Por Leandro Ferrari
Deu na Zero Hora (e outros meios): Governo deve adiar exigência de airbag e freios ABS em todos os carros em 2014
“Medida busca reduzir impacto dos preços dos veículos na inflação e pode dar sobrevida a modelos como a Kombi O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, nesta quarta-feira, que o governo está preocupado com o risco de inflação crescer em razão do aumento dos preços dos carros devido à entrada em vigor, em 2015, da obrigatoriedade de todos os automóveis fabricados no Brasil terem itens de segurança, como airbags e freios ABS. Conforme Mantega, os preços dos carros podem aumentar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil em virtude desses equipamentos. Devido ao impacto na inflação, o ministro informou que estuda o adiamento do início da medida. — Possivelmente vamos adiar a entrada em vigor — disse. […]”
Nisto, confirmo minha tese de que as políticas públicas, há anos, tem sido muito favorável às montadoras.
Segue o link de um texto que já divulguei sobre isso:
E os senhores das armas?
http://advivo.com.br/comentario/re-fora-de-pauta-64497
Segue um trecho:
Vê-se que no Brasil temos a falta de atenção como a maior causa dos acidentes de trânsito. Vejamos então a Europa: lá, reconhece-se que as maiores causas são o excesso de velocidade, a influência de álcool e erros de ultrapassagem[12]. No entanto, isso não impediu que os europeus mantivessem o nível permitido de concentração alcoólica no mesmo patamar desde 1998, isto é, em 0,5g/l, ao contrário do Brasil que decidiu pelo banimento total, mesmo não reconhecendo esta como uma das maiores causas de acidentes de trânsito.
Em março de 2010, a assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução proclamando a “Década de Ação pelo Trânsito Seguro 2011-2020”, cujo objetivo é incentivar os governos a implantarem políticas de redução de acidentes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,3 milhões de pessoas morrem todos os anos em consequência de acidentes de trânsito.
Para reduzir o número de vítimas, a ONU propôs encorajar os países por meio de 5 pilares:[13]
– Pilar 1: Gestão da Segurança Viária
– Pilar 2: Infraestrutura viária mais segura
– Pilar 3: Veículos mais seguros
– Pilar 4: Usuários mais seguros
– Pilar 5: Atendimento às vítimas
Dentro do Pilar 3, na atividade 4, a proposta é: “encorajar a implantação universal de tecnologias de prevenção de acidentes com eficácia comprovada, como os sistemas ESC e ABS nos veículos motorizados”. Na União Europeia, desde novembro de 2011, algumas categorias de veículos já saem de fábricas com o sistema antiderrapagem, conhecido pelas siglas ESC (Controle de Estabilidade Eletrônica), ESP (Programa de Estabilidade Eletrônica) ou DSC (Controle de Estabilidade Dinâmica). Tal sistema ajuda por exemplo numa situação em que um obstáculo (animal, pedestre, buraco) surge na frente do veículo, permite ao motorista conseguir desviar do obstáculo sem perder o controle do carro. Em veículos maiores ajuda a impedir o capotamentos. A partir de novembro de 2014 todos os carros na União Europeia deverão ter o sistema ESP. Segundo a Bosch, o ESP pode prevenir até 80% de todos os acidentes de derrapagens, chegando a considerá-lo o melhor sistema de segurança veicular depois do cinto de segurança.[14]
O New Car Assessment Programme (EuroNCAP), na Europa, incluiu o Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP) em seus critérios de avaliação. Desde 2010, apenas os modelos de veículos que possuírem o ESP como equipamento de série podem receber a classificação máxima de cinco estrelas. Essa ação visa a destacar ainda mais a importância dos sistemas de segurança oferecidos pelas montadoras e corrobora com a proposta da ONU para reduzir as vítimas de acidentes de trânsito.
No Brasil, podemos perceber que prefere-se culpar o cidadão não só pela recente tolerância zero ao álcool, mas pelas propostas e políticas adotadas de modo geral. Cite-se a proposta elaborada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), ficando claro quando vemos a inversão das prioridades propostas pela ONU, colocando a segurança viária e segurança veicular nos últimos lugares:[15]
– I. sistema de gestão
– II. fiscalização
– III. educação
– IV. saúde
– V. segurança viária
– VI. segurança veicular
Dentro do item VI, segurança veicular, na “ação 2” (na última folha do citado documento), só então vemos a preocupação com o nível de segurança dos veículos:
“Objetivo: aumentar o nível de segurança ativa e passiva dos veículos, reduzindo, consequentemente, o número de acidentes, de morte e de feridos.
