5 de junho de 2026

Doações de civis à ditadura começaram antes do golpe

Enviado por Tamára Baranov

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Da Carta Capital

Segundo Paulo Egydio Martins, governador de SP entre 1975 e 1979, empresários ajudaram a reequipar frotas do II Exército antes de 1964. 

Por Marsílea Gombata

Antes mesmo de os militares chegarem ao poder por meio do golpe, em 1º de abril de 1964, civis já os apoiavam com doações financeiras com o intuito de deter o governo do então presidente João Goulart. De acordo com Paulo Egydio Martins, governador do estado de São Paulo entre 1975 a 1979, não houve um grande empresário que não tivesse apoiado o golpe. “Se me perguntarem quem não apoiou, não saberia dizer. Foram muitos, mas duas figuras se destacaram: Quartim Barbosa (presidente do Banco do Commércio e Indústria de São Paulo) e Gastão Vidigal (do Banco Mercantil de São Paulo)”, disse Egydio Martins em depoimento no dia 26/11/2013 à Comissão da Verdade Vladimir Herzog, na Câmara Municipal de São Paulo. “As doações foram fundamentais para os militares chegarem ao poder. O II Exército, aqui em São Paulo, era uma piada e estava, literalmente, no chão”, lembrou sobre a ajuda dada para a compra de pneus, baterias, carburadores e combustível para os veículos militares.

Segundo Egydio Martins, hoje com 85 anos de idade, as doações eram feitas em dinheiro, por pessoas físicas, para coronéis do Estado Maior do II Exército e não em nome das empresas. “Esse dinheiro, claro, deveria ser forçosamente caixa 2 das empresas dessas pessoas, mas não era oficialmente o dinheiro desses grupos”, disse. O ex-governador contou ainda que antes mesmo de assumir o Palácio dos Bandeirantes foi diretor da Associação Comercial do estado de São Paulo, cargo no qual ajudou a montar um grupo de coordenação para as doações destinadas à reequipagem do II Exército. “Isso foi feito com a maior boa vontade, quando se aproximava já do fim o governo Jango. Foi feito de forma escancarada e não houve reclamação”, lembrou ao ressaltar a relação de amizade que mantinha com Júlio de Mesquita Filho, da família dona do jornal O Estado de S. Paulo, com quem cuidava do que chamou de “pensamento estratégico” da elite empresarial e dos bastidores do poder.

Apesar de dizer que não tem informações precisas sobre as doações de pessoas físicas para os militares depois de 1969, quando foram montados órgãos de repressão como a Operação Bandeirante e os DOI-CODI, Egydio Martins disse que não crê em alguma razão para as doações terem cessado.

Segundo o ex-governador paulista, a colaboração da elite civil ocorreu para impedir que o Brasil se tornasse um país como Cuba e não para o que viria a ser uma ditadura de mais de 20 anos. “A aliança civil-militar não era para a implantação de uma ditadura. Era para derrubada de um presidente eleito, sim, e sabia-se da gravidade do ato. Era para não haver uma cubanização no Brasil”, afirmou. “Não houve espírito civil ditatorial, mas antiditatorial, antigolpista. Temia-se, pelo pronunciamento do Jango, a constituição de um Estado socialista aos moldes de Cuba. Mas em hipótese alguma esperávamos uma ditadura militar. Nós, civis que participamos do movimento, fomos traídos no fim e nunca nos foi dito que a nossa participação seria usada para a implantação de uma ditadura.”

Para ele, existia um estado de tensão e nervosismo provocado pelos “discursos cada vez mais violentos” do presidente da República, João Goulart, e as pessoas passaram a se mobilizar para “não deixar o Brasil virar um ‘Cubão’. “Eu aprendi a odiar todas as ditaduras, aprendi a odiar o comunismo antes mesmo do fascismo. E uma das razões que me levou à conspiração foi buscar evitar uma ameaça ditatorial como a dos bolcheviques e a de Mao Tsé-Tung, com milhares de pessoas assassinadas, ou a de Fidel Castro. Eu não queria isso para o Brasil.”

Escolhido por voto indireto durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), Martins disse no depoimento desta terça-feira ainda que a morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI em São Paulo fazia parte de um complô para derrubar o então ditador. “Eles (os militares) queriam um regime mais forte, muito mais violento. O próprio Sylvio Frota, ex-ministro do Exército do Geisel, era um deles.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

11 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Orides

    18 de dezembro de 2013 11:30 am

    Cubanização?

