5 de junho de 2026

O debate sobre as gratuidades no transporte público

Sugerido por Almeida

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Do IHU

Gratuidade no transporte público: uma proposta para assegurar a mobilidade urbana

Entrevista especial com Ernesto Galindo

“As gratuidades, ou parte delas, assim como acontece em muitos países da Europa, têm de ser bancadas pelo Estado”, defende o pesquisador.

Garantir o transporte gratuito para 7,5 milhões de pessoas que recebem uma renda per capita de até 70 reais é uma das alternativas à infinidade de Projetos de Lei que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado a fim de melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Segundo o pesquisador do Ipea, Ernesto Galindo, autor da Nota Técnica Transporte Integrado Social – uma proposta para o pacto da mobilidade urbana, que propõe a isenção das tarifas de ônibus a uma parcela da população, este projeto é viável “através da desoneração do sistema, ou seja, tirar tributos federais, estaduais e municipais do transporte público, garantindo que ele se torne mais barato”.

Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Galindo esclarece que é possível subsidiar o transporte público através da “gratuidade” do serviço para estudantes e trabalhadores informais, por exemplo, a partir da instituição de leis federais, e através da “desoneração” dos tributos referentes ao transporte público. “A União, os Estados e Municípios devem desonerar o transporte público, mas essas desonerações só podem ocorrer mediante assinaturas de convênios e de um acerto em que o operador do sistema de transporte público se obriga a reduzir as tarifas.

(…) Os estados e municípios já reduziram alguns tributos por pressão popular. Então, a parte das desonerações cabe a todo mundo, mas a parte da gratuidade deve ser garantida pelo governo federal através de leis”, salienta.

Ernesto Galindo é técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como e em que medida a isenção da tarifa de 7,5 milhões de pessoas que não têm acesso ao transporte pode ser uma alternativa à mobilidade urbana?

Ernesto Galindo – Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que essa proposta surgiu num contexto muito específico: além das manifestações que aconteceram a partir de junho, as quais tiveram uma pauta muito forte na questão da mobilidade urbana, o Ipea foi incentivado a escrever uma nota por conta do Pacto da Mobilidade Urbana anunciado pela presidente Dilma e por conta de uma série de Projetos de Lei que tramitam na Câmara dos Deputados ou no Senado, os quais tratam do assunto do transporte público, e que surgiram ou oportuna ou oportunisticamente.

Analisamos que muitas propostas não tinham um cálculo do impacto orçamentário. Então, inicialmente imaginamos uma série de formas de poder subsidiar o transporte público, depois analisamos as implicações de alguns dos impactos dos projetos de lei que estão tramitando noCongresso, e definimos a seguinte proposta: reunimos algumas gratuidades e as vinculamos aoProjeto de Lei Regime Especial de Incentivos para o Transporte Urbano de Passageiro – Reitupe, que está tramitando há mais de dez anos no Congresso, o qual define que a União, os Estados e os Municípios devem desonerar o transporte público, mas essas desonerações só podem ocorrer mediante assinaturas de convênios e de um acerto em que o operador do sistema de transporte público se obriga a reduzir as tarifas. Além disso, existe uma exigência de controle social, de melhorias no sistema de integração, bilhetagem única, etc.

Nesse contexto priorizamos quem tem uma renda muito baixa, ou seja, compatível com o valor que se trabalha no Programa Bolsa Família, quer dizer, 70 reais per capita mensal. A partir desse recorte, baixamos de um universo de mais de 20 milhões de pessoas para um universo de 7,5 milhões. Baixamos também o impacto orçamentário de mais de R$ 20 bilhões para um impacto de oito bilhões, mas consideramos que será possível chegar a menos de cinco bilhões, analisando apenas as 44 maiores cidades do país. Nós tínhamos informações sobre o valor da tarifa nessas cidades e foi possível, a partir dos dados, calcular o impacto. Além disso, de fato essas são as cidades que mais concentram transporte público.

