Bolsonaro volta a erguer o circo dos horrores

Em pouco mais de sete minutos, presidente volta a distorcer declarações do presidente da OMS e insiste na produção da cloroquina

Foto: Reprodução/YouTube

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro foi à rede nacional nesta terça-feira (31/03) para falar novamente sobre a pandemia do coronavírus, mas com um viés completamente diferente daquele recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Se fecharmos ou limitarmos movimentações, o que acontecerá com essas pessoas que tem de ganhar o pão de todos os dias? Cada país baseado em sua situação deveria responder a essa questão”, disse Bolsonaro, distorcendo o pronunciamento do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, e se esquecendo da parte onde ele pede que os governos mantenham a população informada sobre as medidas tomadas e deem suporte a quem mais precisa nesse momento.

Depois de falar de medidas tomadas por outras pastas para o combate à pandemia – como o adiamento de dívidas e a entrada de 1,2 milhão de famílias no Bolsa-Família – , o presidente também usou seu pronunciamento para insistir no uso da cloroquina para tratamento da COVID-19, mesmo depois que foram registrados casos de envenenamento pela medicação em outros países.

E o presidente menosprezou as mortes já registradas pela pandemia: “O coronavírus veio e um dia irá embora, infelizmente teremos perdas neste caminho. Eu mesmo já perdi entes queridos e sei o quanto é doloroso”. Bolsonaro ainda usou a fala de Adhanom – “toda vida importa” – para insistir na questão de se “evitar a destruição de empregos, que já vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros”.

“Repito: o efeito colateral das medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior do que a própria doença”, disse Bolsonaro. Ou seja, o show de horrores do pronunciamento foi equivalente ao do discurso feito em 24 de março.

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