    Só resta rir.

    É possível acreditar em tanta ingenuidade?

    Eu não acredito.

    Queriam é manter a separação entre casa grande e senzala.

    Por isso ainda odeiam o Lula, não importa quanto lucrem!

  2. Motta Araujo

    18 de dezembro de 2013 11:44 am

    Depois de certa idade a mente

    Depois de certa idade a mente já não funciona muito bem . “”Todo empresario?”” Nada a ver. Alguns sim, não todos.

    Mario Wallace Simonsen, por exemplo, era amigo de Jango e era um grande empresario, grande exportador de café e maior acionista da Panair do Brasil. Alguns empresarios de São Paulo tinham atuação politica e deram contribuições ao IPES que por sua vez tinha um ativismo anti-esquerda mas não era contribuição ao Exercito. Alias o II Exercito com sede em São Paulo foi um dos que não participou da primeira fase do movimento de 31 de março, dado que o General Amaury Kruel era amigo e compadre de Jango. E quanto ao Comind, Paulo Egidio era o segundo maior acionista, depois de Quartim Barbosa, está criticando a ele mesmo? Não dá para entender, dando milho para bode, essa Comissão de S.Paulo é puro palanque de vereadores, sem rigor investigativo que pelo menos tenta atingir a Comissão Nacional.

    1. Lionel Rupaud

      18 de dezembro de 2013 12:05 pm

      André, muito obrigado por reestabelecer a verdade,

      de fato tem uma certa tendência na aristocracia paulista/na de achar que todos tem que ter ideias de extrema direita, desde sempre e para sempre.

      São como os Bourbons na definição certeira do Talleyrand: “Não esquecem nada e não aprendem nada”.

      Fora o fato que o P. E. Martins foi um governador tão medíocre quanto o nosso atual, cujo único mérito, alias, foi de ter sido eleito, e varias vezes, portanto os paulistas tem o que merecem.

    2. Não Comunista Presente

      18 de dezembro de 2013 1:39 pm

      Sobre anticomunistas, nacionalistas e aproveitadoristas.

      “”Depois de certa idade a mente já não funciona muito bem . “

      (exceto a do AA, “evidentemente”).

      “Todo empresario?”” Nada a ver. Alguns sim, não todos”

      (se dissesse: “Algo a ver. Muitos sim, não todos”,  lhe ficaria bem mais razoável e crível). .

      Para uma pessoa que se diz “passeador dos (obscuros) labirintos” do depto de Estado e suas agências no Brasil e que nega a interferência dos “north brothers” nos golpes (documentados por eles mesmos) no Brasil e AL, sua credibilidade é “nada a ver”.

      De resto,sabemos que os civis oligárquicos fomentaram o golpe, pela simples razão (histórica) de que estavam ameaçados em seu poder e privilégios (eles chamam isso de vários nomes exóticos como: “cubanização”, “ameaças comunistas”, “caos institucional”, etc..

      O sr. Egydio (tadinho) pensava que o golpe seria para convocar novas eleições umas  “6 horas depois”, talvez. Mas não se furtou a ser governador biônico (indireto) entre 11 a 15 anos depois de implantada a dita.

      É mister notar-se que ambos, oligarcas e militares foram golpistas.

      A grande diferença entre eles é que os fardados, também  anticomunistas (doutrinados), pelo menos eram nacionalistas (embora treinados e apoiados, digamos, “Monroemente”)..

      Já os oligarcas eram apenas “anticomunistas”.

      Mas não por ideologia ou doutrina.

      Meramente por interesses e privilégios próprios e particulares.

      E que se dane a nação.

       

       

      PS: Nação = instituição + pessoas, no caso a brasileira, especificamente.

  3. CB

    18 de dezembro de 2013 12:22 pm

    O FATO é simples: os

    O FATO é simples: os golpistas civis estavam certos de que os militares derrubariam Jango e depois entregariam o poder para os civis “bonzinhos”, aqueles que tinham medo que o Brasil virasse uma Cuba gigante. De tanto o pig da época martelar nas cabecinhas daquelas criaturas de que duas coisas estavam prestes a acontecer -o Brasil se tornar uma imensa Cuba e que o céu caíria sobre as cabeças dos irredutíveis gauleses-  os civis “bonzinhos” deram uma forcinha para o golpe militar.