Implementação: incorporação gradativa dos itens de segurança.
a. O Contran, com base em estudo realizado pelo Denatran, ouvidos as câmaras temáticas, os órgãos do SNT e demais segmentos da sociedade envolvidos, deverá estabelecer os itens de segurança obrigatório na fabricação de veículos.[…]”
Alguns podem alegar que para se exigir certo item a mais no veículo deve ser feito de modo gradual. Oras, quem não se lembra dos kits de primeiro socorros? Com a entrada em vigor do Novo Código de Trânsito Brasileiro em janeiro de 1998, houve uma corrida dos consumidores para se enquadrar na exigência do artigo 112, que obrigava o porte de kit de primeiro socorros. Um ano após, em janeiro 1999, o Deputado Padre Roque entrava com o Projeto de Lei nº 4.886 para revogar o artigo 112:
“Este conjunto de primeiros socorros é inútil, caro e perigoso. É voz comum que poderá causar sérios prejuízos, se usado inadequadamente. A única razão da sua existência é fomentar o lucro dos fabricantes dos materiais e equipamentos e dos revendedores.”[16]
Ao contrário dos 120 dias de vacatio legis que foi dado para os consumidores obedecerem ao artigo 112, os governantes tem dado quase duas décadas para cobrar itens de segurança muito mais eficazes que os infames kits de primeiro socorro, que, diga-se, teria uso reativo e não preventivo, como é o caso do ABS, air-bag e ESP.
Dick Vigarista
12 de dezembro de 2013 9:58 amE com as margens de lucro que tem no Brasil …
Fora os gastos do governo com acidentes de transito. Conta mais fajuta, fica olhando alguns pontos na inflação e não pesa o resto.
Mais que na cara que é uma medida apenas para beneficiar montadoras.
drigoeira
12 de dezembro de 2013 10:24 amEste tema já foi debatido aqui a exaustão…
Chego a conclusão que os blogs sujos (LN, conversaafiada, tijolaço, etc…) não tem acesso algum na Esplanada dos Ministérios. Ou então os comentaristas destes Blogs não produzem nada de positivo. Porque os temas debatidos não estão na pauta dos governantes deste país. As decisões e rumo tomado pelos políticos vão contra aos anseios da população.
Repito. Varios só votam no PT, porque não tem outro partido à altura.
André LB
12 de dezembro de 2013 7:02 pm“Repito. Varios só votam no
“Repito. Varios só votam no PT, porque não tem outro partido à altura.”
Chamou?
magnus
12 de dezembro de 2013 10:52 amCheira a acordo sindical.
Cheira a acordo sindical. Evitam desativar linhas antigas, mais dependentes de mão-de-obra, e trocar por novas, automatizadas.
Volnei
12 de dezembro de 2013 11:07 amNESTA PUTARIA CHAMADA BRASIL…
… enchem a BR101 de radares de 80km/h pra arrecadar mais, em detrimento da segurança dos automóveis, que permitem as montadoras encherem o cú de dinheiro… vamos pagando com a vida pelo lucro destes vagabundos, politicos e empresários…
Espero que não moderem, pois sobre certos temas não há como ser mais polido… Aliás, só não metemos a mão na cara destes pilantras de Brasilia porque o tão cantado JK fez o “favor” para o país de levar os “bandidos” de verdade para o planalto central, sob o argumento de desenvolver a região. Só os tolos acreditaram.
LC
12 de dezembro de 2013 11:20 amÉ questão de “ajuda”
Claro que não há nenhuma relação com a inflação, houve algum “apoio” para negociar com a vidas das pessoas que compram essas latas de lixo….
Marcos Chiapas
12 de dezembro de 2013 11:23 amIsso aí é pouco
Escandaloso mesmo é um dos campeões nacionais do BNDES, a Friboi ( JBS ) estar fazendo campanha publicitária para vender no Brasil sua carne que foi vetada na Rússia por questões sanitárias.
Porque será que o governo brasileiro, que através do BNDES detém 40% das ações da JBS não investiga qual é esse problema sanitário e quais os problemas na produção de carne de sua empresa, já que existem debúncias junto as autoridades feitas por funcionários da empresa, e deixa que ela seja vendida livremente aos seus cidadãos ?