IHU On-Line – Como subsidiar o custo dessas 7,5 milhões de pessoas a fim de garantir o Transporte Integrado Social? O senhor sugere que o governo federal juntamente com os estados e municípios arquem com os subsídios. Como?

Ernesto Galindo – Basicamente isso é possível através da desoneração do sistema, ou seja, tirar tributos federais, estaduais e municipais do transporte público, garantindo que ele se torne mais barato. Esse é um compromisso dos três entes, sendo que, dos quatro tributos previstos, a União já desonerou três: a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Cide, que incide sobre os combustíveis; PIS e COFINS, que são cobrados da empresa que presta serviço de transporte público; e uma alteração numa cobrança de seguridade social que recai sobre esse tipo de empresa, que alterou a forma de incidência desse tributo, ou seja, passou a ser cobrada em cima de 2% do faturamento, e isso fez com que reduzisse a carga tributária sobre essas empresas. O único tributo que a União ainda não reduziu foi o PIS e COFINS para importação de alguns produtos como chassi de pneus e combustíveis. Nós consideramos que esse é o caso mais complicado para conseguir reverter o valor da tarifa, porque está envolvido com cadeias monopolizadas ou oligopolizadas.

Os estados e municípios já reduziram alguns tributos por pressão popular. Então, a parte das desonerações cabe a todo mundo, mas a parte da gratuidade deve ser garantida pelo governo federal através de leis. Os municípios e os estados devem arcar com as gratuidades que eles determinam, ou seja, há casos em que estudantes e doadores de sangue têm gratuidade no transporte, e assim por diante.

IHU On-Line – É possível garantir a gratuidade sem aumentar o imposto de outros serviços?

Ernesto Galindo – Talvez o termo gratuidade seja incorreto, porque sempre que falamos em gratuidade, é claro que alguém está deixando de pagar, mas, para alguém deixar de pagar, outro está pagando. O que acontece no Brasil, e não é um padrão no mundo todo, é que o custo das passagens gratuitas é arcado pelos demais passageiros. Ou seja, outros passageiros pagam para que o idoso possa andar de graça no transporte público brasileiro, por exemplo. É claro que isso gera uma injustiça social, porque muitas vezes pessoas com rendas mais baixas do que um determinado idoso acabam arcando com o custo da passagem desse idoso. Então, consideramos que as gratuidades, ou parte delas, assim como acontece em muitos países da Europa, têm de ser bancadas pelo Estado.

Aí você pergunta: mas então você está tirando algo de outras pessoas? Sim. Esse é o padrão que ocorre com qualquer serviço, seja saúde, educação, e uma série de outros serviços. O que temos de evitar é que quem tem menos condição arque com esse custo. A lógica é que isso recaia sobre as pessoas que têm mais condições.

IHU On-Line – Como o senhor vê a proposta do Pacto da Mobilidade Urbana da presidente Dilma? Esse pacto já apresentou alguma ação concreta? Em que medida o Transporte Integrado Social é uma alternativa ao Pacto da Mobilidade Urbana?

Ernesto Galindo – Primeiramente quero esclarecer que li algumas matérias na imprensa e houve uma falha de interpretação no nosso texto quando os meios de comunicação informam que para o Ipea o Pacto da Mobilidade Urbana não fez nada e, por isso, estava colocando uma proposta através do Transporte Integrado Social. Esta informação está equivocada, até porque o Ipea é um órgão do governo federal e, apesar de termos a liberdade de apontar críticas, o objetivo é que elas sejam construtivas.

Então, aconteceu que acompanhamos a discussão do Pacto da Mobilidade Urbana com a Casa Civil, com o Conselho das Cidades, com o Conselho de Assuntos Federativos, com oConselhão que foi presidido pelo presidente do Ipea, e levamos essa proposta para todos esses espaços, inclusive discutimos com movimentos sociais. A presidente Dilma recebeu os movimentos sociais e essas propostas. O próprio Conselho das Cidades emitiu uma resolução indicando de que forma esse pacto deveria ser feito, como poderiam ser utilizados os R$ 50 bilhões anunciados pela presidente para tratar da questão da mobilidade.