    QUANDO os militares resolveram não entregar a rapadura porque perceberam que os civis bonzinhos não eram assim tão confiáveis e endureceram as coisas, os tais civis “bonzinhos” (e bobinhos) começaram a chamar aquilo de ditadura. Inclusive uma parcela de civis bonzinhos que se sentiu traída pelos militares e que detinha o comando de alguns veículos de comunicação até abraçou a campanha das “Diretas-Já!”.  Sei lá, será que estou enganado ou aquela publicação da Marginal Pinheiros chegou a colocar uma foto do Osmar Santos na capa com uma chamada do tipo “O locutor das diretas”?

    COMO agora a tal de democracia tirou os amiguinhos dos filhos dos civis bonzinhos do governo e não há jeito de eles voltarem pelo voto, os herdeiros do pig de meio século atrás começaram tudo de novo, mas em vez de apelarem para militares, eles estão apelando é para o Conselho dos Sábios da Pangea.

    BOM, eu leio tanta besteira contra Dilma, Lula, o PT e tudo que não reze pela cartilha do pig e dos manipulados da direita que também acho que posso pensar a besteira que quiser. Mas será que é besteira mesmo? Enfim, o que pubilcará a folhadesãopaulo naquele espaço “Na Folha a 50 anos” no final de março e começo de abril de 2014?

    1. CB

      18 de dezembro de 2013 1:01 pm

      http://veja.abril.com.br/arqu

      http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_14031984.shtml

       

      Pois é, democracia é quando a turma da gente tá mandando; ditadura e quando a turma dos outros é que tá mandando.

  4. Eneuton

    18 de dezembro de 2013 1:20 pm

    Que o Golpe foi

    Que o Golpe foi civil-militar, que os generais golpistas depois passaram a perna nos civis e queriam se manter no Poder ad infinitum, que o mote do Golpe foi a ameaça do comunismo, e que na verdade os civis não queriam era o fim da Casa Grande/Senzala, que os militares tinham um projeto de desenvolvimento autoritário-conservador: Brasil Potência, que houve financiamento do Golpe antes e depois, que aceitavam os porões da ditadura como um “mal necessário”, tudo isso é sabido. O que a Comissão da Verdade precisa é identificar: NOMES, RESPONSABILIDADES. Para que a sociedade possa julgar e punir, não com olho no retrovisor, mas no pára-brisas. Que nunca mais se repitam golpes e regimes ditatorias. E isto não é pouco, haja vista que os militares brasileiros, no fundo, ainda se consideram os patrocinadores da República, da Revolução de 1930 e da modernização do País pós 1964.  

  5. Paulo Figueira

    18 de dezembro de 2013 1:26 pm

    “Eu aprendi a odiar todas as

    “Eu aprendi a odiar todas as ditaduras, aprendi a odiar o comunismo antes mesmo do fascismo. E uma das razões que me levou à conspiração foi buscar evitar uma ameaça ditatorial como a dos bolcheviques e a de Mao Tsé-Tung, com milhares de pessoas assassinadas, ou a de Fidel Castro. Eu não queria isso para o Brasil.”

    Esse senhor acredita que somos todos idiotas, ele foi Governador de São Paulo nomeado pela ditadura, usou e lambuzou-se do poder e das benesses que a ditadura lhe proporcionou, vem dizer agora que sempre odiou ditaduras.

    Esse temor da “cubanização” sempre foi usado para justificar as atrocidades que cometeram para impor seus interesses de classe, aliados aos interesses do capitalismo internacional. 

  6. Julio Palmieri

    18 de dezembro de 2013 2:17 pm

    mas antes do golpe não era

    mas antes do golpe não era uma ditadura!

    e dizer que a conspiração começou antes do golpe e meio infantil não é mesmo?  afinal o golpe não teria como ocorrer antes da conspiração, portanto e de uma obviedade decepcionante essa materia!

  7. Athos

    18 de dezembro de 2013 3:37 pm

    Ja cometiam atrocidades antes

    Ja cometiam atrocidades antes mesmo de chegarem ao poder?

    Ta virando caça as bruxas…

  8. cesar r. nemes

    18 de dezembro de 2013 5:12 pm

    O cara de pau se diz traido,

    O cara de pau se diz traido, mas aceitou ser governador biônico. Eta raça sem caráter.

Recomendados para você

Recomendados