5 de junho de 2026

Como as candidaturas presidenciais ainda não passam de três em um

Como as candidaturas presidenciais ainda não passam de três em um
Simplício juntou os últimos dólares ganhos como agente duplo da CIA e seguiu para o Rio com Angeline. Queria a ajuda do professor Galileu para fazer um balanço das candidaturas presidenciais que estão colocadas até o momento, ou seja, Dilma, Aécio e Marina – esta no suposto de que, num lance de realismo eleitoral, Eduardo lhe ceda o primeiro lugar na chapa do PSB. “Por enquanto, são essas as cartas”, disse Angeline. “Como escolher?”

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– Não há candidato perfeito, disse Galileu. O problema é saber quem o cara leva para a Presidência junto com ele. Chame-se a isso de mico eleitoral. O mico da Dilma a gente já sabe: é o Ministério que está aí. O mico de Aécio é conhecido, são os tucanos de volta. Já o mico de Marina é uma mistura dos dois, pois ela acha que deve misturar a política econômica tucana com a política social petista, bater no liquidificador e assar no forno da sustentabilidade.

Angeline tinha lido Rudimentos de Teoria Marxista, de forma que atalhou: “Não seria isso uma espécie de síntese dialética entre PSDB e PT?”. 

– É preciso ter paciência, pensou Galileu. Ou paramos de dar introdução ao marxismo nos primeiros anos do curso de graduação, ou damos o curso inteiro até a pós-graduação, pois do contrário acabaremos exaustos de tanto ouvir bobagens sob a autoridade do mestre. Não, Angeline, disse alto, não pode haver síntese entre iguais: em matéria de política econômica, Dilma, Lula, Aécio, Serra, Marina, Eduardo são iguaizinhos. Cada um com seus micos.

– Fale-nos mais dos micos, insistiu Angeline.

– Vou me ater à política econômica porque ela é que faz a diferença. O mico de Dilma nessa matéria é o Mantega, embora muita gente acredite que o Mantega não faz nada por conta própria mas simplesmente segue as ordens dela. Se for assim, é mais grave. Porque teremos, se ela ganhar, mais quatro anos de politica econômica regressiva – a tal política macroeconômica do tripé tão elogiada por Marina no programa do Jô.

– E o mico do Aécio?

– Ora, o PSDB inventou o tripé. Segundo um importante economista heterodoxo paulista, ainda bem que o tripé foi inventado por bípedes; imagine-se se fosse feito por quadrúpedes.

– Se tivesse de escolher agora, professor Galileu, qual desses micos compraria numa eleição?, quis saber Simplício.

– Graças a Deus não preciso escolher agora. Vamos esperar mais alguns meses. O professor Daniel lembra que a candidatura de Collor não existia antes do ano eleitoral, e quando chegou janeiro só tinha 2%. Não quero outro Collor. Mas não descartem surpresas!

Simplício disse para Angeline: Ponha aí alguma coisa na agenda vermelha. Angeline escreveu: A sabedoria da escolha presidencial está na arte de desvendar previamente sua política econômica.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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