De Marco Antonio Castello Branco
Bom dia Presidente. A ALMG e o Congresso precisam atuar rápido para evitar a maior crise de desemprego e violência que o Brasil já viu, e com consequências tão sérias como a do Covid 19, mas muito mais duradoura e difícil de resolver.
Minha cervejaria artesanal serve de exemplo do que está para acontecer: Temos 70 empregados e desde o dia 16/3 não vendemos uma única garrafa de cerveja. Todos os nossos clientes cancelarem os pedidos e já avisaram que não vão pagar os boletos das últimas entregas, porque não estão vendendo nada.
Os meus sócios querem demitir todos os 70 funcionários amanhã segunda-feira, para eles poderem acessar o FGTS e o seguro desemprego e terem algum dinheiro para comprar comida e pagar as contas.
Nosso caixa será suficiente para pagar as demissões e fechar a fábrica na terça-feira. Impostos contas de água, energia e fornecedores vão ficar sem ver nosso dinheiro, porque ele vai acabar com o pagamento dos acertos com os nossos empregados.
Claro que além do erário público o caixa dos nossos fornecedores vai sofrer com a nossa decisão de não pagar nenhuma fatura e impostos. Tudo isso é um grande absurdo.
Já mandei para o Sindicato da Indústria de Bebidas e para a Associação Comercial de Minas as sugestões urgentes que indústrias e empresas como a minha cervejaria precisam receber agora, nesse instante. Temos conta corrente no BB no Sicob e Santander. Esses bancos juntos precisam nos emprestar o equivalente a 30 dias de faturamento ao custo da Selic, 6 meses de carência e 12 meses para pagar. Esse crédito precisa ser garantido pelo BNDES ou pelo Governo Federal, e pelos recebíveis que temos hoje na carteira.
Nossos clientes dizem que não tem como pagar agora, mas que vão pagar quando seus restaurantes, bares e eventos forem autorizados a voltar a funcionar. Recebendo esses boletos e voltando a vender chopp e cerveja minha cervejaria vai poder pagar o que os bancos emprestarem. O jeito de fazer o crédito funcionar seria o BNDES ou o BC comprar CDBs que os bancos emitiriam para captarem dinheiro para nos emprestar.
A garantia desses CDBs seriam os contratos de empréstimo que os Bancos fariam às pequenas e médias empresas como a minha cervejaria.
Veja que essa solução não é nenhuma novidade. Na crise energética de 2013/14 as distribuidoras ficaram sem dinheiro para pagar as usinas térmicas que precisaram a suprir a falta de energia das hidroelétricas. O governo federal fez com que os bancos emprestassem bilhões de reais para as distribuidoras através CCEE. As distribuidoras começaram a pagar o empréstimo à medida que a Aneel autorizava o aumento das suas tarifas.
A ALMG é o Congresso precisam colocar a boca no trombone agora, antes que seja tarde demais. A saída dessa crise será uma construção coletiva que não se esgota na contenção da propagação do coronavirus.
Infelizmente não se pode esperar nada do poder executivo federal e quase nada dos governos estaduais. A classe política tem uma chance histórica e única de mostrar que é ela quem é capaz e tem a legitimidade para confrontar a cegueira interesseira que a ortodoxia orçamentária impôs à tecnocracia do nosso país.
Um abraço Marco Antônio Castello Branco
evandro condé
22 de março de 2020 7:06 pmSe esse Marco Aurélio for o que comandou a Usiminas. pode até ter razão, mas ele é um fdp.