Leandro Ferrari
12 de dezembro de 2013 11:23 am“automóvel novo” tem peso de 0,8856%
Está lá no Estadão hoje:
A possível mudança na regra para os dois itens de segurança, estabelecida em 2009, é resultado da preocupação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o impacto inflacionário que o aumento dos preços dos carros pode provocar.
Interessante saber que no INPC, o item “automóvel novo” tem peso de 0,8856%. Portanto, acho que tem outros 99,1147 motivos para se preocupar.
Frederico69
12 de dezembro de 2013 9:29 pmo negócio é a arrecadação
metade do carro é imposto, logo se vendem carro como nunca, arrecadam como nunca. por isso o governo protege a industria automobilistica, o resto é balela. produzir carroça e cobrar caro é o que sabem fazer.
Orlando Fogaça Filho
12 de dezembro de 2013 11:45 amAbsurdo
Nem posso acreditar numa burrada dessa.
Quer dizer que a vida não vale nada? Segurança vem depois dos interesses das montadoras?
De 2009 até 2014 não deu para as fábricas se adequarem e retirarem de linha os carros inseguros e que põem em risco a vida dos brasileiros?
Fazem isso na Europa, EUA, Japão, China, ou é só no Brasil, apesar dos carros mais caros do mundo e da maior lucratividade das montadoras, que a segurança é posta em segundo plano?
Se o Mantega está mesmo pensando nisso, tem que ser demitido imediatamente, e se a Dilma aceitar o absurdo, desisto dela e do PT.
Juliano Santos
12 de dezembro de 2013 12:11 pmEssa é uma hora em que “meu
Essa é uma hora em que “meu lado” PSTU (quase) aflora. O carro no Brasil já é o mais caro do mundo. E que não venham com esse papo de imposto. O governo desonera tributos e os preços não caem. Ítem de segurança não é luxo e não pode ser repassado ao preço para o consumidor
A dependencia que a economia brasileira tem da industria automobilística faz com os governos fiquem refém das montadoras, que deitam e rolam. O JK fez seu “cinquenta anos em cinco” baseado quase que exclusivamente nessa indústria, agora para sair dessa armadilha é dificil.
E mesmo sendo admirador do Lula, o melhor presidente da história, seu governo não fez nada para mudar isso. Então somos um dos países do mundo com mais engarrafamentos, poluição e mortes no transito
jura
12 de dezembro de 2013 12:21 pmEscadas na capota
Falando em segurança no trânsito, alguém conhece algum país onde seja permitido carregar escadas na capota de carros compactos?
Essas escadas são verdadeiros arietes bem na altura da cabe;a de pedestres e motociclistas. Já foi feito algum teste de segurança para elas? A Associação Brasileira de Medicina do Trânsito já se manifestou a respeito?
Não por acaso elas são intensamente utilizadas pela empresas de telefonia e televisão a cabo. Será que esse pessoal costuma fazer lobby…?
Doney
12 de dezembro de 2013 12:36 pmCreio que o justo seria
Creio que o justo seria obrigar cada montadora a seguir as mesmas regras de segurança de seu país de origem.
Os carros brasileiros, mesmo os ditos “mundiais”, têm características fundamentais na estrutura bem diferentes – mais frágeis – do que os europeus. Um engodo absoluto, que nós, brasileiros, tratados como países de terceiro mundo, acabamos entubando.
ArthurTaguti
12 de dezembro de 2013 12:38 pmCabeças de Planilha
A medida em questão já foi implantada em todos os países desenvolvidos, originou-se de uma discussão séria sobre segurança no trânsito, sendo que o governo deu um prazo largo para as montadoras se adaptarem.
Agora, o Ministro está preocupado com a inflação.
Ora, se o preço dos carros subirão por causa de air bags, que subam! Porque uma ou duas siglas (IPCA, INPC, blábláblá) são mais importantes que a vida de milhares de brasileiros? Porque pode colocar em risco a eleição de 2014, mesmo que algumas pessoas percam suas vidas por causa desta irresponsabilidade governamental?
Este pensamento, meus caros, é típico de um cabeça de planilha. Infelizmente.
Homero Pavan Filho
12 de dezembro de 2013 1:26 pmSem contar as desonerações…
… promovidas pelo Governo Federal, que impactam as contas municipais.
Sérgio T.
12 de dezembro de 2013 2:45 pmTiro no pé.
Só mais um “tiro no pé” do “governo popular”… Tá difícil!
Um abraço.