O que nós comentamos é que, de fato, até o momento há de concreto os 50 bilhões anunciados pela presidente, mas, em contrapartida, os movimentos sociais e outras instâncias dentro do governo também têm suas propostas referentes à mobilidade urbana e já as colocaram na mesa, anunciando uma série de propostas que consideramos válidas.

A diferença dessas propostas para as que estamos propondo agora é simplesmente porque analisamos que há um contexto em que vários Projetos de Lei poderão ser aprovados e terão um impacto muito grande. Sugerimos, portanto, que o poder Executivo se antecipe a isso e tenha uma contraproposta, porque se chegarem à presidência propostas que têm custos anuais de mais de 20 bilhões para o governo federal, o governo ficará em uma saia justa. Então, é importante que o Estado entenda esses impactos e tenha uma contraproposta para isso, tenha uma forma de priorizar esse público que está sendo colocado nos Projetos de Lei.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Ernesto Galindo – Os pontos fundamentais são esses: entender o contexto no qual essa questão está sendo proposta, que se trata de uma contraproposta aos projetos que estão tramitando naCâmara e no Senado, e entender que apesar de o pacto da mobilidade urbana não ter oficialmente nenhum resultado que vá além dos 50 bilhões — pelo menos no ponto de vista do governo — existe uma movimentação muito forte, dentro e fora do governo, de diversas propostas para esse pacto.

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15 Comentários
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  1. nilccemar

    23 de dezembro de 2013 4:36 pm

    Quando Erundina propôs, houve uma gritaria geral …

    Erundina, prefeita de SP pelo PT, propôs a passagem subsidiada, foi só gritaria por todos os lados, e Erundina foi execrada pela midia. Não sei nem como “consentiram” no BILHETE ÚNICO, implementado por Marta prefeita do PT. Agora, que muitos empregadores pagam as passagens, há grande aceitação da idéia do PT ( ? )

    1. Jorge Nogueira Rebolla

      23 de dezembro de 2013 7:38 pm

      Coma mais peixe… você está precisando…

      O vale-transporte é anterior ao tufão Erundina em São Paulo… desde a sua criação é a empresa que paga a maior parte do valor da passagem… o Brasil não começou em 01 de janeiro de 2003, você sabia?

      1. nilccemar

        23 de dezembro de 2013 8:51 pm

        Então, você concorda comigo

        A quem atende a reivindicação do MPL ? Aos desempregados ? Quantos são ?

  2. alexis

    23 de dezembro de 2013 4:50 pm

    Gratuidade para piorar?

    Embora o transporte público vise, socialmente, favorecer as pessoas de menor nível de renda, o problema do trânsito deve ser enxergado pelo lado totalmente oposto. Ou seja, precisa-se de transporte público rápido, de qualidade e conforto, capaz de convencer ao dono de carro a deixar ele em casa. Um bom metrô parece atender ambos os problemas. A gratuidade, por si só, tenderia a piorar o serviço.

  3. Gilberto .

    23 de dezembro de 2013 4:57 pm

    Precisa avisar a FIESP

    “As gratuidades, ou parte delas, assim como acontece em muitos países da Europa, têm de ser bancadas pelo Estado”, defende o pesquisador.

    Avisem então a FIESP para não entrar com ADIN contra.

    Uma pergunta: Porque o transporte nas grandes metrópoles não volta a ser estatal? 

    Como é em todas grandes metrópoles do mundo.

    1. Motta Araujo

      23 de dezembro de 2013 6:47 pm

      Eu tambem sempre defendi a

      Eu tambem sempre defendi a tese que o transporte nas grandes cidades deve ser publico e estatal MAS no Brasil há o grave contraponto da CORRUPÇÃO que leva à ma gestão e ainda nada funciona. Tivemos no Brasil excelentes ferrovias, foram todas DESTRUIDAS quando viraram estatis, até a excelente Companhia Paulista de Estradas de Ferro acabou.

