ATUALIZAÇÃO: Em pronunciamento, Bolsonaro evidencia seu show de horrores

Em pouco mais de cinco minutos, presidente desmerece esforços dos governadores e diz que a vida deve voltar ao normal e empregos devem ser mantidos

"Devemos voltar à normalidade", disse Bolsonaro em meio à pandemia. Foto: Reprodução

Atualização de texto às 21h25 para acréscimo de informações

 

Jornal GGN – Ao invés de falar de medidas e coordenação para o combate ao coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro preferiu usar seu recente pronunciamento em rede nacional para atacar aqueles que estão tomando medidas a respeito.

“Desde quando resgatamos nossos irmãos em Wuhan, na China, numa operação coordenada pelos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, surgiu para nós o sinal amarelo”, disse Bolsonaro, em pronunciamento realizado há pouco.

Ao falar sobre contenção de “pânico, de histeria e traçar a estratégia para salvar vidas e o desemprego em massa”, Bolsonaro abriu a caixa de ferramentas e deu início a um tiroteio generalizado contra quem está tomando medidas para combater o avanço da doença.

“Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão, e espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso. Um cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país”, afirmou. “Contudo, percebe-se que de ontem para hoje parte da imprensa mudou seu editorial; pede calma e tranquilidade. Isso é muito bom. Parabéns imprensa brasileira, é essencial que o equilíbrio e a verdade prevaleçam entre nós”.

Bolsonaro ainda criticou o trabalho feito por diversos governadores no que se refere ao isolamento social – prática que tem sido usada com eficácia em diversos países para evitar a disseminação do coronavírus. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”.

O presidente também questionou o fechamento das escolas. “O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas? Raros são os casos de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade. 90% de nós não teremos qualquer manifestação, caso se contamine”.

O presidente, que não divulgou os resultados dos testes que fez para detecção do coronavírus, disse que nada sentiria caso fosse contaminado – “quando muito acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, em uma alfinetada ao médico Dráuzio Varella.

Bolsonaro ainda foi inconsequente o suficiente para falar da busca do tratamento da doença, citando que “o FDA americano e o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19”. Cloroquina, que está em falta em diversas farmácias e que, nos Estados Unidos, envenenou um casal que usou o medicamento de forma aleatória.

Em linhas gerais, o presidente brasileiro contrariou absolutamente todas as recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo próprio Ministério da Saúde no que se refere aos procedimentos para o combate ao coronavírus.

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