vaso sanitário será tratada, poderá virar adubo e a água devolvida ao rio deverá ser praticamente potável. Assim é o tratamento do esgotamento sanitário.
Nas amostras de sedimento do rio, análises químicas e sedimentológicas confirmarão as afirmações do meu xará Rodrigues. Uma parte de lixo para 19 outras de restos de construção e terraplenagem, que ocorrem sem nenhuma fiscalização em toda a região metropolitana. Faz décadas, o Rio Tietê já era esse esgoto a céu aberto na Capital, quando estive em Barra Bonita, no interior do estado. Havia uma profusão de barcos, o rio era bem largo e pessoas nadavam. Não dava para acreditar que era o mesmo rio que algumas centenas de quilômetros a montante era aquela sujeira toda. Quanto ao empréstimo japonês que alguém citou, qualquer um, até mesmo um tucano pode apresentar excelentes projetos de despoluição da calha do rio. Na hora da execução, um real para o rio, 9 reais para o bolso deles. E estamos conversados.
Ugo
3 de janeiro de 2014 3:19 pmvamos começar
Primero despoluir o estado eliminando aquela ave agourenta.
Seguida fazer……
Carlos Filho
3 de janeiro de 2014 3:33 pmFonte de lama
Trata-se de uma fonte ienesgotável de recursos para o demotucanato, talvez até maior do que a gerada pelo Trensalão. A turminha responsável pela licitação e gestão do contratos de desassoreamento é do ramo. Pena que ninguém se interesse em investigar, nem mesmo o MP. A falta de investigação, no caso, não é caso de conivência, mas de cumplicidade
Roberto Locatelli
3 de janeiro de 2014 3:45 pmMelhor votar no PT
Por isso eu digo: mesmo quem não gosta do PT deveria votar nele. Com o PSDB no Executivo, o que ocorre é:
1) o ministério público trata de arquivar TODAS as denúncias em gavetas erradas (de preferência no arquivo morto);
2) a “justiça” olha para o outro lado (Joaquim Torquemada adora sair em fotos ao lado de tucanos);
3) a carcomídia acoberta todos os fracassos e desastres da gestão.
Quem é a favor de que o poder executivo seja FISCALIZADO, tem que votar no PT.
DanielQuireza
3 de janeiro de 2014 4:05 pmPerfeitamente.
Perfeitamente.
Marianne
4 de janeiro de 2014 11:00 amQuem não gosta do PT devia
Quem não gosta do PT devia votar nele ao menos para o Legislativo paulista, assim poderiam dar sequência às muitas CPI que deveriam apurar as roubalheiras do governo. Mas preferem andar em direção ao abismo com os olhos vendados, e agora alguns começam a pregar a secessão pela internet. Vamos ver quão mais ridícula a coisa pode ainda ficar.
Roberto Locatelli
3 de janeiro de 2014 3:36 pmR$ 8 BILHÕES
O valor de U$ 3,6 bi corresponde a R$ 8 BILHÕES. Uma dinheirama que escoou pelo ralo do Tietê.
Sobre desassoreamento: por três anos o Tietê ficou sem desassoreamento. No entanto, governo PAGOU O SERVIÇO assim mesmo. http://www.viomundo.com.br/humor/a-gente-ja-sabia-tucanos-deixaram-de-limpar-o-tiete-por-tres-anos.html
A falta de tratamento de esgoto é geral na cidade, inclusive em bairros de classe alta.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/corrego-perto-do-palacio-dos-bandeirantes-continua-a-receber-esgoto-em-itaquera-e-a-sabesp-que-joga.html
Os povo paulista está sendo IRRESPONSÁVEL em eleger José Siemens Serra, Geraldo Alstom e os tucanos em geral. O estado está sucateado.
DanielQuireza
3 de janeiro de 2014 4:03 pmVolto a repetir, o grande
Volto a repetir, o grande problema que temos, não é a imprensa só e sempre acusar o Governo, algumas vezes injustamente, mas sim a imprensa ser CHAPA BRANCA com a oposição no País e que governa alguns estados importantes como SP e MG. Quem governa sem a imprensa fiscalizando se perde rapidinho e só faz bobagem, uma atrás da outra.
Um dos grandes perigos que vejo em o PSDB ganhar a presidência é este: juntar o poder da imprensa – que não quererá a volta do PT – com o poder de Governo e de Estado.
Durvalino
3 de janeiro de 2014 5:58 pmCaro Eduardo Maretti.se
Caro Eduardo Maretti.
se entendi direito o pricipal defeito desse embroglio eh FALTA DE PLANEJAMENTO. e me pergunto como os japoneses puseram dinheirama no projeto sabendo q eles sao os papas em planejamnto.
falta uma peça nesse quebra cabeças.
Ricardo Moreno
3 de janeiro de 2014 9:10 pmMandou bem.
Mandou bem.
Marco St.
3 de janeiro de 2014 6:37 pmBaú de Ouro
O esgoto fétido do Rio Tietê é o baú de ouro no fim do arco-íris tucano.
marcosomag
4 de janeiro de 2014 12:43 amIncompetência tucana e a “catedral” do Tietê.
Esta obra tucana do “novo” Tietê mais parece construção de catedral: nunca acaba.
A inacreditável incompetência deste pessoal, que teve a “capacidade” de aterrar os tubos preceptores (e que custaram os “tubos” de dinheiro) do velho Projeto Sanegran, o único que procurava atender de forma abrangente a Grande São Paulo criou este sorvedouro de dinheiro público chamado “novo” Tietê!
Estamos condenados a uma obra infinita enquanto não reavaliarem a construção de estações de tratamento programadas e subprojetadas.
Literalmente, estão jogando dinheiro no bueiro.
taturanous
4 de janeiro de 2014 1:41 amRio Piscoso !!!!
tempo da canoa com cabo de aço travessia Vila Leopoldina.outra em Presidente Altino
vierao as pontes de tambor,uma delas quebrou e arrastou algumas pessoas que trabalhavao
na Ford,a dragagem era feita com barcaça pela Brada,tirava a massa fetida e colocava ali,chovia
voltava para o leito do rio novamente, 1964-2014 meio seculo-50 anos-AMEM
desculpem os erros,digito como esbravejo.
RIO TIETE=Este nome da dinheiro
Cade os peixes
Elvys
4 de janeiro de 2014 4:27 pmJá se vão mais de vinte
Já se vão mais de vinte longos anos e o Rio Tietê continua o mesmo esgoto fétido em São Paulo. Tremenda fonte de ladroeira, isso sim. Depois do maufismo, a praga dos tucanos. Não merecemos tanta “merda junto”!!!