      Funciona assim: a empresa estatal passa a ser dominada pelos Sindicatos, os beneficios vão sendo aumentados ao infinito, até a empresa quebrar, nunca há demissões, nem se um empregado matar o outro, vem a roubalheira nos suprimentos, nepotismos, amantes secretarias, mordomias e tudo vira uma ruina, foi assim com a FEPASA e a RFFSA.

      A CMTC estatal paulistana de transportes coletivos quando foi extinta era um ferro velho. Em Paris é estatal, em Londres, em Nova York idem mas lá há bons gestores e raras comilanças, vereadores não indicam diretores, nem chefes de gabinete (aliás isso nem existe em pais adiantado) e nem aspones. Essa é a REALIDADE.

      1. Jorge Nogueira Rebolla

        23 de dezembro de 2013 7:40 pm

        Já imaginou…

        a família Tatto administrando todo o sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo… a farra que seria?

        1. Gilberto .

          23 de dezembro de 2013 9:17 pm

          E a Alston e a Siemens?

          Esta desculpa é velha e foi atropelada pelos fatos.

          Como anda a linha Amarela do Metro?  Quem é que toma conta do consórcio mesmo? Corrupção tem com ou sem privatização. Com transporte público ou privado.

          Acabar com ela, é outra seara. Esta é a realidade: NÃO se acaba com a corrupção entregando o ouro aos corruptores.

           

          1. Motta Araujo

            24 de dezembro de 2013 12:55 am

            Negativo. Todo esquema da

            Negativo. Todo esquema da ALSTHOM E SIEMENS tem na outra ponta empresas ESTATAIS.

  4. DanielQuireza

    23 de dezembro de 2013 5:11 pm

    Algum subsído tudo bem, mas

    Algum subsído tudo bem, mas gratuidade não faz sentido nenhum. O custo do transporte é muito alto, colocá-lo gratuito vai fazer pesar muito nos cofres públicos. Muitos trabalhadores recebem o transporte dos empregador, coisa que deve ser incentivada. Mas transporte público inteiramente de graça só vai fazer o transporte piorar além de esgarçar ainda mais as contas públicas.

  5. Motta Araujo

    23 de dezembro de 2013 6:52 pm

    Transporte publico gratuito é

    Transporte publico gratuito é uma excrescencia, tudo tem custo, nem no comunismo na antiga URSS o transporte coletivo era de graça. Não faz o menor sentido, é a eterna mania dos “”direitos ao infinito”” tudo é um direito pagom pelo Estado, o Estado somos nós, os que trabalham pagam tudo, fora que de graça vai ter vagabundo o dia inteiro passeando de onibus.

    Nada pode ser só um “direito”. No Texas as escolas publicas são excelentes mas as mães tem obrigação de prestar serviços voluntarios em asilos, orfanatos e hospitais. A cada direito corresponde uma obrigação, nada pode ser sem custo até para que o cidadão tenha uma noção de que tudo custa, nada na vida é “”de gratis””.

  6. Kleberson

    23 de dezembro de 2013 7:00 pm

    Quem usa que pague

    Não faz sentido algum aquele que não utiliza o serviço ter que pagar para aquele que utiliza. Quem usa que pague. Já tenho que sustentar meus filhos, agora vou ter que sustentar os dos outros. Isto é populismo barato.

  7. Antonio C.

    23 de dezembro de 2013 7:00 pm

    Comentário.

    Comento apenas sobre a cidade de São Paulo. Existem dois problemas: um, orçamentário; outro, político.

    Acho que já sofremos demais com a mistificação das “jornadas de junho” (era a Revolução Francesa ou Russa?) que, pelo “ódio à politica”, mas sem alternativa, quase abre o flanco para os fascistas. Nem os esquerdistas que seguiam as ordens de Stalin fizeram melhor (não é uma crítica para toda a esquerda, frise-se).

    Diminuiu-se o valor da passagem, e cadê o dinheiro pra cobrir? Ah, meteram a mão na Prefeitura paulistana – enquanto isso, a impresa televisionada a soldo mostrava o grande cenário da Avenida Paulista. Não votei no Serra, no Kassab, no Maluf…

    É o Haddad que tem que resolver! Claro, o paulistano, no geral, não vai achar que votou mal, que foi roubado, que é enganado de forma contínua pela imprensa. Faz mal para a autoimagem! Que a banda toque enquanto o barco afunda. Se não der certo, a culpa é do Haddad, não é mesmo?

    É o dilema desde Ibsen: se uma cidade sobrevive em função de seus próprios vícios – mas que pode igualmente, levá-la à destruição -, medidas necessárias podem ser impopulares. Ah, sim, esqueci: a Fiesp, o PSDB, a Globo, o Johnny Saad e o STF (que vetou o aumento do IPTU) não representam o povo. Mas os jornalistas a soldo fizeram de tudo para achar que o aumento do IPTU era semelhante para todos.

    O MPL entrou em férias escolares. Mas o poder não descansa. Mimados, exigem a diminuição da passagem. O dinheiro para cobrir? Ah, não importa! Haddad, resolva!  A Fiesp e o MPL se unem, numa verdadeira conciliação de classes! Tudo pelo fato de a nossa “esquerda”, ausente de dialética, mal compreender as mediações: é isso o que permite que “anarquistas” e pitboys, juntos, depredem a Prefeitura, sob o olhar cúmplice da polícia estadual.

    Essa pintura surreal é a realidade paulistana. Não há exílio que refresque a consciência.

  8. Dudu Cartucho

    23 de dezembro de 2013 8:01 pm

    Incrivel o sr. Ernesto


    Incrivel o sr. Ernesto Galindo falar em desonerações, é chover no molhado. A União, o estado e o municipio desonera e o empresário prestador de serviço embolsa tudo, e o povo continua pagando caro. Será que ele não sabe com quem está lidando?

    Esses “prestadores” de tranporte, lixo, radiodifusão, empreiteiros, são o que de pior existe no empresariado nacional. Para se conseguir uma concessão do que quer que seja, só Deus sabe!

    A solução realmente passa pela estatização do serviço, e gratuidade. Até o trânsito agradeceria.

    Deixar nas mãos de concessionários vai ser o maior roubo de dinheiro público.

  9. nilccemar

    23 de dezembro de 2013 9:46 pm

    Comparando o imposto sobre veículos em SP com o IPTU, temos que:

    Meu imóvel por exemplo, imune ao IPTU por causa da metragem, vale 20 vezes mais que meu carro, que vai pagar quase 880 reais de IPVA/2014. Pela tabela utilizada, um carrinho popular básico, KA 2011, sem ar e direção hidráulica, vale quase 21 mil reais ( ! ) sendo que um zero está apenas uns 3.000 a mais que isso ( ! )  E, além do IPVA absurdo, tem também o seguro obrigatório, em torno de 100 reais, e depois o licenciamento; fora as multas fatais e pedágios. Na mesma proporção do carro, o IPTU equivalente _ com o imóvel valorizado tanto quanto o carro _ seria de 20 X 880 = 17.600 reais ( !!!!!!!! ) Na realidade seria entre 600 e 700 reais. Mas eu reconheço que eu deveria e poderia pagar IPTU, e estava preparada para tal, com a simples atualização das Plantas de Valores de São Paulo. Mas não acho que ainda haja margem para que participemos do financiamento do transporte público, com ainda mais acréscimos nas taxações dos carros, e ainda mais para ajudar os pobres empresários a ficarem isentos dessa obrigação com seus empregados.

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